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ESPECIAL SAÚDE

O papel do psiquiatra

Transtornos mentais atingem 86% da população brasileira e profissionais da área revelam quando é hora de buscar ajuda

Paciente durante consulta com profissional da área

Última atualização

 













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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) dão conta de que o Brasil é o País com o maior número de pessoas com ansiedade no mundo e pesquisas apontam que cerca de 86% dos brasileiros possuem algum tipo de transtorno mental. Com números tão alarmantes, por que a consulta ao psiquiatra ainda é tão estigmatizada na sociedade?

Para a  psiquiatra  Letícia Mameri, é importante destacar que é preciso desconstruir aquela imagem erroneamente atribuída à psiquiatria durante muitos anos. 

“A psiquiatria não trata pessoas loucas, nem devemos usar esses termos pejorativos. Todos nós, em algum momento da vida, podemos precisar recorrer a um psiquiatra para tratar de disfunções mentais. Ninguém está imune a desenvolver ansiedade ou depressão, por exemplo, principalmente na sociedade caótica em que vivemos”. 

Outro ponto fundamental é esclarecer que o psiquiatra é médico. É necessário se graduar e depois se titular na área. 

“O trabalho do psiquiatra é centrado em aliviar o sofrimento e garantir o bem-estar mental do paciente. O psiquiatra, quando necessário, solicita exames e receita medicamentos. A partir daí, acompanha o paciente e avalia a evolução dele, faz os ajustes quando é o caso e trabalha para  dar a alta. É um equívoco achar que o psiquiatra quer manter o paciente sob sua tutela para sempre”,  afirmou a psiquiatra Regina Shimada.

E quando deve-se procurar ajuda médica? Para o psiquiatra  Vitor Maia, um dos sinais de alerta é a mudança de comportamento. 

“Quando a pessoa começa a se sentir triste, desmotivada, sem energia e perde o prazer em fazer atividades que antes gostava é hora de procurar um psiquiatra”, orienta o profissional.

Há outros comportamentos que merecem atenção. “A insônia é um grande indicativo de transtornos mentais. Ansiedade excessiva e preocupações que perduram pela noite atrapalham o sono e, se frequentes, podem atingir o desempenho da pessoa em suas atividades diárias. O profissional deve ser consultado nesses casos”, afirmou o psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo,  Valdir Campos.

 







Dia do Psiquiatra
No dia 13 de agosto é comemorado o Dia do Psiquiatra no Brasil. A data foi criada em 2016, em razão da comemoração de 50 anos da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Além de simbolizar o cinquentenário da ABP, o 13 de agosto busca desmistificar a atuação dos psiquiatras, de forma a conscientizar que estes são os profissionais adequados para prevenir, controlar, diagnosticar e tratar os transtornos mentais.






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Doenças após pandemia

Depois de passadas as ondas mais letais da pandemia da covid-19, profissionais de saúde agora começam a tratar as sequelas deixadas pela doença, que atingiram aqueles que foram direta ou indiretamente acometidos pelo SARS-CoV-2. 

“Ansiedade, medo, estresse, quadros depressivos, insônia, disfunções cognitivas, como déficit de atenção e de concentração, angústia e tristeza são cada vez mais relatados nos consultórios e fora deles”, afirmou o psiquiatra José Luis Leal de Oliveira. 

E já existem pesquisas que demonstram como o novo coronavírus, por ter predileção para se alojar no sistema nervoso central, tornou as sequelas nesta área bastante recorrentes.

Segundo  o psiquiatra  Valdir Campos, estudos mostram que as sequelas psiquiátricas são significativas, principalmente em relação aos quadros de ansiedade e depressão. 

“Os estudos mostram elevação de depressão em cerca de 25% dos pacientes com mais de 10 anos. Já a ansiedade foi registrada em 20% dos participantes. Esses efeitos foram observados em até três meses após a infecção”.

o que ele diz

 













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cuide da saúde mental

  • Tenha  tempo para o autocuidado.
  • Pratique o autoconhecimento (meditação, escrever em um diário, conectar-se à sua espiritualidade).
  • Evite o sedentarismo.
  • Evite produtos ultraprocessados. 
  • Invista em alimentos in natura, ricos em fibras e vitaminas. 
  • Desembrulhe menos e descasque mais, e beba  água.
  • Evite o abuso de álcool e outras drogas psicoativas.
  • Tenha uma rotina de higiene do sono, desligue celulares e outras telas, mantenha o quarto em uma temperatura agradável e escuro.
  • Tenha contato com a natureza.
  • Tire um tempo para se desligar de notícias e fontes de estresse.
  • Dedique  parte do seu tempo para a família, amigos e pessoas queridas.
  • Faça terapia. Busque um psiquiatra quando sentir alguma mudança em seu comportamento.
  • Fonte: Especialistas entrevistados.

Serotonina e depressão

O deste ano no periódico Molecular Psychiatry, a partir de uma revisão sistemática realizada por cientistas da University College London, sugere que a depressão não está, necessariamente, ligada à queda da serotonina, neurotransmissor popularmente conhecido como “hormônio da felicidade”. 

Segundo a revisão, a depressão seria causada por um desequilíbrio não só da serotonina, mas também da dopamina e da norepinefrina. Essas substâncias atuam como uma espécie de “mensageiros” entre dois ou mais neurônios. Dessa forma, para tratar a depressão seria necessário equilibrar esses neurotransmissores.

“A teoria da ‘exclusividade’ da serotonina como causa da depressão já é discutida por psiquiatras e pesquisadores da área há muito tempo, mas ainda não é possível determinar exatamente qual é o mecanismo fisiológico que causa o transtorno”, explicou o psiquiatra e vice-presidente da Apes, Antonio José Nunes de Faria. 

Além disso, fatores de risco biológicos, psicológicos e sociais podem causar ou agravar uma depressão, como passar por uma perda importante, ter influência genética, passar por crises econômicas, traumas de infância, entre outros.


O que eles dizem

 













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