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Eles são craques, mas preferem a várzea: Golaços e festa nas arquibancadas

Final do Campeonato Estadual Interligas, no bairro Aribiri, em Vila Velha. Foto: Rodrigo Gavini/AT Várzea, uma palavra que no dicionário apresenta ...

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Final do Campeonato Estadual Interligas, no bairro Aribiri, em Vila Velha. Foto: Rodrigo Gavini/AT

Várzea, uma palavra que no dicionário apresenta vários significados, mas apropriando-a ao esporte, é um “campo de futebol rústico e aberto dos subúrbios de uma cidade”. Nela, não faltam craques e nem golaços.

Os gritos nas arquibancadas, com papéis picados e cânticos que duram os 90 minutos, mostram a força dessa massa.

https://youtu.be/FHaTd49YrKE

No Campeonato Estadual Interligas, disputado por representantes de ligas municipais, o campeão deste ano foi o time da Associação Atlética Bairro Garoto, de Vila Velha. E os reis deram as caras.

Julio Cogo, o craque do Bairro Garoto. Foto: Thiago Coutinho/AT

O camisa 10 do time, Júlio Cogo, 35 anos, marcou um golaço no jogo de ida das finais diante do União de Piranema, equipe do município de Cariacica.

Ele já atuou profissionalmente. “Fiz a categoria de base na Desportiva, depois joguei de 2000 a 2002 pelo profissional, depois Vilavelhense, Vitória, Rio Branco, Serra, e em 2006 e 2007 estive de volta à Desportiva, onde fui campeão (da Segundinha Capixaba). Por último, no CTE Colatina. Encerrei a carreira aos 29 anos”, contou.

O primeiro jogo das finais do Interligas terminou em 2 a 1 para o União de Piranema. Na decisão, 3 a 2 para o Bairro Garoto e decisão por pênaltis, com 4 a 1 para o Bairro Garoto. Júlio Cogo, por sinal, marcou um golaço na primeira partida.

VEJA COMO FOI O GOL:

Júlio Cogo (Bairro Garoto) percebeu o goleiro Douglas (do União de Piranema) adiantado. Foto: Thiago Coutinho/AT

 

O camisa 10 do Bairro Garoto acertou o ângulo. Foto: Thiago Coutinho/AT

 

Na comemoração, o estilo de Cristiano Ronaldo: “Eu estou aqui”. Foto: Thiago Coutinho/AT

Outro camisa 10 da várzea

Pelo rival da decisão do Interligas, outro camisa 10 também fez um golaço, que deu a vitória ao União de Piranema no primeiro jogo das finais — 2 a 1 foi o placar, 3 a 2 foi a volta para Bairro Garoto, com 4 a 1 nos pênaltis.

Gabriel, camisa 10 do União de Piranema. Foto: Thiago Coutinho

“Joguei profissionalmente pelo (antigo) CTE Colatina, em 2000. Fiquei dois anos, tinha 18. A gente busca sempre pelo nosso sonho, mas, infelizmente, não deu. Deus quis assim e agradeço a ele sempre”, lembra Gabriel, 28 anos.

https://youtu.be/Or88SlB2Kaw

Ambos concordam: vale mais a pena jogar o campeonato amador.
“Hoje sou dono de uma loja de material de construção em Cariacica. Na época, o futebol capixaba estava com salários atrasados. E a família não tem como esperar isso”, disse Júlio Cogo.

“Não consegui jogar profissionalmente, isso aqui vale a pena”, afirmou o almoxarife Gabriel.

Bifão ainda sonha em jogar profissionalmente, mas é um dos reis da várzea no Estado. Foto: Thiago Coutinho/AT

Lateral com estilo driblador

Outro jogador que mostrou habilidade no Interligas foi o lateral-direito Bifão, do Bairro Garoto. Diferente dos camisas 10 citados nesta reportagem, ele nunca jogou profissionalmente. “Se tiver alguém me querendo, estou aí (risos)”, brincou.

“Jogo na várzea desde os 18 anos, agora estou com 25. Eu nem queria mais jogar bola. Sempre joguei como lateral”, explicou.

Juliano dos Santos recebeu o apelido de Bifão ainda criança, por um primo que queria caçoar. Em campo, ele mostrou fartura de dribles, arrancadas e até um festival de lençóis.

“Isso é só meu recurso, não tem jeito não. Tento parar e fazer uma graça. Também tenho muita explosão, se não usar isso aí, não tem jeito”, garantiu.

Torcedores encaram chuva e “cumprem o decreto”

Foguetes, rojões, torcidas organizadas, guarda-chuvas como mosaico, churrasco, cerveja, vizinhos do estádio assistindo ao jogo da varanda… Essas são algumas situações que explicam bem o que é um jogo da várzea.

A primeira partida das finais do Interligas aconteceu no estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica. Mas a decisão fez com que os torcedores “cumprissem o decreto”.

O título do Bairro Garoto foi conquistado no famoso campo do Santos de Aribiri, em Vila Velha.

“Com tempo chuvoso igual a esse, a torcida vir fazer a festa dos dois lados é emocionante. Todos os jogadores dos times se conhecem, somos amigos fora de campo. Dentro de campo cada um defende sua camisa”, disse o goleiro do Bairro Garoto, Waguinho, 38 anos.

O goleiro do time vencedor é um experiente no Interligas. Na decisão deste ano, pegou três penalidades e garantiu mais uma taça na prateleira.

https://youtu.be/T3R8mRYaCh8

“Tenho cinco finais de Interligas e dois títulos. Tivemos um jogador a menos boa parte do jogo e foi para os pênaltis. Papai do céu me iluminou e fui feliz por pegar três pênaltis. Experiência também conta, né? Futebol é com a bola no pé e comigo nas mãos (risos)”, afirmou o arqueiro.

Diego Alves? Que nada! “Em 2014 peguei três pênaltis também, mas não consegui o título pelo Barrense (da Barra do Jucu, Vila Velha)”, completou.

CAMPEONATO ESTADUAL INTERLIGAS

Bairro Garoto comemorando o título. Foto: Rodrigo Gavini/AT

Participação

Os participantes do Campeonato Estadual Interligas sempre são indicados pela liga que cada time está representado. É opcional que a liga escolha campeão e vice de seu torneio ou duas equipes que considere preparadas para disputar a competição

As ligas

Atualmente, oito municípios tem ligas amadoras em atividade: São Mateus, Linhares, Aracruz, Serra, Vila Velha, Cariacica, Guarapari e Presidente Kennedy

Os times

Divididos em duas chaves, disputaram a competição deste ano: Comercial Galo Velho, Cruz de Ouro, Guarapari, Ajax, Barrense, Campinho, Kennedense, Parma, Bairro Garoto e União de Piranema

Premiação

As equipes campeã e vice recebem um troféu e 35 medalhas cada

Quem pode jogar

Somente atletas amadores podem disputar a competição. Isso quer dizer que se um jogador que tenha vínculo com algum clube profissional quiser jogar o Campeonato Estadual Interligas, precisa se desvincular e ficar livre. Cada equipe pode inscrever até 30 atletas. São permitidas até cinco substituições por partida.

Reportagem de Acácio Rodrigues, publicada na edição desta segunda-feira (31) em A Tribuna

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