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INSEGURANÇA

Roubos forçam empresários a fechar lojas e demitir empregados

De janeiro ao fim de março deste ano, foram 1.347 ocorrências de furtos e roubos a estabelecimentos comerciais

Mariana disse que trabalha parte do dia com as portas trancadas, para ter alguma segurança: “Clientes desistem”

Última atualização

Furtos, arrombamentos e assaltos à mão armada. Esse é o drama vivido por comerciantes de diversos municípios do Estado. Somente de janeiro a março deste ano, 1.347 ocorrências de furtos e roubos a estabelecimentos comerciais foram registradas, uma média de 15 queixas por dia.

Por causa deste cenário, muitos comerciantes acabam desistindo de investir. Alguns, inclusive, optam por demitir seus funcionários e fechar as portas de suas lojas.

A empresária Mariana Volpato, de 38 anos, inaugurou uma loja de pijamas em Itapuã, Vila Velha, em dezembro do ano passado. Ela tinha a intenção de abrir mais uma loja na região, mas, após ter a loja invadida por um ladrão, acabou mudando os seus planos.

 













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“No mês passado fomos invadidos. Levaram computador e dinheiro. Agora fico com medo de investir. Estava pensando em colocar mais uma loja aqui por perto, mas penso em ir para Vitória”.

A comerciante explicou ainda que, para ter um pouco mais de segurança, trabalha parte do dia com as portas trancadas. “E isso é ruim para os negócios. Muitos clientes desistem de entrar”, frisou.

Uma comerciante, de 47 anos, dona de uma loja de roupas na região, relatou que também já foi roubada. “Entraram duas vezes no ano passado. A gente desanima, mas preciso trabalhar para manter as contas em dia”, salientou.

José Carlos Bergamin, diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), explicou que o problema não é novo, mas que a tendência é de piora.

“Hoje, para a pessoa montar uma loja, a primeira coisa que ela quer saber é como funciona a segurança na região, quando ela deveria se preocupar com o mercado. E essa insegurança, faz com que muitos fechem, ou arrumem outras alternativas de venda, como atendimento pessoal, venda pela rede social. Prejudica o mercado e a criação de empregos”, disse.

Ainda de acordo com Bergamin, muitos empreendedores optam por abrir seus negócios fora da Grande Vitória, buscando um pouco mais de segurança.

“As pessoas perdem a tranquilidade. O que ocorre é uma cadeia: tem gente vindo do Rio de Janeiro morar aqui, e tem gente da Grande Vitória indo para o interior, empreender por lá. Para diminuir o crime, somente melhorando as oportunidades de renda e educação”.

Preferência é não receber dinheiro

Para diminuir os prejuízos causados por crimes como assaltos e furtos, os comerciantes têm optado por receber os pagamentos via Pix, aplicativos, cartões de crédito ou de débito. É uma forma de manter pouco dinheiro em caixa.

De acordo com José Carlos Bergamin, diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomério-ES), isso faz com que a circulação de dinheiro diminua no mercado. Ele destacou ainda que a insegurança faz com que os funcionários trabalhem sempre aflitos.

“Cai o atendimento. As pessoas passam a trabalhar preocupadas, em um clima de insegurança. Elas perdem a sua tranquilidade para trabalhar”, explicou.

Ainda de acordo com Bergamin, as lojas mais visadas pelos criminosos são de produtos como relógios, roupas de marca, óculos, joias e eletrônicos em geral. 

“Muitos comerciantes que trabalham com esses produtos preferem deixar de operar na rua e optam por irem para shoppings, galerias. Alguns decidem fazer atendimento pessoal, ou focar nas vendas pelas redes sociais. Eles vão se adaptando à realidade”.

Ele salientou que as ações geralmente não têm agressividade. “Eles são silenciosos”.

PM diz que age todos os dias

A Polícia Militar informou que realiza policiamento no Estado com o objetivo de combater todos os crime, inclusive roubos e furtos. 

Ressaltou ainda que, todos os dias, são realizadas operações diversas e ações  simultâneas, como cercos táticos, ponto base, blitz e abordagens, que são planejadas conforme o mapa do crime.

No entanto, a PM frisou que o apoio da população é importante. 

“Por isso, uma viatura deve ser acionada imediatamente em casos de suspeita ou ocorrência em andamento para que a equipe mais próxima chegue mais rapidamente ao local do fato”, informou a nota enviada pela corporação.

Quando não há detidos em flagrante, é necessário que as vítimas registrem as ocorrências em uma delegacia para que os casos sejam investigados.

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