
A experiência de profissionais mais maduros tem sido vista como uma alternativa interessante para o setor varejista, especialmente em um momento de crise e fechamento de postos de trabalho, afirmam especialistas.
Dados de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que mais de 90% dos demitidos no varejo no ano passado tinham até 24 anos. Em contrapartida, foram criadas 27,8 mil novas oportunidades para trabalhadores acima dos 50 anos em 2015. Esse resultado contribuiu para aumentar a fatia desse público no varejo — de 4,9% para 9,4% nos últimos 13 anos.
Para o economista da CNC, Bruno Fernandes, a tendência de contratar profissionais com 50 anos ou mais vai permanecer. “Principalmente em um cenário de crise, é comum que se consiga contratar pessoas mais experientes com um salário mais baixo”.
Além disso, ponderou, historicamente o emprego dos jovens é o mais vulnerável em momentos de recessão econômica. “Demiti-los é mais barato”, disse.
A opção por um empregado mais velho é vista com bons olhos pelo presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri. “Esse trabalhador tem mais conhecimento, mais vivência, e pode agregar muito a uma empresa. Além disso, ele sabe melhor do que o jovem que tem de zelar pelo emprego, especialmente em um período de desemprego alto como o que estamos vivendo”, disse.
Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória e do Sindicato dos Lojistas de Vitória, Cláudio Sipolatti, os jovens têm dificuldade em entender que é preciso passar por etapas dentro de uma empresa. “O que falta a eles é o entendimento de que um emprego é diferente de um projeto. Em um projeto, você sabe que vai precisar subir os degraus e não conquistará nada imediatamente. Falta aos jovens mostrar mais valor e parar de querer apenas mais um emprego”, completou.
Heloiza Camargo
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