O preço do litro do diesel já supera o da gasolina comum em alguns postos da Grande Vitória. O valor do diesel chegou a R$ 7,80 em Campo Grande, Cariacica, enquanto o da gasolina chegou a R$ 7,49. Em Cachoeiro, no Sul do Estado, o litro da gasolina custava ontem até R$ 7,79.
A reportagem de A Tribuna circulou na tarde de ontem por alguns postos da Grande Vitória e encontrou, na Praia da Costa, Vila Velha, o preço do litro do diesel superando em R$ 0,20 o da gasolina, e num posto no bairro Horto, em Vitória, o valor R$ 0,14 acima do da gasolina, que tem maiores preços em Vila Velha e Cariacica.
De acordo com dados disponibilizados pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-ES), o valor médio do litro do diesel é R$ 7,52, e o litro da gasolina, R$ 7,63.
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O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, após o pedido de demissão do presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, disse que o governo federal não pode interferir nos preços dos combustíveis.
“Não é possível interferir no preço dos combustíveis, não está no controle do governo. Preço é decisão da empresa e não do governo. Temos marcos legais que impedem a interferência do governo, mesmo sendo acionista majoritário”, disse Sachsida.
A Petrobras anunciou na última sexta-feira, um novo reajuste dos preços do diesel e da gasolina nas refinarias. No dia seguinte, os preços mais altos chegaram às bombas de alguns postos e têm causado insatisfação entre os motoristas, principalmente para quem utiliza o veículo para trabalhar.
Para quem abastece com gasolina, os valores assustam a cada reajuste. O motoboy Ronald Nogueira, de 31 anos, que trabalha com entregas diversas, diz que chega a gastar cerca de R$ 30 por dia com gasolina. “Está muito ruim. Fica cada vez mais inviável para nós trabalhadores”, reclama.
O motorista de aplicativo Paulo Vinícius Lopes, 27, que trabalha há cerca de três anos na função, diz que está cada vez mais complicado abastecer o veículo para trabalhar.
“A gente precisa de trabalhar, mas está cada vez mais difícil. Alguns amigos utilizam o gás veicular, mas também não tem compensado”, destaca.
Em um posto de Vila Velha, uma frentista, que não quis se identificar, disse que o movimento no local sofreu uma queda, desde o anúncio do reajuste.
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Decidida criação de auxílio de R$ 400 a caminhoneiros
O presidente Jair Bolsonaro, junto com lideranças do Congresso Nacional, planeja criar um auxílio de R$ 400 mensais para caminhoneiros autônomos, de acordo com integrantes do Parlamento e do Executivo.
A medida, junto com o reajuste do vale-gás, seria incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão no Senado, que objetiva tentar reduzir o preço dos combustíveis, sem esbarrar na lei eleitoral, que impede a criação e a ampliação de programas sociais em ano de eleição.
As discussões fazem parte da frente aberta no Congresso, tendo à frente o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em resposta ao reajuste nos preços da gasolina e no óleo diesel anunciado na última semana pela Petrobras.
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O governo discute desde o início do ano criar um vale para caminhoneiros, mas a ideia não foi adiante devido à lei eleitoral. A leitura, porém, é que uma PEC, por mudar a Constituição, se sobrepõe a essa legislação.
Em meio a isso, algumas frentes independentes falam em greve dos caminhoneiros nacional. No Estado, porém, não há esse indicativo, segundo o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado (Transcares), Mário Natali.
“Não se tem essa hipótese no Estado. Mas ficamos tristes, pois o reflexo será grande em toda a cadeia logística. A nossa previsão é de aumentar cerca de 5,19% o frete. O transporte de cargas vai ter que repassar o reajuste do diesel e também de peças dos veículos”, disse.
Pacheco fala em reverter lucro em excesso
Os lucros líquidos da Petrobras continuam no radar no Congresso Nacional. Em entrevista coletiva, ontem, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), falou sobre a possibilidade de “reverter” à população os “excessos de lucros” obtidos pela empresa.
Segundo Pacheco, o excedente dos dividendos pagos à União, pela Petrobras, podem estabilizar preços de combustíveis. “Me parece mais lógico (alocar os dividendos) através de especificidades para caminhoneiros, taxistas, gás de cozinha, beneficiários do Auxílio Brasil. Então me parece algo muito lógico reverter esses excedentes para uma conta de estabilização dos combustíveis”, disse.
A defesa de Pacheco é a aprovação, pela Câmara, do Projeto de Lei (PL) 1.472/2021.
Entre outros pontos, o PL cria um fundo financeiro para estabilização dos preços de derivados de petróleo (diesel, gasolina e gás liquefeito de petróleo).