A decisão por amputar a perna foi definitivo para que o servidor público Carlos Renato Magalhães Madeira, 46 anos, continuasse vivo. O que ele não imaginou é que isso pudesse mudar completamente o seu jeito de olhar a vida.
Depois de sofrer um grave acidente em um cruzamento na Praia do Morro, em Guarapari, Renato acabou contraindo uma infecção na perna – uma bactéria multirresistente – que o levou a passar 120 dias de isolamento na sala vermelha do Hospital Antônio Bezerra de Faria, em Vila Velha.
O remédio usado para combater a bactéria estava debilitando os rins. Para acabar de vez com a infecção, veio a decisão de amputar a perna e salvar os rins. “Não pensei duas vezes. Lembrei dos meus três filhos, da minha esposa, e decidi pela amputação”, explicou.
Já em casa, entrou em depressão. Sem uma das pernas, parecia o fim. “Minha esposa e filhos me chamavam para fazer as coisas e eu nunca queria. Minha vontade era apenas ficar em casa. Mas, logo depois do Carnaval, vendo como minha atitude estava afetando a todos, resolvi voltar a praticar esportes”, conta o servidor.
A esperança de recomeçar permitiu que Renato encontrasse no esporte uma maneira de dar a volta por cima. E que volta.
Sem a perna esquerda, ele passou a praticar esportes que eram compatíveis com a sua nova condição. E, depois disso, os resultados começaram a aparecer.
O paratleta compete nas modalidades de arremesso de dardo, disco e peso. Os treinos começaram em março do ano passado. É nas areias da praia de Santa Mônica que o paratleta treina desde o início, duas vezes por semana.
Em menos de dois anos de intensa dedicação como paratleta, o servidor público começa a colecionar medalhas. Sete foram conquistadas em três competições importantes.
“Nunca imaginei sofrer um acidente dessa maneira e perder uma perna. É tudo o que não se espera. Mudei de vida após 120 dias de isolamento no hospital. Me encontrei no esporte”, revela.
Renato disse que buscou a atividade para sair da depressão e hoje tem orgulho do que faz. “Um orgulho que tenho para mim, minha família e até mesmo meus filhos. Já ministrei palestras e até dei autógrafos para coleguinhas dos meus filhos”, conta Renato, orgulhoso.
A reportagem completa você lê no jornal A Tribuna deste domingo (9).
