
A segunda parte da série especial multimídia, com o tema “Ciência em alta no futebol”, aborda a preparação física como um auxílio na rotina dos clubes. No Estado, os principais times têm se preocupado com a questão, aproveitando o que o âmbito científico pode proporcionar.
Clique aqui e leia a primeira parte da série especial multimídia “Ciência em alta no futebol”
É o caso de Hélder Souza, preparador físico e fisiologista do Rio Branco. Formado em Educação Física, ele corrobora com o princípio de que a ciência leva às conquistas dentro das quatro linhas.
“Não existe prescrição sem avaliação. Pode ter falta de tempo, de recurso, disponibilidade do profissional no clube. Minha função hoje é de preparador físico e fisiologista. Então, essa é minha função, tentar decifrar o que os números estão falando em termos de carga de trabalho, para saber se podemos seguir esse caminho, para amanhã apertar um pouquinho”, explicou.

Hélder Souza reconhece que ainda não há valorização na sua área, mas, aos poucos, vai encontrando o devido espaço.
“É um trabalhão para você interpretar aceitar que o cara caiu de câimbra e a culpa não é do preparador físico. É tanta coisa envolvida para se interpretar. Não adianta controlar, se o atleta não dormir ou comer bem. Precisamos que isso seja uma rotina”, completou.
E a ciência deveria ser uma realidade para todos. “Interpretar o que a ciência está tentando demonstrar. Gosto de uma frase que diz: ‘a ciência está aí para facilitar o esporte, não para complicar’. Nessa brincadeira toda, falamos sobre termografia, CK, avaliação isocinética, e citamos apenas três meios que podem facilitar todo nosso controle. Mas, a importância deles interagirem é grande”, acrescentou Hélder Souza.
No vídeo a seguir, Hélder Souza fala sobre a importância do sono e da alimentação. Na época, trabalhava no Doze Futebol Clube.
O jogador sem condições de jogo não rende. É um fato que pessoas como Hélder Souza precisam evitar.
“O atleta parado não é rentável. O que eu busco fazer é ser sincero, me apresentar como aliado ao desempenho, não só um preparador físico. Minha graça é ver eles voando. Verbalizo muito com eles sobre a importância de precavê-los. É quase zero minha dificuldade de poupar um atleta. Em 2015 um atleta quis chorar para não ser vetado. Ele ganhava por produtividade. Ele ficou puto comigo em um dia, mas depois pediu desculpas. Você precisa ser humanitário também”.
Confira aqui uma entrevista especial com o capixaba Dailson Paulúcio, fisiologista do Botafogo
Preparador físico da Integral Médica, Gustavo Barquilha revela o que pode prevenir lesões no trabalho que pessoas de sua área desenvolvem.
“É o treinamento de força, associado com treinamento de potência, velocidade, enfim. Quanto mais preparado estiver o meu atleta, fisicamente falando, menor é a chance dele ter lesões. O treinamento de força melhora a saúde articular de um atleta, o treinamento de transferência que é o complexo de força e potência, também diminui lesões, manutenção de massa magra também é um ponto que previne lesões”, disse Barquilha.
Ele esclarece a importância da massa magra e reforça o que é fundamental na preparação física para prevenir lesões.
“Quanto mais massa magra você perde, mais chances de você ter lesões, até porque ela protege tendões e articulações, enfim. Mas, basicamente, o treinamento de força, e o monitoramento do treinamento para que o atleta não tenha um overtraining (excesso de treinamento), é o que mais utilizo para prevenção de lesões”, finalizou.
Reportagem de Acácio Rodrigues