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Capixabas Esquiva e Yamaguchi ficam perto de lutar pelo título mundial

Yamaguchi e Esquiva Falcão estão unidos muito além do laço familiar e do esporte que praticam. Os irmãos pugilistas, medalhistas na Olimpíada de ...

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Yamaguchi sonha em conquistar o cinturão mundial em 2019 (Foto: Arquivo pessoal)Yamaguchi e Esquiva Falcão estão unidos muito além do laço familiar e do esporte que praticam. Os irmãos pugilistas, medalhistas na Olimpíada de Londres/2012, partilham há algum tempo do mesmo sonho: chegar ao topo do mundo.

Mesmo lutando na mesma categoria, a dos pesos-médios (72,5kg), ambos sonham em conquistar o cinturão mundial em 2019, cada um por uma organização diferente. E, assim, fazer a família reinar absoluta no cenário mundial.

Caçula entre os dois, Esquiva, 29 anos, é quem parece mais próximo de disputar o cinturão. Após vencer o francês Salim Larbi, em março, e o mexicano Jonathan Tavira, em julho, ambos por nocaute, ele teve a promessa de que lutaria pelo título da Associação Mundial de Boxe (WBA ) contra o japonês Ryota Murata com mais uma vitória.

Esquiva fez a sua parte e venceu o argentino Guido Nicolas Pitto, em outubro. Murata se negou a dar a revanche da final olímpica, mas nem precisou: foi derrotado pelo americano Rob Brant, que pode ter o lutador capixaba como primeiro desafiante em fevereiro.

Esquiva é quem parece mais próximo de disputar o cinturão (Foto: Kadidja Fernandes/ AT/ 30/11/2018)

“Robert também assinou com a Top Rank (que promove as lutas de Esquiva) e isso facilita mais agora (a disputa pelo cinturão). Posso dizer que é de 90% a chance de lutar contra ele em fevereiro”, comentou o pugilista, que tem 22 vitórias (15 por nocaute).

Yamaguchi, um ano mais velho, flertou com a disputa do cinturão mundial da Organização Mundial de Boxe (WBO). Enquanto a luta entre Gennady Golovkin e Saul “Canelo” Álvarez não acontecia, por punição ao mexicano, ele negociou para disputar o título.

Mas o “Triplo G” não aceitou encarar o brasileiro e foi mais um a perder seu cinturão. Agora, o primogênito da família Falcão mira Canelo, que acaba de se tornar supercampeão da categoria.

“Eu acreditava, sim, que o Canelo poderia ganhar e aconteceu. Ele agora está sob os meus olhares. É um cara contra quem eu quero muito lutar. Tenho certeza que 2019 é o ano que Yamaguchi vai pegar o cinturão mundial”, avisou.

Confronto em família, nem pensar

Lutar na mesma categoria do boxe profissional faz Yamaguchi e Esquiva Falcão conviverem com uma pergunta recorrente: com o desejo comum de conquistar o cinturão mundial, existe alguma chance de uma luta em família dentro do ringue?

Apesar de estarem no mesmo peso, eles garantem que não deixariam isso acontecer. E o foco de cada um em diferentes organizações afasta a possibilidade.

Esquiva deseja lutar pelo título da Associação Mundial de Boxe (WBA), que tem como atual campeão o americano Rob Brant. No caso de Yamaguchi, o foco principal é a Organização Mundial de Boxe (WBO), que está sob o domínio do mexicano Saúl “Canelo” Álvarez.

“Por nós sermos irmãos, acho que isso não tem preço. Não poderíamos nos colocar em cima do ringue. Temos tão poucos atletas brasileiros aqui fora que colocar um contra o outro vai estragar”, comentou Yamaguchi, lembrando que não é vontade da família:

“Não é a minha vontade. Acredito que também não é a dele. E tenho certeza que nossos pais não iam gostar nada disso”, completou.

O encontro entre os irmãos também não aconteceu nos Jogos Olímpicos de Londres. Yamaguchi subiu de categoria (meio-pesado), o que abriu vaga para Esquiva também representar o Brasil.

O resto da história, todo mundo conhece: os filhos de Touro Moreno voltaram para casa com duas medalhas, a prata de Esquiva e o bronze de Yamaguchi. Uma trajetória que o medalhista de prata espera repetir no boxe profissional.

“Eu não gostaria disso e sei que ele também não. É muito melhor cada um seguir crescendo e, quem sabe, vamos ter dois campeões em casa”, frisou Esquiva.

Esquiva Falcão posa, nas férias no Estado, ao lado da mulher, Suelen, e dos filhos Juan e Luiza (Foto: Kadidja Fernandes/ AT/ 30/11/2018)Esquiva soma forças em casa

“Acredito que esse título vem este ano sim. É um sonho meu e eu quero realizar. Estão segurando a fera, mas vai chegar um momento que não vai mais ter como segurar”.

Esquiva Falcão esbanja confiança de que 2019 será o ano dele. E os resultados dão razão ao capixaba. Em 2018, foram três lutas e três vitórias, duas delas por nocaute, um mais rápido que o outro — a 50 segundos do fim do primeiro round contra Salim Larbi, em março, e com pouco mais de um minuto do início da luta contra Jonathan Tavira, em julho.

O cartel profissional do capixaba registra 22 lutas. E são 22 vitórias, 16 delas nocauteando os adversários em cima do ringue.

“Eu estou fazendo a minha parte. Estão colocando adversários para eu lutar, e eu estou lutando, estou ganhando, mostrando que estou pronto. Vão colocar mais adversários e vou ganhar mais, porque estou preparado, treinando para ser campeão do mundo”, avisou.

Com a possibilidade real de um confronto contra o dono do cinturão mundial da Associação Mundial de Boxe (WBA), Rob Brant, em fevereiro, Esquiva entrou de férias no final do ano passado mas sem deixar o trabalho de lado.

Perto da família, no Espírito Santo, o lutador aproveita o tempo com a mulher, Suelen, e os filhos Juan e Luiza, além de estar próximo do pai, Touro Moreno, da mãe, Maria Olinda, e de toda família.

Ao mesmo tempo, o boxeador segue a rotina de treinos, em casa e em uma academia de lutas em Vila Velha. Caso a luta seja confirmada, Esquiva garante que estará pronto para dar o bote e chegar ao topo na categoria dos pesos-médios.

“Quando eu venho aqui, parece que a minha bateria recarrega. A família é a coisa mais importante. Mas eu sigo treinando, em casa, na academia, para me manter nesse ambiente de luta”.

E, bem perto do topo, Esquiva Falcão garante que o melhor ainda está por vir. Feliz com a evolução conquistada após se profissionalizar, ele diz que pretende mostrar no próximo ano o seu melhor em cima do ringue.

“Vou falar que ainda não estou no meu 100%. Falta enfrentar adversários mais bem ranqueados. Acredito que 2019 vai ser o ano perfeito para mim. O ano de conquistar o cinturão e chegar entre os tops”.

Juliana e Yamaguchi: 1º filho (Foto: Acervo pessoal)Filho vira motivação extra

Yamaguchi Falcão não tem do que reclamar do ano de 2018. Em cima dos ringues, somou mais duas vitórias no cartel — em março, sobre Richard Gutierrez, e em julho, contra Elias Espadas — e renovou o contrato com a Golden Boy Promotion, equipe que cuida da carreira do pugilista.

E o capixaba já tem motivo de sobra para agradecer por 2019, que apenas começou. Um motivo de nome Robert.

O mais velho dos irmãos Falcão e a mulher, Juliana, estão esperando o primeiro filho do casal. Uma motivação extra para Yamaguchi lutar ainda mais para realizar o sonho de ser campeão mundial.

Enquanto aguarda a definição de seu próximo adversário — segundo ele, uma grande luta pode acontecer em fevereiro ou março —, o pugilista já começa a curtir ao máximo a experiência de ser papai.

“Estou muito contente, muito feliz. Esse menino já vai chegar trazendo alegrias para nós. Já está trazendo. Sou um pai bobão, todo dia beijando a barriga da mamãe, conversando com ele. Foi um presentão de Deus”, derrete-se.

Yamaguchi e a mulher abriram mão de vir ao Brasil para as festas de final de ano e seguiram na Flórida, nos EUA. Tudo para o medalhista olímpico seguir treinando de olho nos próximos desafios.

“Estou muito feliz com a minha carreira. Acredito que fui um dos atletas a enfrentar adversários mais experientes, que estão hoje no auge. Isso tudo me deixou bem maduro”.

Dupla pede atenção à modalidade

As medalhas de prata e bronze conquistadas, respectivamente, por Esquiva e Yamaguchi Falcão na Olimpíada de Londres/2012 já eram suficientes para colocá-los em um patamar histórico no boxe brasileiro.

Foram as primeiras medalhas olímpicas do País depois do bronze de Servílio de Oliveira nos Jogos de 1968, na Cidade do México.

Hoje, os irmãos tentam alcançar os feitos também históricos de Eder Jofre e Acelino “Popó” Freitas, campeões mundiais. Mas, ao lado de todo esse cenário, lamentam o momento vivido pela modalidade no País.

“O Brasil tem lutadores de alto nível, mas que não têm apoio, alguém que possa levantar a carreira deles. E faltam competições. Eu mesmo sou um cara que fiquei no Brasil quase três anos e não tive apoio nenhum”, lembra Yamaguchi.

Além dos irmãos Falcão, o campeão olímpico Robson Conceição em 2016 também migrou para o profissional e segue invicto, em 10 lutas.

Para Esquiva, falta também aos brasileiros comprarem a ideia do esporte para mais talentos se destacarem na modalidade.

“A minha equipe, a Top Rank, tem medo de fazer uma competição no Brasil e não dar público. Eles ainda não confiam na torcida brasileira e isso prejudica os atletas”, afirmou.

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