- Vitória, ES 27°C

Vitória 27°C

Anúncio
Economia

Sessenta hotéis no Estado não vão voltar a funcionar

Um dos setores que mais sofreu com a pandemia do coronavírus e a estagnação da economia foi o hoteleiro. Os estabelecimentos não foram obrigados a ...

Sócia e administradora do Hotel Atlântico Guarapari, Priscilla Soares

Última atualização

Um dos setores que mais sofreu com a pandemia do coronavírus e a estagnação da economia foi o hoteleiro. Os estabelecimentos não foram obrigados a fechar as portas. Porém, com a baixa demanda de turismo e a recomendação de isolamento social, um grande número optou por fechar por alguns meses.

Aos poucos, os hotéis estão reabrindo, mas existem aqueles que não vão mais conseguir se manter. E a estimativa é de que 60, em todo o Estado, não tenham mais condições de continuar com a atividade.

O Espírito Santo abriga entre 600 e 700 hotéis regulares, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-ES), Gustavo Guimarães. No início da pandemia, a estimativa é de que 300 tenham fechado.

“Alguns empresários optaram por manter fechado porque acharam que, na conta, ia ficar melhor, além de poder adotar as medidas de segurança. Partiu de cada um. Vários hotéis passaram noites sem nenhum hóspede como estão passando até hoje, sobretudo naqueles sem tanto giro de mercado”.

Com o passar dos meses, os hotéis foram reabrindo, adotando todas as medidas de segurança, como uso obrigatório de máscaras e álcool em gel distribuído no estabelecimento. A maior parte abriu para o público em junho e julho. Porém, a queda de faturamento varia entre 80% a 90%.

“Alguns estão aguardando o mercado reagir. Outros estão esperando o decreto de calamidade pública cessar. E há aqueles que aguardam o movimento melhorar para poder retornar. Alguns estão inativos porque não têm outra opção no momento. Não têm nem funcionários para trabalhar”.

Segundo Gustavo, a projeção do setor é de que 10% dos estabelecimentos não voltem mais a funcionar, mesmo após o fim da pandemia. Isso representaria cerca de 60 hotéis de toda a rede capixaba.

“É complicado porque é uma cadeia produtiva. São empregos que deixam de ser criados e famílias que deixam de ter suas rendas. Para a atividade de turismo é ruim o encerramento dessas atividades”.

Ainda de acordo com Gustavo, a ocupação dos hotéis hoje mal tem chegado a 20%. “Muitas vezes não está compensando ficar aberto. Um hotel precisa de 33% a 35% de ocupação para cobrir o custo fixo do funcionamento”.

Reabertura não cobre custos

Sócia e administradora do Hotel Atlântico Guarapari, Priscilla Soares (Foto: Divulgação)

Após ficar de portas fechadas por três meses, a sócia e administradora do Hotel Atlântico Guarapari, Priscilla Soares, resolveu reabrir o estabelecimento em julho. Para isso, desenvolveu uma série de medidas para garantir a proteção dos hóspedes. Uma delas é o café da manhã no quarto, como forma de evitar muitas pessoas ao mesmo tempo em volta do bufê.

Porém, ela destacou que a ocupação está muito abaixo do que é esperado para o período. “Em julho foi 5% de ocupação, enquanto no mesmo período do ano passado foi 40%. Não deu para pagar a folha”. A empresária afirmou que metade dos funcionários está com o contrato suspenso ou com a carga horária e o salário reduzidos.


Demissões no setor chegam a atingir 1.800 funcionários


Desde o início da pandemia, o setor hoteleiro já precisou demitir cerca de 1.800 empregados no Espírito Santo. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-ES), Gustavo Guimarães, afirmou que o número só não é maior por causa do programa de suspensão de contratos e corte de jornada de trabalho criado pelo governo federal.

“Se não fosse essa medida, mais pessoas teriam perdido seus empregos”, disse. Ele também destacou que só espera que a normalidade no funcionamento volte com a vacinação. Enquanto isso, os estabelecimentos vão sobrevivendo da maneira que conseguem.

“É preciso que as pessoas tenham tranquilidade em viajar. O número de casos pode baixar, como acontece atualmente no Estado, mas as pessoas continuam preocupadas com a saúde. Só vamos ter a normalidade a partir da vacina. Sobretudo no lazer, que é o nosso grande volume”, ressaltou.

Sobre a abertura de vagas de emprego na rede hoteleira, Gustavo afirmou que tudo vai depender de como o vírus vai se comportar e como será a reação do mercado.

“Se um hotel que hoje está com 20% de ocupação voltar a ter 80%, ele vai ter que voltar a contratar. A quantidade de vagas vai depender de cada hotel”.

Governo afirma que oferece crédito para empresários

Palácio Anchieta (Foto: Ademir Ribeiro/Arquivo AT 12/05/15)

O governo do Estado afirmou que tem proporcionado linhas de crédito para empresários desde o início da pandemia, com o objetivo de viabilizar condições de sobrevivência das atividades econômicas.

“Hoje temos 280 empresas, não só do setor hoteleiro, que baixaram esses protocolos. São medidas que favorecem muito a propaganda e a divulgação dos hotéis, para motivar o turista a vir, sinalizando que aquele empreendedor fez o dever de casa e se preparou para receber”, disse o secretário de Estado de Turismo, Dorval Uliana.

Ele destacou que o turismo vai seguir uma nova sistemática, que é de visitar destinos mais próximos e por períodos mais curtos.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.