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MERCADO CAPIXABA

Valorização de imóveis no Estado atrai até gigantes do agronegócio

Produtores rurais e empresários ligados à pecuária e à agricultura estão de olho no Estado para negócios

Última atualização

Com um olhar atento para o mercado imobiliário do Espírito Santo, gigantes do agronegócio da Região Centro-Oeste do Brasil vão investir em imóveis no Estado, por meio de um fundo criado com essa finalidade.

A expectativa é que, só este ano, eles invistam R$ 500 milhões no mercado imobiliário capixaba.

O agronegócio é a mola propulsora do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas de uma economia) brasileiro. E, esses investidores são produtores de commodities, ou seja, produtos em estado primário, matérias-primas, que correspondem a 70% das exportações no País e incluem soja, milho, algodão, cana e pecuária. 

“O empresário do agro tem tradição de investimento em terra ou imóvel. Ele aprendeu isso com o pai, o avô. Predominantemente, ele não é investidor do mercado financeiro”, explicou Aparecido Carvalho, CEO da Agroex, organizadora do fundo de investimentos.

Ele detalhou que a iniciativa foi estimulada pela criação de uma metodologia que, segundo ele, traz mais segurança para o investidor.  

“A gente tem instrumentos que dão uma visualização garantidora para quem tem interesse em investir no mercado imobiliário no Estado”, esclareceu Thiago Abreu, CEO da Imobi Group, startup (empresa emergente, com alto potencial de crescimento) de que desenvolveu essa metodologia. 

 













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Ele disse que as rodadas de negócios já começaram. Nelas, segundo ele, construtoras, outras empresas e até pessoas físicas apresentam o que têm disponível. E aí entram loteamentos, compra de estoque, unidades em construção, financiamento de obras, incorporação, entre outras opções:

“Pode ter investimento em estrutura logística, galpão, shopping, supermercado, hospitais, condomínio horizontal, vertical. Todo tipo de transação imobiliária”, disse. 

E a partir daí será feito um cruzamento de interesses entre o que se tem a oferecer e o que o investidor deseja. “Eles estão interessados em investimentos de risco baixo a moderado. Em fomentar o movimento em que o relacionamento entre o dinheiro e o negócio tem uma perpetuidade maior que a rentabilidade”, frisou.

O sócio da Monte Bravo Investimentos, braço da XP, Gustavo Farias, explicou que a empresa vai oferecer assessoria financeira para as operações, trazendo mais segurança.

Grãos do Centro-Oeste exportados pelo Espírito Santo

Está em implantação uma nova empresa de importação e exportação no Espírito Santo. O CEO da Agroex, Aparecido Carvalho, explicou que o escritório já está funcionando em Vila Velha e que estava aguardando a efetivação da privatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa, ocorrida no dia 30) para se reunir com empresários e tratar do assunto.

Por meio dela, será construído um galpão, com local a definir. A intenção é importar os insumos pelo Estado, de forma mais barata, já que juntos compram em maior quantidade, e exportar os grãos produzidos pelos investidores do Centro-Oeste do Brasil, que fazem parte do fundo Agroex Global.

Carvalho explicou que isso deve se iniciar de forma mais tímida, pois os portos no Espírito Santo precisam ser adequados para a operação de grãos. Além disso, ele disse que vai buscar o apoio de municípios, do governo do Estado, da sociedade civil para conseguir que essa mudança aconteça, ampliando as possibilidades de exportação.

Valorização no Estado cresce e atrai negócios

Vitória é a capital do País com maior valorização imobiliária residencial nos últimos 12 meses. O aumento nos preços foi de 22,45%, conforme o índice FipeZap, que acompanha a evolução de valores no Brasil o e é uma referência no mercado. 

Além disso Vila Velha também se destaca nesse aspecto, segundo Thiago Abreu, CEO da Imobi Group: “Vila Velha e Vitória estão entre as cinco cidades do Brasil com maior índice de valorização imobiliária. É um excelente negócio investir em imóveis no Estado.”

Sócio da Valor Investimentos e especialista em fundo imobiliário, Adriano Rondelli explicou que, como a taxa básica de juros da economia, a Selic, esteve em baixa, ela ajudou no crescimento do setor imobiliário, facilitando financiamentos, aumentando a demanda por imóveis e valorizando-os. 

Ele pontuou que, agora, a Selic está a 11,75% ao ano, o que faz o financiamento ficar mais caro e atrai investidores para outros produtos. Contudo destacou que, dependendo do perfil, o investidor continuará apostando em imóveis. 

Sobre o investidor do agronegócio, ele lembrou que um dos grandes desafios que enfrentam é alta do preço dos insumos. Como exemplo, citou os fertilizantes, cujos preços estão aumentando, com a guerra entre Rússia e Ucrânia. 

Fertilizante é um grande custo para produção de soja, sendo o principal produto produzido pelos fazendeiros do Centro-Oeste que vão investir no Estado. 

Douglas Vaz, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), lembrou que o Estado está despertando interesse em investimentos por diversos motivos.

Entre eles, está o incentivo fiscal para importação, regularidade fiscal, obras de infraestrutura, áreas portuárias. “A construção civil é como se fosse um pilar de desenvolvimento. Para crescer, é preciso construir”, ressaltou.

Sobre a expectativa de o mercado imobiliário receber esse investimento de R$ 500 milhões este ano, ele observou: “O Estado está preparado para isso. Vai criar emprego, gerar renda, impostos para os municípios, movimentar a cadeia de produção”, destacou.  

Os especialistas lembraram que o Estado tem vocação logística com muitas áreas interessantes para investir, em locais como os próximos ao Terminal Industrial Multimodal da Serra (Tims), no Contorno; Cariacica; e nas proximidades da rodovia Darly Santos, em Vila Velha.


SAIBA MAIS


Agronegócio

  • O agronegócio respondeu por 27,4% do Produto Interno bruto (PIB, soma de todas as riquezas) do Brasil, em 2021, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Investimentos

  • Um grupo de investidores do ramo do agronegócio do Centro-Oeste brasileiro vai investir em imóveis no Estado. Ao todo, somente este ano serão investidos R$ 500 milhões, com previsão de criação de 2.500 empregos. Esse investimento vai criar renda, impostos para municípios, movimentar a cadeia de produção e todo o mercado local.

Aposta em 10 empresas

  • A expectativa é de que os negócios sejam realizados com 10 empresas diferentes, e que cada uma delas contratem, em média, 250 pessoas. 
  • Também está sendo criada uma “trading” pela Agroex, que é a mesma empresa que organiza o fundo. Essa empresa fará importação de insumos e exportação de grãos pelo Estado.

Fundo

  • O fundo de investimentos Agroex Global foi criado especialmente para investimentos dos produtores e empresários do agronegócio no mercado imobiliário em todo o Brasil.
  • Tratam-se de produtores de soja, milho, algodão, cana, sorgo e fazendeiros do ramo da agropecuária.

Imóveis

  • Com negócios no Espírito Santo, a tendência natural é que esses investidores apostem em uma segunda casa no Estado, inicialmente. 
  • Em um segundo momento, entram investimentos em loteamentos, compra de estoque de imóveis, unidades imobiliárias em construção, financiamento de obras, incorporação, estrutura logística, galpão, shopping center, supermercado, hospitais, condomínio horizontal, vertical, entre outras opções.

Como vai ser a aplicação do capital?

  • O primeiro passo são as empresas, sejam elas construtoras, incorporadoras, companhias de outros ramos e até pessoas físicas apresentarem o que têm disponível para os investidores, mostrando os negócios imobiliários para os quais eles têm interesse em receber aporte.  
  • Depois, é feito um estudo de viabilidade comercial para saber se faz sentido investir nisso.
  • São negociados os valores que serão pagos. 
  • O contrato vai estabelecer como vai ser a entrega do ativo, como vai ser o aporte. E haverá uma instituição que pode fazer a intermediação disso, por meio de uma assessoria financeira para ambas as partes.

Tradição

  • Esses investidores do agronegócio já costumam se juntar para a compra de equipamentos e matéria-prima mais baratos, conseguindo melhores negociações ao comprar maiores quantidades. Contudo, eles estão buscando uma forma de investir dinheiro, diversificando por meio da construção civil.

Assessoria financeira

  • Esse projeto de investimentos inclui uma metodologia que envolve assessoria financeira tanto para as empresas ou pessoas físicas que vão vender seus imóveis quanto para os investidores que vão comprá-los.
  • A ideia é que as transações sejam realizadas com inteligência financeira.

Por que Espírito Santo?

  • Diversos fatores foram apontados como definidores para o investimento no Estado.
  • A startup Imobi Group criou uma metodologia para esse tipo de investimento, em que há uma instituição que vai oferecer assessoria financeira, garantindo maior segurança para a realização dos investimentos. 
  • O ambiente fiscal no Estado é considerado favorável para muitos empresários do agronegócio. 
  • Boa parte das operações financeiras desses investidores do agronegócio vão ter sede no Estado.
  • Houve sinergia entre os empresários do agronegócio do Centro-Oeste com os da construção civil capixaba, segundo a Imobi Group. Ambos têm na origem a colonização italiana. Gostam de gastronomia, vinho e serra.
  • As características sociopolíticas, geográficas e demográficas do Espírito Santo influenciaram. Além de o Estado ser um destino discreto.
  • Esses investidores resolveram “juntar o útil ao agradável”, investir no Espírito Santo e aproveitar para ter uma segunda casa aqui, conhecer o Estado e apreciá-lo.
  • Além daqueles que apreciam o mar e que podem buscar ter sua segunda casa  em Vitória, Vila Velha, Guarapari e Serra, por exemplo, também há opções para os que preferem montanha, com vinho, boa gastronomia e um clima diferenciado. 

Empregos

  • Os investimentos previstos no Estado só para este ano são da ordem de R$ 500 milhões. Com eles, a estimativa é de que sejam criados 2.500 empregos. Serão vagas para engenheiros, pedreiros, auxiliar de obras, técnico em Edificações, técnico em Segurança do Trabalho, eletricista, encanador, entre outras profissões.

Consumo

  • Com fazendeiros, tendo uma segunda casa e investindo no Espírito Santo, também haverá um aumento da demanda por diversos serviços e produtos, como alimentação, remédios, roupas, entre tantos outros.

Cidades de interesse

  • Entre as cidades de maior interesse estão: Vitória, Vila Velha, Serra, Guarapari e Linhares, além de municípios da região serrana como Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins e Santa Teresa.
  • Em Vitória, foram apontados bairros como Praia do Canto e Jardim Camburi. 
  • Já em Vila Velha, destacam-se Itaparica, Itapuã e Praia da Costa.

Desafios

  • Entres os desafios enfrentados pelo agronegócio está o preço dos insumos, com destaque para os fertilizantes, que constituem a maior parte do preço da soja.

Logística

  • Um dos grandes diferenciais do Espírito Santo é a localização geográfica, que favorece a logística, além da estrutura que já existe e da que se somará a elas, como é o caso de ferrovias e obras em rodovias.
  • E ainda há muitas áreas estratégicas perto de pontos logísticos importantes para receberem investimentos. 

Fontes: Imobi Group e Agroex.

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