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Mesmo com o currículo extenso – ator, comediante, imitador, apresentador, dublador e professor de improviso – Caio Pozes, 33, não escapou das consequências da pandemia, exatamente por estar em um setor muito afetado: o das artes.
Por conta disso, ele teve de dar seus pulos para pagar as contas. “No início foi bem difícil, minha ex-namorada me ajudou bastante, mas depois fui me adaptando. Cheguei a abrir um delivery e vender quentinha. Aí, quando começou a flexibilização e os restaurantes reabriram, comecei a tocar como DJ residente de alguns restaurantes, seguindo os protocolos da Organização Mundial da Saúde, o que me ajudou a obter uma renda para pagar minhas contas, até que os trabalhos como ator, apresentador e comediante voltassem”.
E voltaram! Hoje, ele está no elenco de “Além da Ilusão”, como o locutor da rádio Estrela, em Campos, cidade onde se passa a trama na segunda fase da novela.
O ator também participou das novelas “A Dona do Pedaço” e “Amor Sem igual”. Além disso, faz apresentações de stand up comedy em casas de show pelo País. Sua veia cômica já rendeu participações em humorísticos, como “Os Suburbanos” e “Tô de Graça”.
Durante a pandemia, criou uma série de humor chamada “Família Coronga”, que tem mais de 20 episódios. Nela, ele faz seis personagens: Lockdown, Covidson, Álcoolgeson, Ótima, Josefino e Quarentina.
“Durante a pandemia, muitos atores e atrizes ficaram sem trabalho e eu fui um deles. Tive a ideia da série para me ocupar, e fiquei feliz, pois foi muito bem recebida pela galera”.
“Ter liberdade de improvisar me deixa em zona de conforto”, diz o ator
AT2 – Como é o seu personagem na novela? Como se preparou?
Caio Pozes – O meu personagem é um locutor de rádio. Na minha primeira aparição em “Além da Ilusão”, ele narra o concurso de moda chamado “Senhoritas Galantes”. Ele acompanha ao vivo o desfile junto dos apresentadores, dos jurados e do público, porque, na época em que se passa a trama, tudo era transmitindo em tempo real para quem ouvia em casa.
Estudei bastante os locutores da época, cuidei da minha voz como já faço e fui no meu preparador de elenco Victor Ferrade dias antes da primeira gravação.
Quais os desafios de fazer uma novela ambientada nos anos 40?
O desafio é viver algo muito distante da realidade. A postura, o sotaque, tudo muda.
Você ainda é DJ, apresenta eventos… O que é mais fácil, lidar com esses trabalhos em que há o imprevisto ou seguir um roteiro, como em novela?
Confesso que todos eles não são fáceis. Requer estudo e prática. Mas acredito que atuar seja mais difícil, porque, às vezes, temos que representar algo totalmente fora da nossa realidade e com muita verdade.
Eu sempre busco seguir exatamente o roteiro do autor sem colocar cacos e trocar palavras do texto. Faço isso por respeito à obra deles. Já quando eu apresento eventos, o fato de eu poder ser eu mesmo e ter a liberdade de improvisar me deixa numa zona de conforto, pois faço isso há muitos anos.
Depois de fazer um locutor numa novela, chegou a pensar também em trabalhar em rádios?
Sempre tive vontade de trabalhar em uma rádio, mas nunca rolou, apenas já fui entrevistado. Quem sabe agora, depois desse trabalho, surja essa oportunidade?
É um artista múltiplo. O que ainda não fez que pretende fazer?
Sim, todo ator ou atriz tem que ter essa qualidade de ser versátil. Eu já atuei num curta metragem de ação, mas tenho vontade de trabalhar em um longa ou série nesse estilo, talvez um romance policial. Algo do tipo. Adoraria.
Já tem novos projetos em vista?
Além da novela, surgiu a oportunidade de atuar numa série da Globoplay também. Mas não posso falar ainda por questões contratuais. E estou montando meu show solo de stand up para ficar em cartaz este ano.
O QUE ELE DIZ
Não é só internet
“Acho muito legal, hoje, as pessoas terem a internet como um dos principais veículos pra mostrar seu trabalho. Mas acredito que, para ser um bom ator ou atriz, não se resume apenas a isso e aos números de visualizações nos vídeos. Tem que estudar teatro também e saber improvisar com plateia presencial”.
Vibrações
“Quando toco, busco sentir a vibe das pessoas para encaixar a música certa no momento certo, deixando a pista sempre dançante e com um ótimo astral. E também faço isso no improviso, mesmo que eu já saia de casa com um set em mente”.
Celebrante
“Por eu trabalhar como locutor, me indicaram para ser celebrante de um casamento, mas eles eram americanos, e eu precisava celebrar em inglês, e meu inglês é intermediário. Aí, pedi ajuda de amigos. Teve um até que recusou ajudar e disse para eu recusar o trabalho por conta do nível do meu inglês. Mas eu estudei, me desafiei e peguei o trabalho. Deu tudo certo, os noivos choraram e tudo. Foi no Cristo Redentor. E agora, em junho deste ano, farei mais um casamento. Inclusive, agora estou fazendo um curso de celebrante com um dos melhores do Brasil para trabalhar mais nessa área também”.
Humor
“Já realizei alguns trabalhos bem legais como humorista e não quero fugir nunca desse seguimento. Sou bem talentoso quando o assunto é imitar. Imito mais de 10 pessoas famosas e exploro muito isso nos meus shows de stand-up além de contar piadas. Todos comediantes mais conhecidos são muito generosos com os novos humoristas, dando espaço para eles se apresentarem, abrindo shows deles ou fazendo open mic (apresentação curta de, no máximo, 5 minutos). Foi assim que eu comecei e, com certeza, também continuarei ajudando os que estão por vir”.
Vaidade
“Eu sempre pratiquei esportes e malhei, jogo futebol, futevolei, surf, ping-pong, altinha. Tenho um metabolismo acelerado. Nunca malhei pra ficar forte, mas pra manter o corpo bem e saudável. Ultimamente tenho feito dieta”.