A cesta básica em Vitória fechou o mês de dezembro como a quinta mais cara do País, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Segundo o levantamento, o valor da cesta básica em Vitória no último mês de 2020 foi de R$ 600,28. No ano, a alta acumulada foi de 20,24%. A cesta mais cara do País foi a de São Paulo, que custou R$ 631,46, enquanto a mais barata foi registrada em Aracaju: R$ 453,16.
Ainda segundo o Dieese, em 2020, os preços do conjunto de alimentos básicos, necessários para as refeições de uma pessoa adulta, aumentaram em todas as capitais.
O órgão explicou que a alta nos preços foi causada, principalmente, pela desvalorização cambial, pelo alto volume das exportações e por fatores climáticos, em decorrência de longos períodos de estiagem ou de chuvas intensas.
O preço médio da carne bovina de primeira também registrou alta em todas as capitais, devido ao intenso ritmo de exportação, principalmente para a China, à baixa disponibilidade de boi gordo no pasto e à elevação nos preços de insumos pecuários importados.
No Espírito Santo, o Dieese revelou que os vilões da cesta básica em 2020 foram o óleo (+105,96%), a batata (+89,82%) e o arroz (+76,86%). A carne bovina ficou 9,26% mais cara. O único item da cesta que registrou queda no preço foi o café, com -3,75%.
O estudo do Dieese também revelou que, considerando a cesta mais cara, o salário mínimo para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) deveria ser de R$ 5.304,90.
Para o economista Marcelo Loyola, a tendência é de que a inflação dos alimentos continue pressionada, devido às mudanças produtivas trazidas pela pandemia.
“Essas altas vão durar até que os estoques estejam regularizados. O consumo está alterado, e concentrado em alguns itens da cesta básica, e isso faz os preços subirem. A alta do dólar também influi, já que a exportação dá mais lucro, e o que vem de fora vem mais caro”.
Especialistas recomendam alternativas à poupança

É o caso da poupança, que tem rentabilidade fixa: se a Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano, os ganhos anuais serão de 70% da Selic somados à taxa referencial, que atualmente está zerada. Ou seja: seu rendimento, na prática, está abaixo da inflação, que fechou 2020 em 6,30% para as famílias que ganham entre um e 2,5 salários mínimos.
Não à toa, a poupança registrou os menores ganhos de rentabilidade desde 2010, segundo o Banco Central. O resultado de 2020 ficou em R$ 23,8 bilhões.
“As taxas de juros vão continuar em 2% e podem começar a mudar só a partir de agosto. Quem quiser um retorno maior vai precisar diversificar suas aplicações. Mesmo que não tenha um perfil mais arriscado, tem que destinar uma pequena parcela do seu patrimônio a investir em Bolsa de Valores”, disse o consultor de investimentos do Banestes, José Márcio de Barros.
“Há fundos de ações que, além da valorização, pagam bons dividendos. A Bolsa brasileira subiu 10% só em dezembro, e no ano teve alta de 3,25%”, completou o especialista

