Depois do título da Segundinha Capixaba no ano passado, o Rio Branco aproveitou o retorno à primeira divisão do Capixabão para também subir de patamar no futebol brasileiro. Com a contratação de Loco Abreu, o clube aposta em um caminho para alavancar o futebol do Estado.
A chegada do uruguaio ao Espírito Santo repercutiu na imprensa estadual, nacional e até mesmo fora do Brasil, como no diário Olé, da Argentina. E já começa a dar retorno financeiro ao Rio Branco, atraindo novos patrocinadores.
“Já são mais de 270 matérias catalogadas desde outubro, de repercussão nacional e internacional. Não tem como uma empresa questionar o valor que é patrocinar o Rio Branco hoje”, comemora o diretor de marketing do Rio Branco, César Costa.
Depois do anúncio do reforço, o clube, que até então tinha dois patrocinadores na camisa, fechou com mais oito empresas para o uniforme. O lucro também vem da venda de produtos, como camisa, boné e copo personalizados. Sem citar valores, o presidente capa-preta, Luciano Mendonça, garante que o retorno compensa, antes mesmo da estreia do experiente atacante, de 42 anos.
“A gente mais que dobrou o faturamento com patrocinadores no uniforme. Com placas de campo, podemos multiplicar o faturamento por 10. O investimento feito já valeu a pena”, comemorou.
Aprovação
Ex-diretor de marketing do Cruzeiro e gerente de marketing do Fluminense na época de Deco, Fred e Thiago, Neves, Bernardo Pontes aprova a contratação de Loco Abreu. O especialista acredita que as grandes contratações são um dos pontos fundamentais para tirar o futebol capixaba da lama.
“É uma iniciativa perto de várias que precisariam ser feitas. Não é só o Loco Abreu. É uma grande iniciativa para colocar o futebol capixaba em evidência, mas não pode ser a única”, explica Bernardo Pontes.
Clubes rivais elogiam, mas não seguem os passos
A contratação do atacante Loco Abreu pelo Rio Branco mereceu elogios de outros clubes do 
“Com certeza vai ser uma atração a mais, inclusive para o clássico. Não fica um sentimento de que a gente deveria ter feito o mesmo (grande contratação) porque estamos trabalhando neste momento com os pés no chão”, afirmou o vice-presidente de futebol do clube grená, João Carlos da Rocha.
O presidente do Estrela, time que volta este ano ao Capixabão, admite que gostaria que mais clubes tivessem condições de bancar contratações de impacto. “É um atrativo. A repercussão disso, nós já estamos vendo. Queria que os demais times pudessem fazer isso”, disse Ewerton Treggia.
Contudo, há quem desconfie da chegada do atacante, de 42 anos. “Não beneficia o campeonato. É só marketing. É um grande jogador, mas já deu o que tinha que dar”, opina o presidente do Real Noroeste, Flaris Olímpio da Rocha.
Túlio Maravilha colocou o Tupy no mapa da bola em 2003
Muito antes de Loco Abreu, outro ídolo do Botafogo movimentou o Estado. Túlio Maravilha defendeu o Tupy em 2003, aos 34 anos, e fez cinco gols na Copa Espírito Santo e dois em amistosos. Assim como o Rio Branco, o Tupy também precisou realizar uma grande operação. Uma corretora de valores arcou com os salários do atacante, que recebeu R$ 15 mil por três meses de contrato, sendo, R$ 5 mil mensais. O campeão daquele ano, porém, foi o Estrela.
“A contratação não trouxe tanto dinheiro porque tivemos que alugar arquibancada e custos com alimentação, hotel e carro. O que ele deixou é que o Tupy passou a ser conhecido. Se aparecer alguém que queira investir, eu faria de novo!”, afirma o presidente do Tupy, Rogério Pedrini, que também trouxe o zagueiro Luiz Alberto, ex-Fluminense, em 2017.

