O capixaba Rafael Peruchi e o carioca Rafael Coelho, o Fredy, possuem muito mais em comum do que o primeiro nome e a idade – ambos têm 27 anos. Amigos de infância, eles compartilham duas paixões: a música e a medicina.
No entanto, os jovens se dedicaram quase que exclusivamente ao combate à Covid-19 nos últimos meses. “Sem dúvida, é o maior desafio de nossas vidas”, afirma Fredy, em entrevista ao AT2.
Agora, com a redução de casos na capital carioca, onde moram, eles podem voltar a dar mais atenção à carreira artística.
Juntos, formam há um ano e meio a dupla de pop Rafa e Fredy, que acaba de lançar o single “Sempre o Silêncio”. Segundo levantamento da empresa ConnectMix, a canção está em 5º lugar nas rádios do interior do Rio.
“Desejamos que a música funcione como terapia. Acho que a melodia calma vai trazer a paz e o alívio que este momento tanto pede. Esperamos salvar vidas não só nos hospitais”, afirma o carioca.
Uma curiosidade sobre a dupla é que Rafa, apesar de ser capixaba, viveu no Estado por menos de uma semana. “Meu tio era diretor de um hospital em João Neiva e minha mãe queria que o parto fosse feito pela equipe dele. Gosto de dizer que nasci no Espírito Santo”, conta.
“Essa nova rotina é extremamente maluca”
AT2 O que uniu vocês?
Rafa Nós nos conhecemos com 9 anos e, desde então, somos amigos. A paixão pela música já era uma coisa individual e, quando vimos que tínhamos isso em comum, passamos a fazer música juntos.
Ambos se chamam Rafael. De onde surgiu o Fredy?
Rafa É um apelido de infância. Eram vários “Rafael” na nossa turma e um amigo começou a dar apelido para todos. Por acaso, o do Fredy é Fredy até hoje, e ele sempre foi conhecido assim.
Fizeram Medicina por uma influência dos pais?
Fredy Como sou muito próximo do Rafa, tive uma influência muito grande dos pais dele, que são médicos. Meus pais não são, não tinha pressão. Foi natural.
Os pais de vocês sempre apoiaram a carreira artística?
Fredy Sempre! Claro que tiveram aquele receio pela dificuldade desse mercado, mas eles viam nosso potencial e o quanto a gente acreditava no que fazia. Também nunca deixamos de mostrar a paixão pela medicina, deixando-os, digamos assim, mais calmos.
Minha mãe fala que a veia artística vem do meu bisavô, que era músico. Na família do Rafa, o pai dele ama música e foi um dos nossos grandes incentivadores.
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Atuam na linha de frente do combate ao coronavírus. Como tem sido a rotina de vocês?
Fredy É o maior desafio de nossas vidas. Eu, por exemplo, atuava nos plantões de emergência e CTI. Foi bem natural caminhar para as grandes frentes de combate ao coronavírus. Essa nova rotina é extremamente maluca, doida! A gente bota o pijama cirúrgico, se protege, tira o pijama. Às vezes, para um pouco para respirar sem a máscara no banheiro, volta, bota a máscara. É chato, mas é nossa segurança, nosso dever.
Música acaba sendo uma terapia para vocês?
Fredy A música é a maior terapia, mas acho que não só para gente. Todo mundo que gosta de música sabe o potencial terapêutico de uma boa canção. A música te traz daquele universo, às vezes, triste e te bota em um universo de paz, para rir, empolgar, emocionar. Tem tanta coisa que a música é capaz de fazer! Trazer sensações boas! É arte, é catarse. Esperamos que nosso som gere esse mix de emoções.
Este momento tem servido para provar o poder da arte?
Fredy A vida precisa de música, não só de prescrições e comprimidos diários. Temos de viver com a música sendo um dos grandes pilares da nossa saúde mental. E este momento prova o poder da arte. Quando o mundo está em crise, a arte vem com esse alívio, como válvula de escape. Várias obras maravilhosas surgiram ao longo das crises do mundo.
Por enquanto, misturam a rotina exaustiva de plantões no hospital com a produção em estúdio. Como será depois?
Rafa A gente tenta, ao máximo, adaptar a nossa vida com a música e a medicina, mas chega uma hora que não dá. Por exemplo, veio a pandemia e a gente teve que pausar totalmente o lado da música.
A ideia agora é que a gente continue lançando canções. Mas é claro que a gente é médico para sempre. Acontecendo qualquer coisa do tipo, precisando, vamos estar sempre à disposição.
O que a medicina e a música têm em comum?
Rafa É o que você desperta nas pessoas. Acho muito bacana quando a gente faz uma música que mexe com alguém ou transforma aquela música numa fase da vida da pessoa. A medicina tem esse lado também, de você estar presente na vida das pessoas como um médico de confiança, alguém que, às vezes, por alguma situação ruim, acabou fazendo a diferença na vida dela, tratando algum quadro específico.
Qual é a maior lição que vocês tiram da pandemia?
Rafa É de valorizar as pequenas coisas do dia a dia, porque, às vezes, vem uma doença como essa, tão triste, e a gente não tem mais tempo de estar com aquela pessoa ou de dizer algo para ela.
