Nascido em um barraco de madeira na favela Santo Antônio, na cidade de Guarujá (SP), Adriano de Souza segurou uma prancha de surfe pela primeira vez aos 8 anos e não largou mais. Campeão mundial em 2015, o surfista de 31 anos viveu cercado pelo crime ainda criança, mas encontrou no esporte uma saída pelo tubo.
Na tarde de quinta-feira (22), Mineirinho esteve em uma loja de pranchas no bairro Jardim Camburi, em Vitória, onde distribuiu autógrafos.
Lá, ganhou um quadro pintado a óleo sobre tela pelo artista capixaba Vinícius de Menezes Lima. E não poupou elogios aos surfistas do Estado que disputam a divisão de acesso à elite da Liga Mundial de Surfe (WSL).
“Rafael Teixeira e Krystian Kymerson estão despontando. Sempre representaram bem o Espírito Santo e venceram campeonatos expressivos, além de etapas do QS (divisão de acesso). Se você despontar no QS, tem grandes chances. Eles têm potencial de ser tornarem atletas da elite”, afirmou.

Cara, acho que é um grande aprendizado. Hoje, vivo em um mundo, mas iniciei em outro mundo. Então, eu tive uma base familiar muito forte, meu irmão (Ângelo) é militar e a disciplina sempre teve presente na minha casa, com os horários e a rotina, com a vida longe do mundo surreal. Sempre fui educado dessa forma. Quando iniciei no esporte, desde meus 8 anos, eu já queria tentar transmitir meus ensinamentos de casa para o esporte, que é chegar cedo, treinar um pouco mais que todo mundo, se dedicar, criar uma rotina dentro de um ambiente que não era tão visto como é atualmente o esporte profissional. Quando iniciei aos 8 anos, o esporte ainda estava caminhando para o segmento que é hoje. Ganhei muito prestígio, conceito, pois iniciei lá atrás e até hoje tenho frutos disso.

A vida de todo atleta é muito dolorosa. Você se prepara, se esforça, faz os treinamentos, faz aquela rotina… É como todo trabalho, né? Você acorda cedo, quer fazer seu melhor sempre. Quando você chega no meio do processo e tem que desistir, não seguir adiante, se torna um pouco frustrante. Além disso, vendo um amigo se tornar o primeiro brasileiro campeão mundial, isso para mim foi além de uma grande decepção pela lesão, mas uma grande motivação mental, porque eu também queria aquele objetivo. Graças a Deus consegui iniciar 2015 com força total e os resultados foram bons à beça. Fui bem recompensado pela postura que tive no início do ano.
Persistência é a palavra que te define?
Acho que todo mundo tem um diferencial, todo mundo tem suas qualidades e uma das minhas, que sempre utilizei no esporte, foi essa. Mas, cada um tem sua característica, se diferencia de uma forma. Mas, não é só ela que vou me sustentar para sempre. Vou evoluir em todos os aspectos. Agora, mais um ano de aprendizado as coisas vão ficando cada vez mais difíceis, sempre inovando.

O Circuito Mundial, quando eu iniciei, existia uma geração que dominava muito o esporte. Que era a época do Andy (Irons), Kelly (Slater), Mick (Fanning), enfim, todos esses atletas estavam em ascensão muito forte, pouca idade, e eu iniciando no esporte, ainda prematuro. A mentalidade era outra, a forma de agir era outra.
E o Medina?
O Gabriel revolucionou isso também. Geralmente você entra e depois de dois, três anos, você vai buscar uma etapa e um top cinco do mundo. E o Gabriel ganhou uma etapa e ficou entre os 10 melhores do mundo em apenas seis meses. Ele ignorou todas as estrelas e passou por cima de todo mundo. Isso foi um parâmetro e hoje ninguém quer saber de estrela lá dentro (na disputa). Qualquer jovem que entra, tem chance de ser campeão.

Quando começou essa história, eu já estava no Circuito Mundial há muito tempo. E o apelido foi para a galera no (antigo) WQS (divisão de acesso), em 2011. Eram todos da mesma idade, como Gabriel (Medina) e Filipe (Toledo). Sou mais velho, eu era praticamente o “tiozão” dos caras. É uma forma positiva de ser reconhecido.
A primeira prova da temporada será em Gold Coast, na Austrália. Quando você viaja e como está a expectativa para mais uma busca pelo título mundial?
Vou viajar no dia 4 de março, a competição começa dia 11. Chego lá no dia 6. Optei este ano por estender o tempo de férias aqui no Brasil. Ano passado fiquei no Havaí por quatro meses. No final da temporada passada não aguentava a carga, fiquei mal de saúde. Quero me sentir 100% ao máximo. Todos têm mérito para estar na elite. Temos mais de mil atletas. Estamos bem representados. Graças a Deus, tenho a qualidade da experiência. Vou me dedicar ao máximo para ser campeão.
