Ficar rico com o rap é o que almeja o capixaba VK MAC. Cria do bairro Santo Antônio, em Vitória, Victor Oliveira tem 21 anos e não vê o dia em que seu bolso vai estar cheio da grana.
“Só não penso em ficar rico quando eu tô fazendo algo em prol disso”, diz o rapper capixaba, que não mede esforços para alcançar seus objetivos.
A pouca idade, porém, não é obstáculo: o artista tem apostado suas fichas nas rimas e batidas. A esperança é mudar não só a sua realidade, mas também daqueles que o acompanham nessa missão.

E qual o maior desafio de lançar nessa periodicidade? “Soltar uma música por mês é o fluxo que a gente já trabalha”, minimiza. “Sufoco é lançar uma faixa por semana, como na época do single ‘Praga da Vez’, quando lançamos 12 músicas”, continua VK, que aproveita para se referir aos parceiros que moram com ele.
O rapper e os amigos vivem nas proximidades do Parque Moscoso, no Centro. É lá que todos trabalham e produzem os sons que têm chamado a atenção do público, dentro e fora do Estado. “Moro em Vitória por opção. Já recebi diversas propostas de fora e recusei, porque o meu sonho é explodir vivendo aqui, em Vitória. Vou trabalhar para ser esse cara em que as pessoas vão se inspirar”.
Mas para que isso aconteça, como diz ele, é preciso muito trabalho. Parte dessa caminhada já está sendo feita. VK pretende, assim que cumprir a promessa de lançar todos os singles neste ano, soltar o seu segundo álbum da carreira.
E o sucessor de “Spacedrif”, lançado em janeiro do ano passado, já tem nome: “Red”. “O conceito vai ser todo baseado no vermelho. Vermelho é a cor do meu cabelo. É a cor que gosto desde criança. Tem tudo a ver comigo”, brinca, sobre a escolha do nome.
Enquanto o jogo não vira para o cantor, ele continua sonhando na sua escalada rumo ao sucesso. Ao seu ver, o cume está próximo. “Se eu olhar para dois anos atrás, eu nunca iria imaginar que tivesse o que tenho hoje. Moro sozinho, faço meu trampo, tenho fama… Graças a Deus, tudo está indo muito bem. Mas isso ainda é muito pouco diante do que a gente quer”.
“Vim de um lugar onde muitos não têm nada”
AT2 Atualmente, é um dos principais nomes do rap no Estado. Qual foi sua caminhada para chegar até aqui?
VK MAC Comecei a escrever em 2013, quando tinha 13 anos. Já tinha familiaridade com música. pois meus tios cantavam sertanejo e meu avô tocava e escrevia.
Eu e um amigo começamos a escrever umas músicas. A gente gostava de fazer reggae e uns bagulhos meio MPB. No ano de 2014, eu conheci o Noventa MC na escola.
Eu já escutava rap na época, mas foi com ele que aprendi o que era o estilo. Fizemos uma viagem com a escola e ele tentou me explicar como funcionava. Foi quando comecei a rimar e migrei para o rap. E, quando comecei a fazer freestyle, aconteceu naturalmente.
O que te chamou atenção no rap?
O rap tem uma parada forte na expressão. Eu era adolescente e quis falar sobre outras coisas e explorar outros estilos musicais. Eu me sentia meio limitado.
O que nos ajudou foi que o reggae tem essa fita que o rap tem: fazer críticas sociais.
Qual mensagem tenta passar nas letras que escreve?
A partir do beat que eu escolher, eu decido a letra. É uma decisão meio que subconsciente. Ela acontece sobre o que entendo do instrumental. Só que eu gosto muito de trazer uma ideia de superação nas músicas.
O que uma batida precisa ter para inspirar uma letra?
Ele precisa ser do jeito que eu estou me sentindo no momento. Se eu tiver num dia feliz, eu preciso que ele me faça feliz. Se eu tiver num dia bolado, preciso que ele me lembre disso. É daí que vem a inspiração.
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Por que o trap faz tanto sucesso?
O trap conseguiu furar uma bolha que o rap não furou. Virou uma música pop. Não é o que era antes: papo reto, agressividade. Acho que, muito por isso, a rapaziada está se jogando mais no estilo.
Fala muito de dinheiro nas letras. Por quê?
É a lei da atração. Se quero algo, eu falo sobre. Da mesma forma que eu não tenho, alguém não tem também. A pessoa quer ouvir isso para sentir como se ela tivesse.
Por isso fala sobre superação nas suas músicas?
Nunca tive nada, mano. Comecei meu corre sem grana. O meu empresário sou eu mesmo. Tenho meus dois produtores que são meus amigos e meu beatmaker também. Tudo o que a gente tem hoje foi a gente que correu atrás e conseguiu.
Acredita que é uma referência para as pessoas do bairro onde nasceu?
Sim. A galera abraça muito meu trampo. É um dos bagulhos que me deixa mais feliz na vida: ser reconhecido no meu bairro. Eles se orgulham do fato de eu ser de lá. Muita gente de lá é pobre. E eu fui uma pessoa que passei muitas coisas. As pessoas podem acreditar e dizer que é possível vencer.
Qual será a primeira coisa que fará quando ficar rico?
Vou colocar meus projetos em prática. Um deles é fundar uma gravadora em Vitória. Também vou encher o bolso dos meus amigos de dinheiro. Vim de um lugar onde muitos não têm nada. Eu estou conquistando as coisas, e muita gente que conheço não tem nada.