Emendando um trabalho noutro, Regina Casé não reparou na distância. Fazia quase 25 anos que não atuava no teatro, sua arte de formação.
“Estranhei demais isso, porque para mim foi ontem. Quando alguém me perguntava o que eu sou, eu dizia que sou atriz. Eu sempre me achei uma atriz e uma atriz de teatro, que estava circunstancialmente a serviço de outras ideias”, conta ela, que nos últimos anos dedicou-se a apresentar programas como o Esquenta, na TV Globo.
Mas de uns tempos para cá, diz, ressentia-se de não atuar. Com o sucesso de “Que Horas Ela Volta?” (2015), filme de Anna Muylaert protagonizado por Casé, achou que retorno viria naturalmente. “Mas não aconteceu. Eu vi que que eu precisava ter uma intencionalidade.”
A intenção veio meio ao acaso, numa conversa com o marido, Estevão Ciavatta, que nunca tinha visto Casé em cena. “Sou casada com ele há 23 anos e parei o teatro pouco antes disso. Eu digo que eu fiz essa peça só pra ele me ver no palco”, brinca.
A conversa despojada resultou num espetáculo não menos despretensioso. “Recital da Onça” foi um projeto feito para algumas sessões na Bahia, onde o casal costuma passar os verões, mas acabou ganhando sobrevida. Após estrear no início do ano em Salvador, participa nesta semana o Festival de Teatro de Curitiba e no próximo mês seguirá uma temporada no Rio de Janeiro.
