“Me cobro bastante, a cada dia, cada treinamento, cada jogo. A cobrança do jogador tem que ser interna mesmo, se quer ser um grande jogador. Eu procuro fazer isso, para me manter sempre bem e motivado a sempre querer mais”. Pedro Rocha, atacante do Grêmio.
Decisivo, líder de assistências, ídolo das crianças e terceiro maior artilheiro da história do Grêmio em Copas do Brasil, com nove gols. Criado no bairro Inhanguetá, em Vitória, o atacante Pedro Rocha, de 22 anos, será homenageado pelo restaurante Ovo Gastronomia, de Porto Alegre (RS).

O estabelecimento lança hoje à noite o prato “moqueca capixaba PR32”, em referência às iniciais do nome do jogador e à camisa que ele veste no Grêmio.
“Achei muito legal a ideia quando o Júnior (Maroso), dono do restaurante, veio me falar. Gostei bastante e resolvemos fazer a moqueca, que é o prato típico de Vitória. Acredito que os gaúchos vão gostar e curtir bastante”, disse o atacante.

Pedro Rocha vai servir o prato para alguns convidados, mas admite que leva mais jeito em campo.
“Garçom só dentro de campo mesmo, fora deve ser mais complicado (risos)”, brincou o jogador.

O evento, que será beneficente a uma instituição gaúcha de portadores de necessidades especiais, terá a presença de dois chefs capixabas, que ensinaram a receita da tradicional moqueca capixaba ao dono do restaurante.
“A gente fica feliz, conheço o Pedro Rocha desde moleque. Era meu vizinho em Cidade Continental, na Serra”, disse João Luiz Araújo, de 56 anos, chef de cozinha.
Ele e Carlos Henrique Andrade, de 46 anos, trabalharam com Rosineide da Rocha, mãe do jogador.
“Vamos levar a receita tradicional, mas vamos surpreender com urucum, mostrando matéria-prima. É muito emocionante tudo isso. Pedro é uma pessoa do bem, lutando para ser alguém honestamente. Eles, os pais do Pedro e ele, são muito família. Pela simplicidade, continuam com os pés no chão. As pessoas reconhecem o Jessé nas ruas, mas eles nunca perderam suas origens da humildade”, afirmou Carlão, como é conhecido.
Antes do jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, quando Pedro Rocha marcou dois gols na vitória por 3 a 2 na Arena da Baixada, em Curitiba (PR), a moqueca entrou em cena.
“Fizemos uma prévia da moqueca antes dele ir para o Paraná. Os amigos gaúchos até disseram que a velocidade dele naquele jogo foi resultado da moqueca (risos)”, brincou Carlão Andrade.
A dupla de chefs foi para Porto Alegre no fim de julho e se surpreendeu com a idolatria ao capixaba.
“Fomos ao supermercado (dia 29 de julho) e quando uma pessoa o reconheceu, vários se aproximaram e tiraram fotos, vi meninos chorando. Isso é uma realização da família dele. Ele deu uma virada da desconfiança para a realidade. Para ele, é um amadurecimento. Só falta a convocação, temos expectativa. Seria um grande feito da carreira dele”, contou João Luiz Araújo.
João Luiz trabalha na área de gastronomia desde 1985. Se formou em 2014.
“Estou nessa há muito tempo. Tive que me adaptar, fazendo o curso. Nasci em Aracruz, já gostava de cozinha e fiz um curso básico. Já trabalhei em restaurante de shopping”.
A mãe do atacante trabalhou em um restaurante de um hotel de Vitória entre 2011 e 2015.
“Comecei lavando chão e saí como segunda cozinheira. (Os chefs) São amigos fiéis. Tive que pegar dinheiro emprestado com eles quando Pedro jogava em São Paulo”, revelou Rosineide da Rocha.
Discreta e longe das câmeras, dona Rosineide esbanja humildade e emoção ao falar do filho.
“Passamos muita dificuldade, mas com nossa humildade, chegamos até aqui. A gente sempre almejava isso para ele. Sempre vimos o potencial que ele tinha. Toda família está feliz. Ele não é um menino que ostenta nada, não é fominha, mantém a humildade e pés no chão. Só agradeço a Deus pelo que ele fez na nossa vida, todos os dias. Peço apenas proteção, para que ele fique longe de lesões”, disse a mãe do jogador.
Sem pressa para vestir amarelinha

A Tribuna – Tem torcedor com tatuagem da sua marca (PR32), músicas sobre você e crianças gritando o seu nome. O que acha da fase que está vivendo?
Pedro Rocha – Fico feliz. Todo jogador sonha com esse reconhecimento do torcedor e também viver uma grande fase. Espero dar continuidade no meu trabalho e alegrar ainda mais aqueles que torcem por mim.
Você é o terceiro maior artilheiro da história do Grêmio em Copas do Brasil, com nove gols, atrás de Gilson (10) e Paulo Nunes (15). Imaginava essa marca aos 22 anos?
Não, nem imaginava chegar tão rápido a uma marca assim, histórica. Não me preocupo muito com isso, mas fico feliz em poder fazer história.
Qual é a sensação de ter um prato típico do Espírito Santo com sua marca? O evento é beneficente…
Muito legal a ideia. Quando o Júnior, dono do restaurante veio me falar, gostei bastante e resolvemos fazer a “moqueca capixaba PR32”, que é o prato típico de Vitória. Acredito que os gaúchos vão gostar e curtir bastante. Eu e minha família sempre fomos de ajudar quem precisa. Nada mais justo do que essa ação.
Como líder de assistências do Grêmio na temporada (11 passes para gol), vai pagar de garçom no lançamento do prato?
Garçom só dentro de campo mesmo (risos). Fora deve ser mais complicado.
Como fica a ansiedade por uma convocação de Tite na Seleção Brasileira?
Estou tranquilo sobre a Seleção. Vou continuar trabalhando como sempre fiz e, na hora certa, irei realizar mais esse sonho.
Vocês vão enfrentar o Cruzeiro na semifinal da Copa do Brasil. Vai matar a saudade do Mineirão com gols?
Espero que sim, né!? Me sinto bem jogando lá, a final ano passado (dois gols no jogo de ida diante do Atlético/MG no estádio) é uma prova disso. Mas será um grande jogo, sem dúvidas.
Reportagem de Acácio Rodrigues

