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Economia

Recém-formados vão enfrentar disputa mais difícil por emprego

Os recém-formados da geração Z — como são chamados os nascidos a partir de 1996 — vão a sentir na pele, de forma mais intensa, os efeitos da ...

Neidy Christo explicou que o mercado fica mais seletivo quando existe uma oferta grande de profissionais.

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Os recém-formados da geração Z — como são chamados os nascidos a partir de 1996 — vão a sentir na pele, de forma mais intensa, os efeitos da pandemia. Eles vão enfrentar disputas mais difíceis para conseguir emprego, devem trabalhar mais e ingressar no mercado com um salário menor, segundo especialistas.

Essa geração de recém-formados chegará a um mercado em crise, com número histórico de desempregados e, muitas vezes, sem experiência. Enquanto isso, as empresas buscam, cada vez mais, profissionais prontos como forma de economizar tempo e dinheiro no desenvolvimento da equipe.

“As grandes startups, por exemplo, focam em profissionais que vão resolver imediatamente o problema”, destacou o futurista Leonardo Carrareto.

Neidy Christo explicou que o  mercado fica mais seletivo quando existe uma oferta grande de profissionais. (Foto: Kadidja Fernandes - 03/09/2016)

A vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Neidy Christo, explicou que o mercado fica mais seletivo quando tem muita oferta de profissionais. “Hoje há quase 14 milhões de desempregados no Brasil. A empresa pode escolher e o funil acaba apertando mais”.

Estudos mostram que a geração que se forma e encontra o mercado de trabalho como está agora acaba tendo problemas com empregabilidade, conforme o Diretor do FGV Social, Marcelo Neri.

Ele detalhou que, durante a pandemia, os jovens foram os que mais perderam renda no Brasil. Os de 20 a 24 anos, tiveram perda de 26%; já para aqueles entre 15 e 19 anos, a redução foi de 34%. “A ocupação dos jovens caiu, o desemprego aumentou, o salário também sofreu. Existe um efeito da ocupação que deprime o salário”.

Igor Salotto, cofundador de uma escola de preparação de estudantes do ensino médio para o mercado de trabalho, explicou que essa geração tende a trabalhar mais devido à falta de uma visão clara entre vida pessoal e profissional, já que tendem a buscar atividades que dão mais satisfação.

Ele avalia que aqueles que estão se formando vão ter mais dificuldade no mercado para ingressar em ocupações mais tradicionais, em nível de analista. “A demanda deve surgir das empresas que cresceram na pandemia, setores inovadores relacionados à tecnologia. Mesmo durante a pandemia, alguns conseguiram se destacar”.

Década de 2020 pode ser a “mais perdida de todas”

A década de 1980 foi considerada perdida devido à estagnação econômica, alta inflação e o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Alguns estudos já apontam que, devido à crise vivenciada agora, esta tende a ser a década “mais perdida de todas.”

Estudos mostram que a crise da década de 1980 deixou sequelas por cerca de 25 anos para a geração que estava no mercado de trabalho. O principal efeito trabalhista de situações como esta é a dificuldade de conseguir um emprego.

“A geração que se forma e vai para o mercado de trabalho como está agora tem problemas com empregabilidade, violência, homicídio. Estudos empíricos mostram que fica uma cicatriz”, explicou o diretor do FGV Social, Marcelo Neri.

Segundo ele, são necessárias políticas públicas para minimizar esse tipo de impacto, contudo, nesses casos é mais difícil. “Os jovens dependem do Estado, que está quebrado”, avaliou.

Marcelo explicou que a matrícula escolar de jovens, de 20 a 24 e de 26 a 29 anos, está bastante alta no Brasil. “A crise é tanta no mercado de trabalho que o jovem resolve ficar mais tempo na escola por não conseguir emprego”.

Maioria prefere home office e horário flexível a salário alto

O conceito de uma empresa dos sonhos é bem relativo para diferentes gerações. A busca pela estabilidade e por um bom salário já não parece ser mais tão importante para as gerações que estão no mercado, quanto horário flexível e trabalho em casa. Já para gerações passadas, salário e estabilidade eram grandes referenciais.

Uma pesquisa feita pela startup de recrutamento Revelo a pedido do Estadão, ouviu 378 profissionais para saber o que faz uma empresa ser “dos sonhos”. Enquanto 69% apontou o horário flexível e o home office; 36% disse olhar para salário acima da média.

Entre as respostas, cada um podia escolher até duas opções: 36%, escolheu o compromisso com diversidade, sustentabilidade e outros propósitos; 18%, a participação nos lucros; e 15%, os bônus por performance.

O estudo mostrou que o home office e o trabalho flexível são prioridade para todos os grupos de idade, com maiores índices entre quem tem de 18 a 23 anos (41%) e de 35 a 40 anos (37%).

Já o salário foi apontado como importante principalmente nas faixas de 24 a 29 anos e de 35 a 40 anos, mas com índice de 20%, em ambas. O compromisso com propósitos da marca como diversidade, sustentabilidade e outros são mais importantes para os mais jovens, entre 18 e 29 anos.

Saiba mais

Geração Z

  • Nascidos a partir de 1996, a geração Z, também chamada de nativos digitais, se destacam pela disponibilidade, simplificação de tarefas, desejo de desenvolver habilidades e talentos e estar associados a empresas que têm valores coerentes com os seus. Além disso, por crescerem de forma conectada, não se prendem a noções de barreira geográfica.
  • Claro que nem todos dessa geração têm as mesmas características, já que tudo depende do contexto e da história de cada um. Contudo, esses são pontos em comum.
  • Esses jovens buscam recomendações de emprego inicialmente com amigos e familiares. O segundo passo são as oportunidades on-line. A falta de experiência é um dos fatores apontados por especialistas que podem dificultar o ingresso dos recém-formados dessa geração no mercado de trabalho.

Dificuldade de colocação

Carteira de trabalho: mudanças (Foto: Divulgação)Com quase 14 milhões de desempregados no Brasil, fica mais difícil conseguir uma oportunidade de emprego para todo mundo, contudo para quem não tem experiência, a situação é ainda pior.

  • O número é de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE).
  • A falta de experiência é um fator dificultador porque as empresas estão em fase de enxugar gastos e por isso buscam profissionais prontos, para não ter que investir em treinamentos e outros recursos de preparação.
  • Além disso, não querem gastar o tempo que poderiam estar resolvendo um problema para treinar alguém que ainda não está pronto para fazer o que ela realmente precisa naquele momento.

Desemprego

  • O Brasil encerrou setembro com 13,5 milhões de desempregados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo são 3,4 milhões a mais que o registrado em maio, uma alta de 33,1% no período.
  • No Espírito Santo, a taxa de desemprego no período é de 12,9%. Ou seja, abaixo da média nacional.

Salários serão menores (Foto: Divulgação)Salário

  • Geralmente quem está ingressando no mercado de trabalho entra com um salário menor e, à medida que vai construindo sua carreira, a situação tende a melhorar.

Carga horária

  • A geração Z procura satisfação e ao encontrar um trabalho que traga esse resultado, a tendência é que esses profissionais trabalhem ainda mais, pela dificuldade de criar uma separação entre a vida profissional e pessoal.
  • Essa dificuldade se dá devido ao avanço da tecnologia que permite ao indivíduo se conectar com seu trabalho esteja onde estiver, dependendo profissão e cargo. E ao fato de essa geração já ter nascido conectada, o que dá a ela mais familiaridade com o mundo virtual.
Fonte: ABRH, Marcelo Minutti, Erthelvio Nunes Júnior, Igor Salotto, Leonardo Carrareto, Marcelo Neri e pesquisa AT.

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