As vendas no comércio varejista capixaba tiveram aumento de 2,1% na comparação entre julho e agosto deste ano. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgada nesta quinta-feira (8). Esse índice representa a maior variação de agosto para julho desde 2000, quando teve inicio a série histórica.
Os dados da série histórica do IBGE mostram que, até então, o maior crescimento nas vendas de julho para agosto haviam sido registrados nos anos de 2007 e 2018, quando a variação foi de 1,9% nesses dois anos.
Já na comparação entre agosto de 2019 e agosto deste ano, o crescimento foi de 9,2%. Essa elevação foi liderada pela venda de móveis, onde o aumento foi de 27,4%.
Com a pandemia, muitas costureiras passaram a fabricar máscaras e isso pode ter tido reflexos para o setor que reúne tecidos, vestuário e calçados. Para as lojas desse ramo, o crescimento foi de 18,6%, comparado a agosto do ano passado.
Outro setor que registrou aumento na comparação entre anos foi o de hipermercados e supermercados, onde o aumento nas vendas foi de 13,5%.
O coordenador de Estudos Econômicos do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Antônio Ricardo Freislebem da Rocha, destacou que essa recuperação do comércio é importante, após a queda nas vendas provocada pelo fechamento das lojas por conta da pandemia.
Em abril, houve redução de 18,4% no volume de vendas. A partir de maio, com as medidas de flexibilização, que possibilitaram a reabertura de comércios não essenciais, teve início a recuperação.
“Logo depois das primeiras medidas de restrição tomadas e necessárias naquele momento em abril, o gráfico foi lá embaixo nos números e, depois, começa a ter uma recuperação. Toda essa gestão do conhecimento foi importante para que a gente liberasse as atividades com restrições quando podiam ser liberadas. Esse processo de gerenciamento da pandemia foi muito importante. Uma vez que fomos lá embaixo, o processo de recuperação vai acontecer naturalmente. Essa recuperação, que chamamos em “V” (pela forma do gráfico)”, destacou ele.
O home office e o período maior passado em casa, durante o isolamento social, também fizeram com as vendas em alguns setores disparassem.
Esse é o caso principalmente dos materiais de construção, onde o crescimento foi de 106,8% comparado com agosto de 2019. Também apresentaram altas significativas as vendas de produtos e equipamentos de informática, escritório e comunicação, com elevação de 10,6%.
“Acredito que isso é um reflexo direto da pandemia. Com mais tempo em casa, as pessoas vão fazendo aquelas reformas que eram postergadas”, analisou Rocha.
Quedas
Apesar do aumento no volume de vendas e de apresentar o maior crescimento de julho para agosto dos últimos 20 anos, nem todos os setores do comércio têm motivos para comemorar.
As vendas de livros, jornais e materiais de papelaria continuam amargando quedas mesmo após a autorização para retomada das atividades econômicas.
“Caiu 30% na comparação anual. Esse setor continua caindo não só pela pandemia, mas também pela mudança tecnológica. O público parece está dando mais atenção aos documentos digitais e livrarias fecharam em shoppings”, lembrou o coordenador de Estudos Econômicos do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
Também houve redução no setor de combustíveis, com queda de 0,8%. Alguns dos fatores são o aumento no valor desses componentes, a redução da circulação de pessoas durante a pandemia e a queda na renda das famílias.
Expectativa para o fim do ano
Para o fim do ano, a expectativa do coordenador de Estudos Econômicos do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) é de que a recuperação no comércio continue, capitaneada pelo Natal.
“A gente acredita que essa recuperação continue ao longo do ano também com a expectativa da chegada de uma vacina e da redução da taxa de transmissão. Existe um conjunto de situações que nos permite entender que essa recuperação vai acontecer ao longo do ano. Mas a gente entende que a população precisa dar sua contribuição. A pandemia não acabou. Hoje, esta em um nível de controle, que permite autorizar algumas atividades, mas não pode se descuidar”, avisa Rocha.
Brasil
O Brasil também registrou aumento nas vendas quando comparados os meses de julho e agosto deste ano. A alta de 3,4% no varejo fez as vendas do setor alcançarem o patamar mais elevado da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em janeiro de 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Acompanhando a tendência capixaba, recordes nos segmentos de móveis e material de construção foram observados, assim como em eletrodomésticos e outros artigos de uso pessoal e doméstico.
O volume vendido pelo varejo superou em 2,6% o recorde anterior, de outubro de 2014. As vendas já estão 8,2% acima do patamar de fevereiro, no pré-pandemia. O varejo ampliado, que inclui os setores de veículos e material de construção, está 2,2% acima do nível pré-pandemia, embora ainda opere 4,1% abaixo do pico alcançado em agosto de 2012.

