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Economia

Preço do combustível faz 2 mil motoristas desistirem de trabalhar por aplicativo

Motorista de aplicativos por cerca de 2 anos, Matheus Amorim, 23 anos, decidiu abandonar a atividade há cinco meses. Ele é um dos cerca de 2 mil ...

Motorista de aplicativo: redução do número de profissionais por causa do aumento do preço do combustível

Última atualização

Motorista de aplicativos por cerca de 2 anos, Matheus Amorim, 23 anos, decidiu abandonar a atividade há cinco meses. Ele é um dos cerca de 2 mil condutores que desistiram dos aplicativos no Estado.

Além da insegurança, a diminuição agressiva do preço das tarifas e o aumento frequente do preço dos combustíveis nos postos também são fatores que o fizeram desistir das corridas pela Grande Vitória.

“A gente tem de pagar para trabalhar. De segunda a segunda, 12 horas por dia, para ganhar uma mixaria”, desabafa. Hoje, microempreendedor, ele tem a sua própria marca de roupas junto com alguns amigos.

Em relação aos combustíveis, o levantamento mensal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra alta de 23,1% no valor médio nacional do litro de etanol em apenas quatro meses. De R$ 3,54 subiu para R$ 4,36. Já a gasolina, de fevereiro a junho, foi de R$ 5,12 para R$ 5,69; um reajuste de 9,6%.

Até o Gás Natural Veicular, (GNV) alternativa mais econômica para os motoristas, tem sofrido aumentos nos últimos meses. E vai ficar mais caro, de novo, a partir de segunda-feira, como é possível conferir na página 19 desta edição.

De acordo com o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes), Luiz Fernando Muller, os relatos de insatisfação têm sido frequentes entre os motoristas. “A maioria reclama que pelo menos 50% da renda está indo para gastos com combustível. A gente vê que há uma alta no combustível, mas não tem aumento das tarifas das corridas”, destaca.

Para estimular os motoristas, as empresas afirmam que desenvolvem políticas incentivadoras.
Por meio de uma nota, a 99 afirma que também está zerando as taxas aplicadas nas corridas, ou seja, 100% do valor é repassado ao motorista, em datas estratégicas.

A Uber, também por meio de nota, destaca que, com o programa de vantagens para os motoristas, oferece descontos em alguns postos parceiros.

Mais de 12 horas de trabalho por dia

“Uma corrida do Aeroporto de Vitória até Jardim da Penha, para quatro pessoas, tem ficado em torno de R$ 5. Não faz sentido. Se elas fossem pegar um ônibus, gastariam R$ 16 só de passagem”, disse o motorista de aplicativo Judismar José, 39.

Com a chegada da pandemia, ele teve de abandonar o comércio e buscar alternativas para sustentar a família. Assim, decidiu começar a atuar como motorista de aplicativo. Ele conta que, em média, consegue ganhar R$ 200 por dia. Mas, para isso, precisa sair de casa por volta das 5h30.

São mais de 12 horas diárias de trabalho, já que ele encerra o expediente aproximadamente às 21h.

Motorista de aplicativo Judismar José, 39 (Foto: Acervo Pessoal)


Esperar tarifa dinâmica vira saída

A falta de incentivo por parte das empresas de aplicativo e o aumento agressivo dos combustíveis fazem com que muitos motoristas definam critérios mais rígidos na hora de aceitar a corrida, segundo o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes), Luiz Fernando Muller.

“Isso faz com que o motorista selecione mais a corrida e, por isso, o passageiro fica esperando mais tempo”, acredita.

Ainda de acordo com Muller, além dos gastos com combustíveis, muitos condutores têm que pagar parcelas do veículo ou locação. Por isso, eles têm preferido esperar a tarifa dinâmica aparecer – quando há um aumento de demanda em uma determinada região, a empresa aciona a tarifa dinâmica para “desestimular” que os passageiros solicitem uma corrida. Ao mesmo tempo, estimulam que mais motoristas trabalhem no local.

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