
Em Buenos Aires, na Argentina, Ronald venceu o argentino Gonzalo, no terceiro round, e conquistou o cinturão da Copa América na modalidade até 55 kg, competição sul-americana organizada pela União Internacional de Artes Marciais da América (Uiama). O capixaba também tem dois títulos mundiais na Copa do Mundo, em 2016 e 2017, três títulos estaduais e três brasileiros. Em 64 lutas na promissora carreira, soma 55 vitórias, sendo seis por nocaute, e nove derrotas.
“Foi uma luta difícil, o argentinho era muito duro. É um orgulho porque são muitos anos de trabalho para chegar a esse nível, passa um filme na cabeça”, lembra Ronald.
O talento para o boxe vem do pai, o pedreiro e ex-pugilista amador Ronaldo Ribeiro, de 44 anos. Ele comanda o projeto social R Boxe, que atende a 40 crianças, de 6 a 17 anos, em Riviera da Barra. Ronaldo, inclusive, é o técnico de Ronald no projeto.
“O Ronald, devido ao bairro em que a gente mora, poderia estar com outros garotos envolvido com coisas erradas, com drogas, com crimes. Mas através do esporte ele conseguiu fazer o que tem feito e abriu um horizonte muito grande”, conta Ronaldo, emocionado.
O pai sempre lembra das dificuldades enfrentadas pela dupla, como foi durante a participação do Campeonato Brasileiro de Esportes de Contato deste ano: “A gente passou o Brasileiro com pão e água no café da manhã, no almoço e na janta. E olha que foi em Colatina! Mas ele voltou campeão. As pessoas não imaginam as dificuldades por trás de um cinturão”.
O árduo caminho até as vitórias nos ringues lembra o da família Falcão, de Touro Moreno e dos filhos Esquiva e Yamaguchi. Os medalhistas olímpicos e atuais boxeadores profissionais, por sinal, são amigos de Ronald e servem de inspiração para mais um talento capixaba no boxe.
“O Esquiva e o Yamaguchi são referências. Eles estão crescendo, fazendo um ótimo trabalho nos Estados Unidos. Penso em me profissionalizar no boxe. Olimpíadas, se der, se eu conseguir participar em 2020”.
Malas prontas para São Paulo
Campeão da Copa América na categoria cadete até 55 kg, o pugilista Ronald Ribeiro está de saída do Estado para se desenvolver no esporte. No dia 15 de janeiro, ele se apresenta em São Paulo, na academia The Oliveira Brothers, de Ivan de Oliveira, filho de Servílio de Oliveira, o primeiro pugilista brasileiro medalhista olímpico, com bronze nas Olimpíadas 1968, na Cidade do México.
“Não tem nenhuma possibilidade de ficar aqui mais. Não tem suporte no Estado mais para segurar um atleta de alto rendimento. Aqui não tem luta nem para mim nem para qualquer outro atleta de boxe. Então, ir para São Paulo vai me ajudar muito”, explica o jovem de 15 anos.
O pedreiro Ronaldo Ribeiro, pai e treinador de Ronald, se emociona toda vez que lembra que o filho está de mudança, mas confia no potencial do pupilo, que começou no boxe com oito anos de idade.
“Nunca tive um pai presente, então, faço aquilo que eu não tive. O Ronald é mais que um filho, é um amigo. Essa separação é um mal necessário e o choro é de saudade e alegria, não de tristeza. Vejo Ronald apenas começando, a carreira dele será muito longa. Acredito que ele não volta mais ao Espírito Santo e que de São Paulo vai para mais longe”, afirma.
Ronald está em terceiro lugar no ranking cadete da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) na categoria pena (54 kg), com 400 pontos, 20 atrás do segundo colocado, Yuri Falcão, neto de Touro Moreno.
Primeiro nocaute e primeiro voo
A delegação capixaba de boxe que participou da Copa América de Artes Marciais na Argentina desembarcou ontem em Vitória com cinturões, medalhas e muitas histórias.
Emanuel Perini, de 9 anos e 1,28m, era um dos mais agitados. Empolgado com a conquista em solo argentino, na categoria até 10 anos (até 35 kg), o pequeno campeão simulava a luta socando o vento no saguão do aeroporto Eurico de Aguiar Salles. Ele venceu um argentino na final e comemorou seu primeiro nocaute.
“Nunca esperei que ia poder chegar aonde cheguei. Espero continuar crescendo na parte física e mental e continuar treinando para um dia chegar no meu objetivo. Foi meu primeiro nocaute, estava esperando isso há muito tempo, treinei muito para isso”, contou Emanuel.
O menino, do bairro Araçá, de Linhares, viajou com seu pai e treinador Alessandro Lima, de 48 anos, que é músico e tem o projeto social O Gladiador, que atende a 15 crianças carentes na região.
“Quero chegar no UFC. Assisto desde os quatro anos e sei que posso chegar lá um dia”, afirma Emanuel.
Morador de Braço do Rio, distrito de Conceição da Barra, onde é funcionário de uma mercearia, o pugilista Warley Dantas dos Santos, 17 anos, viajou pela primeira vez de avião e voltou com o cinturão da categoria até 71 kg, depois de vencer por nocaute um argentino na final.
“Dei um cruzado que ‘pocou’ o nariz dele! Dedico esse título à minha família e a todos que me ajudaram lá na cidade. Foi minha primeira viagem internacional e minha primeira viagem de avião. No começo deu um frio na barriga, mas depois passou (risos). O boxe está me trazendo várias experiências incríveis”.
TABELA
Capixabas campeões na Copa América de Artes Marciais
Boxe
Ronald Ribeiro (55 kg)
Warley Dantas dos Santos (71 kg)
Emanuel Perini (cadete, 35 kg)
Gabriel Moraes (61 kg)
Kickboxing
Genivaldo Porto (full contact, 63 kg)
Muay Thai
Laércio da Conceição (54 kg)
Lorena Guimarães (54 kg)
Wagner Soprani (80 kg)
David Ferreira (63 kg)