Não se engane com o hábito! Sim, ela é uma freira. Mas Irmã Selma não tem nada de boazinha. Está bem longe disso. Ela é mal-humorada, vingativa e está bem atenta: em seu caderninho, anota os nomes de todos que não riem de suas piadas. Para quê? Para rezar por eles.
E, acredite, ninguém quer isso. “Irmã Agnes está tetraplégica”, avisa sobre a colega que não achou graça de suas histórias no espetáculo “Irmã Selma”, que chega sábado a Vitória. “Ela tem tudo o que uma freira não poderia ter: é mal-humorada, não faz questão de ser simpática, tem uma índole má. Tudo isso poderia dar muito errado. Mas deu certo”, comemora Octávio Mendes, criador da religiosa insana.
No espetáculo de humor, além da freira vingativa, estão outros personagens do ator paulista, um dos fundadores do grupo “Terça Insana”: a apresentadora sensacionalista Mônica Goldstein; Walmir, um ex-gay; a atriz e cantora Maria Botânica e Xanaína, uma prostituta que quer ser artista. “Eu adoro rir. Quando começa o espetáculo, é uma energia tão maravilhosa! Estamos precisando disso”, defende.
Nesta quarta-feira (03), o Jornal A Tribuna publicará um cupom de desconto de 50% no ingresso de Inteira e um nesta quinta-feira (04). Cada cupom é limitado a um ingresso por CPF e são válidos até o dia da peça (06).
“Quando você ri, nunca mais esquece”
AT2 – Irmã Selma é icônica. Como foi criada essa religiosa dos infernos?
Octávio Mendes – Olha, eu vi uma entrevista do Steven Spielberg e perguntaram como ele conseguia despertar tanta emoção. E ele disse que, em um filme ou em um espetáculo, o mais importante é a curva emocional que o espectador vai sentir. Ele mapeava isso, as sensações que ele queria causar. E, depois, escrevia a história. Pensei, vou fazer isso.
Então, a Irmã Selma foi escrita ao contrário. E ela tem tudo o que uma freira não poderia ter: é mal-humorada, não faz questão daquelas pessoas ali, não faz questão de ser simpática, tem índole má. Tudo isso poderia dar muito errado.
Mas deu certo. Por quê?
Olha, eu não me considero uma pessoa má. Eu tenho buscado sempre melhorar na minha vida. Mas tem horas que a gente fica com raiva e fala coisas que a gente não pensa. Alguém te dá uma fechada no trânsito e você xinga, pensa um pouco de mal para aquela pessoa, sabe? Dois metros depois, você nem lembra mais. E não é que você realmente queira que algo de mau aconteça com a pessoa. Mas você pensou . A Irmã Selma deseja mesmo coisas ruins. E elas acontecem! E ela fica feliz! (Risos) Acho que o sucesso dela é esse. Ela leva tudo isso ao extremo e de forma assumida. Fica muito engraçado.
É um humor leve, delicado…
Eu nunca tive problema com o público. Não chego a provocar ninguém, é tudo muito fino. O máximo que acontece na peça são algumas brincadeiras. Nada que poderia ofender alguém. Jamais! Eu, particularmente, me sinto mal quando vejo colegas humilhando alguém da plateia.
No teatro, sempre há histórias divertidas…
É uma delícia. Você sabe que a Irmã Selma fuma, né? Eu nem fumo, mas achei que ficaria bom na personagem. Até perguntei para freiras se fumar era pecado e elas me disseram que não. Que não era saudável, mas também não era pecado. Então, botei.
Mas, teve um dia, que não tinha cigarro no teatro. Eu já estava maquiado, com cílios postiços, todo pronto. E fui para a Paulista, para comprar o cigarro. Andei várias quadras, comprei, voltei para o teatro e ninguém me olhou! Você acredita? Eu voltei para o teatro indignado! Me dá um trabalho do cão fazer tudo isso e ninguém se importa! (Risos)
Você é muito divertido!
Graças a Deus, eu nasci com um ótimo senso de humor, dentro de uma família em que boa parte tem péssimo senso de humor. Eu estou com a mamãe com Alzheimer, é muito duro. Mas tenho bom humor. É comum as pessoas falarem: “Fui ver tia Sophia, 92 anos, lúcida, que maravilha!”. Quando eu escuto isso, fico apavorado! Eu não fui lúcido aos 20, nem aos 40 e não sou lúcido aos 60. Se eu estiver lúcido aos 90, tem algo errado! (Risos)
Aos 90? A essa altura do campeonato?
(Risos) Pois é. Aí é que não quero ser lúcido mesmo! Ai, eu adoro rir. Quando você ri, nunca mais esquece aquele momento. O choro, a gente esquece. Rir fica com a gente para sempre. Não é? Outro dia desses, ia ser aniversário de 85 anos da mamãe. E eu perguntei se ela queria chamar as amigas para comemorar. Quando a lembrei que ela ia fazer 85 anos, ela me corrigiu: “Eu não! Eu vou fazer 65”. E eu: “Mas mamãe, como que a senhora poderia ter 65 anos? Eu tenho 60!”. E ela: “Problema é seu”. Demos boas risadas depois disso. Não é melhor a gente rir?