Já teve início no Brasil a primeira das quatro fases do Open Banking, sistema que vai padronizar o compartilhamento de dados e serviços pelas instituições financeiras participantes.
A iniciativa é do Banco Central (BC) e tem o objetivo de estimular a competição no mercado, oferecendo menores taxas, juros mais baixos e melhores condições de crédito, além de permitir que os clientes tenham acesso a cada vez mais serviços pelas plataformas digitais, sem depender de agências.
De acordo com a Fedração Brasileira de Bancos (Febraban), o Open Banking trará mais conveniência para os clientes, além de oportunidades e ofertas de produtos e serviços.
“O Open Banking tem um grande potencial para gerar a oferta de novos e inovadores modelos de negócios, e fica a cargo de cada participante decidir quais os produtos e serviços serão ofertados ao cliente que der o consentimento”, explicou Carolina Sansão, gerente de Inovação e Tecnologia da Febraban.
Na segunda fase do sistema, que começa em 15 de julho, as instituições poderão trocar entre si informações de cadastros e transações dos clientes que concordarem com a novidade.
“O cliente deverá dar seu consentimento para que seus dados sejam compartilhados na infraestrutura do Open Banking. É ele quem escolhe quando, como e com qual instituição isto irá ocorrer”, afirmou Leandro Vilain, diretor de Inovação, Produtos e Serviços da Febraban.
Na prática, o sistema será uma única plataforma digital com informações de todos os bancos e instituições participantes, como agências, condições para concessão de crédito, anuidade e taxas de juros, por exemplo.
“Os bancos terão o perfil do cliente e farão ofertas personalizadas. Se encontrar no Open Banking um concorrente com condições melhores, essa pessoa pode negociar com seu gerente”, exemplificou Jorge Eloy, analista do mercado financeiro. “A livre concorrência é muito vantajosa”.
“Mais do que nunca, o poder está na mão do cliente”, ressaltou Elseana de Paula, consultora especialista em Direito Digital. “São eles que mandam nos próprios dados e têm a liberdade de buscar a instituição que atender melhor às suas necessidades”.
Instituições têm equipes para garantir segurança
Especialistas apontam que as instituições estão preparadas para tratar os dados dos clientes com responsabilidade. Desde 2018, os bancos têm contratado equipes especializadas para garantir essa segurança.
“Temos uma Autoridade Nacional de Proteção de Dados comprometida a fiscalizar o compartilhamento de informações dos clientes”, frisou Elseana de Paula, especialista em Direito Digital.
Os bancos só irão compartilhar informações dos clientes com os outros bancos participantes da plataforma. “A única finalidade dos dados será o Open Banking. De acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), só serão usadas as informações estritamente necessárias”, completou Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital.
SAIBA MAIS
Segunda etapa começa em 15 de julho
O que é Open Banking?
- É um modelo de serviço criado pelo Banco Central. O sistema permite o compartilhamento de dados pessoais e bancários de clientes com terceiros, mediante autorização.
- Essas informações serão usadas para oferecer melhores ofertas de produtos, serviços personalizados e taxas menores.
Quem irá participar?
- É obrigatória a participação dos bancos com porte igual ou superior a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), ou que exerçam atividade internacional relevante.
- Para as demais instituições, a participação é facultativa.
Primeira fase
- Os participantes deverão divulgar informações como número de agências, endereços, telefones, produtos e serviços oferecidos aos clientes, assim como taxas e tarifas cobradas. Essa fase já está em andamento desde ontem.
- Os dados ficarão disponíveis publicamente, e empresas terceiras poderão desenvolver aplicativos que façam comparações entre as instituições participantes.
Segunda fase
- Poderão ser compartilhados dados dos clientes (aqueles que autorizarem), como informações de cadastro, contas e operações de crédito. A partir de 15 de julho, esse consumidor receberá propostas de outras instituições e simulações de empréstimos e financiamentos.
Terceira fase
- O cliente poderá fazer transferências ou pagamentos fora do aplicativo bancário. Essa fase deve ser iniciada até 30 de agosto.
- Pelo Pix, será possível realizar saques na rede varejista.
Quarta fase
- Compartilhamento de dados de transações feitas pelo consumidor, como operações de câmbio, investimentos e seguros. Será implementada até 15 de dezembro.
Fonte: Banco Central e Febraban.
