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INTERDIÇÕES

Viagens canceladas e falta de produtos por bloqueio em rodovias

Interdições de estradas por manifestantes, após eleições, provocam retenção de mercadorias e fazem empresas cancelarem viagens

Caminhoneiros pararam o trânsito em rodovia estadual de Guarapari usando faixa com mensagem “Fechados com Bolsonaro”

Última atualização

O bloqueio provocado por caminhoneiros bolsonaristas em rodovias federais e estaduais no Estado e no País vem trazendo prejuízos. Viagens de ônibus foram canceladas, produtores rurais já começam a ter dificuldade de receber insumos e entregar a produção e lojistas sofrem com atrasos nas entregas de produtos. 

Se o bloqueio continuar, os mais afetados serão aqueles que trabalham com produtos perecíveis como hortifrúti. Também há risco de morte de animais que são transportados vivos, sejam parados no trânsito ou por falta de ração, conforme o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Espírito Santo (Transcares), Luiz Alberto Teixeira. 

“Os centros de distribuição estão ficando dois, três dias sem receber a carga. É uma situação única e exclusivamente coordenada por caminhoneiros autônomos, as empresas não querem isso.”  

Ele destacou que verdura colhida ontem, chegando na Ceasa hoje já não está boa, pois o consumidor quer o produto fresco, e que o movimento também prejudica a chegada de medicamentos ao destino. 

“A gente tem falado bastante para parar com isso. Prejudica toda a cadeia”. Lojistas reclamam que aguardavam ontem a entrega de produtos que não chegaram. 

A Cooperativa Agropecuária Centro Serrana  informou  “que não conseguiu escoar ovos para a Bahia e reações dentro do Estado”. Além de não ter recebido  produtos  básicos que vêm de diferentes regiões do Brasil, incluindo o adubo. 

A cooperativa detalhou que as obstruções comprometeram o escoamento do café para o comércio interno  e dos produtos lácteos que estão sendo entregues apenas nas regiões mais próximas. 

Já em relação às viagens, a Ceturb informou que as  da Viação Águia Branca que passam pela BR-262 foram canceladas e outras 15  que sairiam na noite de ontem não seriam realizadas. “A Viação Pretti cancelou a viagem com destino a Pancas e a Viação Lírio dos Vales cancelou quase todas as viagens.” 

 Um caminhoneiro de Pato de Minas (MG) estava próximo do protesto bolsonarista na BR-101, na Serra ontem à noite. Ele não quis se identificar, mas disse que estava  preocupado se conseguiria ir embora. 

“Vim  carregado de alimentos enlatados para descarregar aqui no Estado. São mais de 900 quilômetros. Saí no domingo de manhã e na madrugada de domingo para segunda-feira fiquei parado por mais de três horas em um bloqueio em Venda Nova”, contou.

Prejuízo é da sociedade, diz Acaps

Um dos segmentos afetados com a obstrução de vias é o de alimentação. O superintendente da Associação de Supermercados do Estado (Acaps) Hélio Schneider disse que até o momento não há desabastecimento, mas que o risco existe, caso a situação se prolongue.

O mais importante, segundo ele, é que esse movimento está enfraquecendo. “Quem vai pagar pelas consequências desses bloqueios é a própria sociedade. Não é bom para ninguém. A realidade é essa. Se persistir, é o  tipo de movimento que não leva a nada e causa prejuízo a todo mundo. A gente não quer.” 

Schneider já teve experiência sobre o que acontece quando esse tipo de bloqueio se prolonga. “Os problemas maiores foram para produção  de hortifrúti que vem das montanhas capixabas.  O transporte de animais vivos como aves também é muito afetado”. 

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) informou que “a paralisação trouxe alguns impactos para setores que possuem grande movimentação rodoviária, como o de rochas ornamentais e o de alimentos”. 

Guarapari

Dezenas de caminhoneiros decidiram parar às margens de uma rodovia estadual que corta a cidade de Guarapari. O terreno particular, que fica em frente à Seção de Trânsito do 10º Batalhão da PM, virou estacionamento dos caminhões e carretas, e na via principal, a faixa declara o motivo da greve: “fechados com Bolsonaro 2022”.

Em Guarapari, a pista não foi bloqueada para a passagem de carros de passeio, vans, ônibus e motos. A Polícia Militar mantém viatura e policiais em frente ao local da manifestação, para garantir o direito de ir e vir da população que não está no protesto. 

Somente os caminhões estão sendo abordados e impedidos de seguir viagem, como forma de apoiar o protesto.

 
















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Bloqueios colocam em risco voos no feriado

Os bloqueios nas estradas estão impactando a malha aérea nacional. No aeroporto internacional de Guarulhos, 25 voos foram cancelados até a manhã de terça (01). O cancelamento se deve a uma manifestação na Rodovia Hélio Smidt.

A GRU Airport, concessionária do terminal, orienta os passageiros a verificarem a situação de seus voos com as companhias aéreas antes de se dirigirem para o aeroporto.

Dos 25 voos cancelados, 12 foram na segunda-feira (31) e 13 na terça (01). O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte e o Aeroporto de Brasília estão operando normalmente.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta que, caso as paralisações nas estradas continuem, o setor poderá sofrer com desabastecimento de combustíveis hoje, feriado de Finadas.

De acordo com a entidade, o transporte aéreo também pode ser impactado pela dificuldade de chegada de profissionais, tripulantes e passageiros aos aeroportos, inviabilizando a operação e prejudicando, ainda, atividades essenciais como o transporte gratuito de órgãos para transplantes e o envio de cargas.

Passageiros que estão em Guarulhos  narram o caos enfrentado após terem tido os voos cancelados em virtude dos bloqueios nas estradas feitos por bolsonaristas.

A gerente de Recursos Humanos Natália Brandão tinha uma viagem marcada para Chicago, nos Estados Unidos, às 21h30 de segunda. Ela não conseguiu embarcar porque a tripulação da companhia aérea não chegou a tempo.

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