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PROJEÇÃO

Venda cai e carros devem parar de ter alta de preços

Economista aposta, inclusive, que valor dos usados vai começar a cair. Revendas sentem a perda do poder de compra da população

Carros em revenda: preços dispararam durante a pandemia, mas tendência agora é, pelo menos, de estabilidade

Última atualização

Depois de um aumento de preços e de escassez que surpreendeu o mercado,  as vendas de carros no País, tanto novos quanto usados, estão em queda desde o início do ano, e os especialistas afirmam que os preços devem parar de subir.

Nos primeiros quatro meses do ano, o comércio de veículos novos teve queda de 7,30% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o diretor-executivo do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodiv-ES), José Francisco Costa.

“Justificamos isso pela queda do poder de compra da população, a inflação alta, a falta de componentes e o conflito internacional. Tivemos queda de vendas: no primeiro quadrimestre foram vendidas 19.830 unidades. No ano passado foram 21.392”, relata.

Em 2021, a falta de componentes para produzir carros novos fez com que os usados sofressem um aumento de quase 22%. Apesar disso, o mercado dá indícios de que o cenário deve mudar. Em abril, o preço dos usados teve queda de 0,47%, a primeira vez em 21 meses.

O professor de Macroeconomia da Universidade Vila Velha (UVV), Marcelo Loyola Fraga, acredita que os carros tenham atingido seu pico de valorização e uma queda deva começar a ocorrer:

“Há muito tempo não se via uma valorização desse jeito, a última vez foi na década de 1980. A oferta de carro zero também não conseguia atender à demanda naquela época. Atingido o  pico, é provável que deva começar uma queda de preços dos usados. Ela deve ser muito sutil porque ainda há dificuldades no fornecimento de peças.”

Com a queda nas vendas durante a Pandemia, as concessionárias tomaram medidas para conter os prejuízos. Entre elas, a redução na comissão de trabalhadores e a não concessão de aumento salarial. 

Como as condições foram mantidas após dois anos, os trabalhadores do segmento realizaram uma paralisação na última quarta-feira.

 Em nota, o Sincodiv-ES informou que o movimento foi realizado pelo Sindicato dos Comerciários do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES) e que a manifestação disseminou mentiras e que foi “irresponsável” e “ilegal”. 

O Sincodiv-ES afirma que  foi concedido, em acordo,  o reajuste salarial de 10,79% aos trabalhadores.  Procurado, o Sindicomerciários-ES não atendeu o contato da reportagem.

 













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Veículos de luxo estão em alta, afirma consultor

Enquanto os segmentos de carros novos e usados sofrem com oscilações de preços e demanda, o setor de veículos de luxo segue inabalável.

O segmento de luxo tem registrado crescimento significativo nas vendas. Entre os carros de valor superior a R$ 250 mil, foram vendidos 23.600 veículos. 

Isso representou uma alta de 9,8% sobre o mesmo período do ano passado, quando foram comercializados 21.500 carros.

O crescimento de quase 10% ocorre enquanto o mercado automotivo está com retração de 23,3%.

“Porshe está vendendo absurdos, por exemplo. Esse nicho de mercado está a todo vapor. O tempo de entrega para os veículos premium é de 8 a 9 meses. Quem vende está pedindo entre 10 a 20% de lucro. O mercado premium não foi afetado, está bombando. Quem vende está vendendo horrores”, afirma o consultor automobilístico Ricardo Cunha.

O mercado de  luxo representou, no 1º quadrimestre do ano passado, 3,25% de todas as vendas. Já neste ano, as vendas de carros de luxo representam 4,7% do total.

Entre os destaques está o Toyota Hilux SW4, vendido a R$ 400 mil. Neste ano, foram comercializados mais de 4.200  unidades. 

Em 2021 foram 3.800  unidades no mesmo período. A alta foi de quase 12% na demanda pelo veículo.

Utilitários esportivos na liderança do mercado

Segmento de SUVs lidera as vendas de carros no País, informam representantes do setor automobilístico. A plataforma de vendas Mercado Livre também informou que os modelos foram  campeões nas buscas por carros novos, durante o 1º trimestre. Eles representaram 56% das pesquisas.

Com o desabastecimento recorrente de veículos novos, que ainda são afetados pela falta de componentes, muitas pessoas têm migrado para o segmento de seminovos, explicou o diretor da Associação de Revendedores Independentes de Veículos (Arives) e proprietário da Rowena Veículos, Romeu Monaldi.

“No ramo de seminovos, a procura é maior por carros com até 5 anos, numa linha mais familiar, como os sedãs e os SUVs. Há também uma procura muito grande por carros para aplicativos, do tipo hatch, são carros 1.0 de linha mais popular, com um custo mais baixo”, diz.

 













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O consultor automobilístico Ricardo Cunha afirma que a escassez global de componentes para produção de veículos está fazendo com que carros de entrada fiquem difíceis de encontrar.

“Carros como o Ônix e o Gol estão difíceis de encontrar. Se a montadora tem pouco semicondutor, eles preferem produzir veículos que oferecem maior rentabilidade. Quem tem poder aquisitivo limitado está encontrando dificuldade. Isso tem aumentado a procura dos usados e feito dos novos caírem”.

“O Uno, o Ônix e o HB20 são os mais procurados. Vendem rápido”, diz Ricardo Cunha.


Saiba mais


Setor de carros usados

  • Vendas no segmento retraíram 13,5% em abril em relação a março.
  • O acumulado do ano está 21,2% abaixo do registrado em 2021, ano de recorde nas trocas de titularidade.
  • Foram comercializados mais de 3,7 milhões de veículos usados no  primeiro quadrimestre de 2022.
  • No ano passado, foram mais de 4,7 milhões no mesmo período.
  • Especialistas explicam que a queda nas vendas está relacionada a perda do poder de compra da população.
  • O preço do carro usado subiu 22%, enquanto o brasileiro  empobreceu 11%, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Falta de componentes eletrônicos

  • Desde o ano passado, diversos setores da indústria, entre eles a de eletrônicos e a automotiva, sofrem com a falta de componentes eletrônicos.
  • A escassez do insumo provocou o aumento de preços e  a redução da oferta de diversos itens no comércio.
  • A Fenauto prevê a normalização do fornecimento para o 2º semestre.

Fonte: Pesquisa AT

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