
A professora que tem transformado as vidas dessas mulheres tem 31 anos e é a atriz Mariana Galindo. “Na verdade, não foi nada programado, aconteceu e, quando eu vi, já estava completamente apaixonada”, contou ela ao AT2 sobre o projeto SEXagenárias.
“No ano passado, minha mãe comemorou 60 anos e eu ficava brincando que ela estava ficando ‘sex’, ‘sexagenária’. A brincadeira se transformou em tema do seu aniversário e resolvemos fazer uma apresentação surpresa com suas amigas na festa”, disse ela, que criou uma coreografia para a data especial.
“Ensaiamos pouco mais de um mês e pude perceber, em tão pouco tempo, a mudança delas, o quanto se descobriram, se soltaram, se valorizaram”, continuou.
“O aniversário passou, foi divertidíssimo, as outras convidadas da festa amaram nossa coreografia e quiseram dançar também. E, assim, sem planejar muito, começamos a primeira turma das SEXagenárias. Desde então, nos encontramos todas as segundas e quartas e algumas sextas quando nos empolgamos!”, ressalta a atriz, que já foi Elke Maravilha no musical “Chacrinha”.
E quem tem menos de 60 pode participar da iniciativa? “Qualquer mulher que queira participar da aula é bem-vinda, não precisa necessariamente ter mais de 60 anos, mas é importante ressaltar que o foco são as SEXs”, diz Mariana.

“Mas a internet me permite ampliar este trabalho, levar a arte a mais pessoas e trazer alegria e autoconhecimento a mais mulheres”, pontuou ela, pronta para colocar a mulherada para dançar!
“Pretexto para ousarem e se amarem mais”, Mariana Galindo, atriz
AT2: Como são as aulas do grupo SEXagenárias?
Mariana Galindo: Divido a aula em cinco momentos: o primeiro é o aquecimento, o momento de concentração, de entrar em contato com o corpo; o segundo é com exercícios de liberação dos sentimentos através da dança, o terceiro é a “balada”, o momento de suar e dividir a dança com as amigas através de coreografias bem animadas.
O último é com alongamento e relaxamento. Ah sim, o quinto momento, que não abro mão, o cafezinho. Não podemos terminar a aula e sair correndo, sempre merecemos um cafezinho e uma boa conversa.
AT2: Qual o retorno que tem das suas alunas?
Mariana Galindo: Nós conversamos muito e elas relatam a transformação em suas vidas, não apenas pelas aulas em si, mas pelo contato com as outras. Sinto que as aulas são um pretexto para se interessarem pelo diferente. Um pretexto para ousarem e se amarem mais.

Mariana Galindo: Aos 17 anos, comecei a trabalhar numa companhia que apresentava números de teatro musical em eventos corporativos e logo fui convidada para fazer o espetáculo “Garota Glamour”, de Wolf Maya. Desde então, emendei um musical no outro, conheci muitas pessoas, realizei muitos sonhos e ainda quero realizar outros.
O que eu mais amo no teatro musical é a possibilidade de transformar qualquer sentimento ou situação em algo belo, acessando o sentimento do público e transmitindo mensagens densas de maneira lúdica.
Expressamos todos os sentimentos através de música, cena e dança. Isto faz com que o público acesse suas próprias emoções com leveza e saia do espetáculo transformado de alguma forma.
AT2: Quais dicas dá para quem quer trabalhar no meio?
Mariana Galindo: O principal é amar o ofício. O trabalho é enorme, é uma vida de entrega. O artista de teatro musical, além das 7 sessões semanais de apresentação, tem que fazer aula de dança, de canto, de teatro, além de fazer fortalecimento muscular permanente para evitar lesões. Brinco que nós somos atletas e monges, afinal quem faz teatro musical tem que ter uma vida regradíssima para dar conta da rotina.
AT2: Como cuida da saúde para ter fôlego nos palcos?
Mariana Galindo: Eu faço Pilates, aulas de dança e de canto toda semana. Além disso, procuro me alimentar corretamente e tomar vitaminas para fortalecer a imunidade.
O QUE ELA DIZ
Musicais
A produção de um espetáculo de teatro musical tem um custo muito elevado e, infelizmente, tivemos uma queda grande nas produções do gênero devido a mudanças nas leis de incentivo culturais do Brasil. Comecei a fazer teatro musical em 2006, quando o musical estava em pleno crescimento.
Peguei um momento ótimo, primeiro com muitas produções vindas da Broadway, em seguida muitas produções nacionais de grande qualidade. Assim, o público foi conhecendo, se apropriando e se apaixonando pelo gênero. Só, em 2018, o teatro musical movimentou, somados os impactos diretos e indiretos, aproximadamente 1 bilhão de reais em São Paulo. Isso também me orgulha e me inspira a continuar.
Elke Maravilha
Depois de dar vida à Elke Maravilha no musical “Chacrinha” e trabalhar ao lado de Claudia Raia, Mariana falou sobre os seus sonhos no meio musical.
“Na verdade, meu sonho é um objetivo que estou começando a realizar. Estou produzindo meu primeiro projeto, não apenas como atriz, mas como produtora, e isso é um passo importante para a minha vida artística. Poder comunicar o que eu quero da maneira que eu acredito sempre foi meu sonho e agora, como produtora, estou podendo realizá-lo. Ainda não posso falar muito sobre meu primeiro projeto, mas tem um formato lúdico e tem a inclusão e a valorização dos indivíduos como premissas”.

“As SEXagenárias deram um novo propósito à minha vida. As aulas começaram num momento em que eu estava questionando muito o meu trabalho, qual seu benefício real para as pessoas e elas vieram simbolizar e confirmar o que eu acredito sobre a arte. Com elas, eu pude ver concretamente o quanto a arte motiva e empodera os seres humanos, o quanto o trabalho artístico é amplo e rico, e assim encontrar e seguir o propósito do meu trabalho e da minha vida. Sou muito grata a todas, elas me transformam muito mais do que eu a elas”.