O cantor e compositor André Cisco se viu migrando para o Rio de Janeiro com o intuito de viver novas experiências. “Fui para conhecer novos ares, amigos e dar uma variada”, conta, sobre a mudança feita em 2015.
Seis anos depois, ele retorna ao Estado por causa da pandemia. Na bagagem, traz o seu primeiro EP da carreira solo, “Cisco”. O trabalho, que tem uma pegada indie rock, será lançado no dia 9 de abril.
Composto por três músicas (“Ao acaso, ou nunca mais”, “Deixa Queimar” e “Num Piscar”), o EP nasceu após o término de um relacionamento que durou um ano e meio vivido pelo artista de 30 anos.

“A primeira faixa fala sobre os relacionamentos líquidos”, explica ele, referindo-se ao conceito criado pelo sociólogo polaco Zygmunt Bauman (1925-2017).
E continua: “A segunda fala sobre um relacionamento leve e feliz, sobre a paixão. Já a terceira trata sobre a saída de um relacionamento complicado, abusivo”.
Mesmo não estando ligadas ao passado recente do cantor e compositor, as músicas foram compostas a partir da experiência dele.
“O resumo desse meu trabalho é que as músicas são como flashes de visões de relacionamentos que vivi”, diz ele, que contou com amigos do Rio para gravar o EP.
“Chamei alguns amigos que já tocavam comigo. As gravações foram todas remotas”, destaca ele, que canta na banda Madame Beretta.
“Já estou com eles há quase quatro anos. Tocamos em quase todos os pubs do Rio e vamos lançar um EP com quatro músicas até a metade do ano”, adianta.
Um dos colegas de banda que participou das gravações foi o guitarrista Luan Mello. Também contribuíram para o projeto Pedro Zisman (guitarra), Leandro Ferreira (baixo) e Alexandre Portuga (bateria). A mixagem e masterização foi feita pelo Pedro Zisman.
Para André, a presença de tantas pessoas próximas no EP não é por acaso. Ele chega a definir o trabalho como um projeto de amigos. “Não fiz nada sozinho. Tive ajuda de um monte de gente legal”, destaca.
“Estamos num momento que todo mundo se ajuda e rola quase que um escambo de arte. E, como essa é uma produção 100% independente, o investimento foi de todo mundo que participou. Ele é de todo mundo”, reflete o cantor, que completa 31 anos de idade justamente no dia em que lançará o EP.
“Acaba que isso simboliza muita coisa. Essa idade é uma virada astrológica. E é também quando inicio minha carreira solo”, conclui.
“Eu gosto bastante de misturar ritmos brasileiros”
AT2 Morou no Rio durante muito tempo e lá montou banda e tocou bastante. E aqui no Estado? Chegou a ter bandas?
André Cisco Na adolescência, tive uma banda cover de Halloween. Tocamos muito no antigo Entre Amigos, em Itaparica, e num festival de rock em Linhares.
E, logo antes de sair do Estado, tive uma banda que tocava jazz e blues. Mas nunca nos apresentamos.
Passou por estilos variados do rock. Qual som faz hoje?
É difícil definir. Não é nada muito específico. Eu gosto bastante de misturar ritmos brasileiros. Mas a gente se intitula indie rock, porque o indie é mais abrangente. Dá para colocar outros ritmos juntos.
Toca em uma banda e decidiu fazer algo solo. Por quê?
A banda tem músicas com temas voltados para questões sociais e reflexões. Eu tinha algumas músicas, que são coisas mais voltadas para relacionamentos, falando de amor, desilusões, uma temática mais simples, e via que elas não se encaixavam mo perfil da banda.
Lançará o “Cisco” no dia em que vai completar 31 anos. Foi algo planejado ou coincidência?
Na época que a ideia do EP surgiu, eu não tinha ideia da data final para lançar. Acabou que o processo foi acontecendo e eu acabei brincando que lançaria no meu aniversário.
Tenho uma amiga astróloga e fizemos o mapa astral do trabalho. (Risos) Foi mais ou menos isso: ele vai nascer ariano, no mesmo dia que eu.
Por que Cisco?
O meu nome é Paulo André Francisco Correa. Até pouco tempo atrás, usava André Correa de nome artístico. Só que sempre que alguém ia pesquisar meu trabalho, ao invés de me acharem, encontravam outras pessoas, um deputado, não sei.
Achava um nome formal demais. E como eu gostava de Francisco, resolvi pegar um pedacinho do nome.
Disse que acabou de terminar um relacionamento. Como é estar em um relacionamento aos 30? É diferente de estar com alguém aos 20?
Muda bastante. Acredito que você tenha um pouco mais de experiências e sabedoria. E, principalmente, entenda os sinais da pessoa: quando ela realmente quer algo ou se está só curtindo uma ficada, o que também é algo normal.
A idade te dá essa sapiência, essa malícia de identificar aquela relação: se é algo volátil ou se tende a ser uma coisa mais profunda.
Escreve letras sobre relacionamentos e hoje está solteiro. Tem sido bom o momento?
Tem sido! Eu morava junto e era meio que casado. Tinha muito tempo que não me via dormindo sem ninguém ao lado. Tem sido desafiador, mas tem sido bom.
Essa nova experiência que tem vivido pode virar músicas para um próximo trabalho?
Isso tudo pode virar canção. É a forma que o artista tem para expressar o que está no coração. Estou começando a compor coisas novas, e as ideias e inspirações vêm numa frase, sentimento ou até em uma melodia que escuto. A partir dali, vou dissecando e coloco outras coisas.