A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentou os dados do setor para o trimestre que apontam estabilidade com relação ao início de 2021. As vendas tiveram alta de 1,4%, enquanto os lançamentos caíram 2,6%.
Esse número, no entanto, esconde a situação mais complicada dos imóveis do programa Casa Verde e Amarela (CVA), que tiveram redução de 25,6% nos lançamentos ante o mesmo período do ano passado, somando 22.300 unidades.
As informações desta reportagem são do jornal Valor.
Entidades, analistas e incorporadoras que atuam no programa habitacional vêm repetindo a necessidade de nova atualização na curva de subsídios do CVA, para ajudar a permitir um aumento de preço das unidades, sem que o cliente, com a renda pressionada pela inflação, perca poder de compra.
Essa mudança vai chegar, afirmou o novo ministro do Desenvolvimento Regional (MDR), Daniel Ferreira, em entrevista ao jornal Valor. Haverá acréscimo de 12,5% a 21,4% no valor do subsídio, a depender da localização do empreendimento, da renda familiar e de outros critérios. O teto do valor concedido continua em R$ 47.500.
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A medida começa a valer em junho e dura até o final do ano. A pasta quer fechar 2022 com 400 mil contratos no programa – até o momento, foram 91 mil.
Agora, resta ver se a atualização nos subsídios será suficiente para reaquecer o segmento econômico, que representa 42% dos lançamentos no País, mas já foi 57% no início de 2020.
Até o momento, a elevação dos lançamentos e as vendas das unidades que não se encaixam no programa deram conta de equalizar a queda do CVA, mas os juros prejudicam novas vendas.
Além de incorporadoras, empresas que prestam serviço à construção civil esperam a retomada do programa habitacional. A Versátil, companhia que aluga andaimes e escoramentos para edifícios no Paraná e em Santa Catarina, está com 85% de ocupação dos materiais, nível acima da média histórica de 60%.
A empresa projeta manter o ritmo pelo menos até meados de 2023, quando os empreendimentos lançados nos últimos anos ficarem prontos. Depois disso, aguarda que mudanças no CVA mantenham a demanda por obras aquecida.
Preço assusta, mas alta desacelera
O setor de construção civil vive com o fantasma da inflação. A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) se defende dos aumentos e culpa o preço das matérias-primas e do frete, além dos impostos, que também atingem os produtores.
O índice Abramat reportou até abril queda de 9,3% no faturamento do setor, ante os quatro primeiros meses de 2021. Nos últimos 12 meses, a redução é de 2,3%.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (Anfacer) também divulgou desempenho negativo dos associados no trimestre, com queda de 2,6% na produção e de 11,4% na comercialização de revestimentos.
Se as vendas estão caindo, ao menos o ritmo dos novos aumentos de preço também deve diminuir. Celso Petrucci, vice-presidente da CBIC, afirmou que o movimento de alta dos custos deve perder força ao longo do ano.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumula alta de 11,54% nos últimos 12 meses, já menor do que a inflação oficial do país, de 12,13%.
Na área de escritórios, dois negócios feitos na última semana apontam para uma perspectiva de recuperação da ocupação e do valor de aluguel, ao menos entre as lajes corporativas de alto padrão, dizem analistas do setor.
A BR Properties vendeu mais da metade do seu portfólio para a Brookfield por R$ 5,9 bilhões, o que incluiu 12 torres comerciais e dois terrenos para galpões industriais.
No dia seguinte, a GTIS Partners comercializou por R$ 850 milhões a sua fatia de 62% da Infinity Tower, prédio de padrão AAA (“triple A”). O comprador foi um grupo formado pelas empresas Lucio, AMY e Omar Maksoud Engenharia, que já possuía o restante do edifício.