De uma escolinha de futebol em Nova Venécia para o Campeonato Inglês. Aos 20 anos, o capixaba Richarlison é o queridinho na terra da rainha. Com cinco gols marcados em 21 partidas na competição, com a camisa do Watford, o atacante se tornou figurinha carimbada das seleções de cada rodada e é cobiçado por gigantes europeus, como Chelsea/ING e Ajax/HOL.

“Todo esse interesse em torno do meu nome é fruto de um trabalho bem feito e que vem dando resultado, não apenas meu, mas de todo o clube, que vem surpreendendo (Watford é o 10º colocado no Campeonato Inglês). Estou muito feliz com tudo isso, mas tenho a cabeça tranquila”, afirmou Richarlison.
Apesar do interesse de clubes tradicionais da Europa, Richarlison mantém os pés no chão a respeito de especulações sobre o seu futuro.

“Tudo isso depende do Watford e do meu empresário. Eles decidem se vão me negociar ou não. É claro que se pintar alguma coisa interessante para todas as partes, a gente vai sentar e conversar, mas estou focado no meu trabalho aqui e nada disso me tira a concentração do que eu preciso fazer dentro de campo”, frisou.
Após a saída do Real Noroeste, clube com chancela de formador pela CBF, ainda no sub-20, em 2015, Richarlison chegou ao América/MG e, com nove gols marcados na Segundona do Brasileiro daquele ano, foi fundamental no acesso do time mineiro.
Negociado com o Fluminense por R$ 10 milhões, conquistou a Primeira Liga, em 2016, e a Taça Guanabara do ano passado. Com a camisa do tricolor, Richarlison disputou 67 jogos e fez 19 gols.

Em agosto de 2017, o Flu negociou Richarlison com o Watford por cerca de R$ 46 milhões.
Cada transação dá direito ao Real Noroeste de receber uma fatia do valor. Transferências nacionais e internacionais têm diferença de porcentagem, mas o clube de Águia Branca pode faturar até o fim da carreira de Richarlison.
RICHARLISON
Idade: 20 anos
Clube: Watford/ING
Posição: atacante
Onde nasceu: Nova Venécia
Times onde jogou: Real Noroeste, América/MG e Fluminense, com passagens pelas seleções de base
Títulos: Primeira Liga (2016) e Taça Guanabara (2017)

Aprendizado com a bola e o idioma
A TRIBUNA – O que aprendeu até agora no futebol inglês?
RICHARLISON – O futebol aqui é muito diferente do que a gente joga no Brasil. Se ficar pensando muito com a bola, logo vem alguém e come seu tornozelo com feijão (risos). A intensidade é muito alta durante os 90 minutos.
E o idioma? Já se enrolou alguma vez?
Faço aulas de inglês três vezes por semana. Já dá para entender bem o que eles falam, pelo menos o básico. Alguns companheiros também falam espanhol, então isso facilitou bastante para que eu me adaptasse bem, já que fizeram de tudo para que eu me sentisse em casa desde o início. O técnico é português (Marco Silva), então já me facilita muito. Quando preciso ouvir bronca, ouço no meu idioma mesmo (risos).

Conversou com os craques do campeonato?
Depois dos jogos é sempre muito corrido, mas conversei um pouco com o Gabriel Jesus (Manchester City) e o Firmino (Liverpool) também. O Willian e o David Luiz (ambos do Chelsea) também, já fui na casa deles e são caras bem legais. Fora eles, é muito diferente ver em campo uns caras que até outro dia eu estava jogando no videogame.
Qual foi o zagueiro “mais chato”?
Difícil escolher um. Tem uns caras muito bons, outros que batem muito também. Acho que os que mais complicaram para mim, até agora, foram os caras do Manchester United. Difícil passar, mas ainda criei algumas chances (risos).

O que gosta mais de comer na Inglaterra? Já se acostumou com a culinária local?
Eu sou muito de arroz e feijão (risos). O clube até me ajudou muito com isso, já que se preocupou com que eu não sentisse tanto a adaptação com a alimentação. Eles mandaram trazer arroz e feijão do Brasil para mim. Em casa também é só comida brasileira. De vez em quando até saio pra comer alguma coisa diferente, mas prefiro não ficar arriscando muito (risos).
Reportagem de Acácio Rodrigues, publicada na edição desta quarta-feira (03) em A Tribuna