
“Todas as experiências que você vive como médico são transformadoras. É uma arte e precisa dedicação e cuidado. Falando em arte, acho que sou um ator melhor por ser médico, como me sinto um médico melhor por ser ator”, garante o galã, que iniciou sua carreira artística ainda na infância e se profissionalizou na atuação quando estava no curso de Medicina.
E, ao que parece, essa “vida dupla” de Jeronimo parece ser coisa rara. “Não tenho contato com ninguém que trabalhe com as duas coisas. Sei de alguns atores que já foram médicos, mas que agora não trabalham mais com medicina. O contrário também”, ressalta ele. E, aos risos, completa: “Tem que ser bem louco para ter duas profissões tão exigentes ao mesmo tempo”.
Brincadeiras à parte, não é que ele teve a oportunidade de unir seus dois lados em “Segredos Médicos”! Na série do GloboPlay, Jeronimo interpreta… um médico!
Segundo ele, foi um papel mais tranquilo, principalmente por não ter precisado fazer uma pesquisa de personagem para a série.
“No entanto, não era eu. Era um personagem, com outra especialidade e outras questões pessoais. A parte da mesma profissão ajudou, mas a construção do tipo de pessoa que ele seria teve o mesmo processo de qualquer outro personagem”, ponderou.
Agora, o ator tem focado nos seus trabalhos futuros. Seu maior desejo é voltar ao teatro: “Infelizmente, não sei quando isso será possível. Já estamos no início das leituras de uma peça, além de outro projeto no teatro. Espero que saia do papel no próximo ano”.
“Na TV, estou curtindo muito a repercussão do Edu e logo logo estarei por aí de novo, quem sabe com um mocinho, não é?”, diz, aos risos, o ator.
“Trazer um bebê ao mundo é uma explosão de sentimentos”
Quando descobriu que tinha veia artística?
Jeronimo Martins Desde sempre, na verdade. (Risos) Faço teatro desde os 6 anos de idade. Com uns 10 anos, fiz meu primeiro espetáculo mais elaborado. A partir daquele momento, não consegui mais largar os palcos. Praticamente dependência física. (Risos)
Você também é médico. Como consegue conciliar as duas profissões?
É algo complicado, mas funciona. Originalmente, fui primeiro ator e depois médico. Sempre fiz as duas coisas paralelamente. Primeiro com a faculdade, depois com a especialização. Atualmente, trabalho como ginecologista e obstetra.
Como é ver seu trabalho na TV e trazer um bebê ao mundo?
O reconhecimento na TV, acho que é fruto de todos os anos que estudei para isso. Quanto ao ato em si de interpretar, é o momento onde estou mais entregue e verdadeiro. Trazer um bebê ao mundo é difícil descrever. É uma explosão de sentimentos: tensão, amor, ansiedade, responsabilidade, felicidade, poder e impotência ao mesmo tempo.
Atualmente, você vive o vilão Edu. Já tinha feito algum outro malvado?
Já sim. Na TV, o Giba, de “Haja Coração”, um vilãozinho meio fracassado, pois só se dava mal. (Risos) No teatro, fiz vários vilões. À medida que fui amadurecendo, fui fazendo malvados. No início, só fazia os bonzinhos.
O que faz para manter a saúde e o bem-estar?
A corrida, com certeza, é o que ajuda a me manter física e mentalmente bem.
Na pandemia, você se reinventou?
Passei por muitas fases. No início, quando ainda achávamos que seriam só alguns dias, como estava muito cansado, descansei.
Ao longo do tempo, fiquei ansioso, inclusive com essa pressão de ter de se reinventar, ter de fazer algo, ter de produzir, quando a vontade que eu tinha era só de lamentar pela situação que o mundo, principalmente o Brasil, estava passando.
Como o Jeronimo sairá disso tudo?
Valorizando cada vez mais o presente e as escolhas que faço, tanto na vida profissional quanto na pessoal. Buscando ser alguém melhor, e melhor para as pessoas hoje.
O QUE ELE DIZ
Futuro do vilão
Ao que parece, as vilanias de Dominique, personagem de Guilhermina Guinle, e do comparsa Edu vão ganhar força em “Salve-se Quem Puder”.
“O que eu posso dizer é que, nessa segunda fase, a vilania dos dois ficará bem mais evidente. Mais forte do que o relacionamento ‘amoroso’ deles. Eles não vão concordar sempre, mas vão fazer muita, mas muita coisa ruim!”, adianta Jeronimo Martins.
Ídolo na TV
Todo ator tem o seu ídolo na profissão. Com Jeronimo, não poderia ser diferente. Porém, para ele, existe um nome que reúne todas as qualidades de um artista que ele admira.
“Poderia citar vários, mas o Tony Ramos, para mim, é o somatório de tudo o que há de melhor num ator. Se um dia conseguir ser um décimo do que ele é, já vou me sentir o melhor ator do mundo”, salienta.
Sonho de viver Chico
Se pudesse viver na televisão uma história biográfica, Jeronimo não iria titubear em apontar o nome da personalidade que gostaria de interpretar: “Chico Buarque. Suas músicas e peças são carregadas de muita emoção e inteligência. A forma como ele consegue se colocar no lugar do outro para escrever suas poesias é invejável. Seria uma honra poder interpretá-lo e tentar me colocar no lugar dele, para entender ainda mais sua história”.
Rotina agitada
As rotinas de ator e médico podem ser desgastantes. E Jeronimo dá uma amostra do que ocorre quando é preciso conciliar as profissões. “É uma loucura conseguir organizar os horários. Moro em São Paulo e já tive momentos em que atendi no consultório de manhã, fui para o Rio de Janeiro à tarde, gravei lá até a noite e voltei de ônibus de madrugada, pois não tinha avião e iria atender às 7h30 no consultório. Mas sinto muito prazer e realização no que faço, então compensa tudo”, diz.