
Depois de ficar 20 dias detida em um abrigo para menores imigrantes em Chicago, nos Estados Unidos, a adolescente Anna Stéfane Radeck, de 17 anos, finalmente retornou ao Brasil. De acordo com seu pai, Sérgio Ferreira, Stéfane contou ter passado fome e frio, além de constantes ameaças. Agora, a família pretende processar o governo americano pelo tratamento.
Durante o período em que esteve detida, a adolescente só pode ligar para a família duas vezes por semana e diz estar bem. Em casa, no entanto, afirmou que os assistentes sociais ameaçavam que ela passaria mais tempo detida caso falasse o que estava passando. “Tudo que ela nos falava era gravado e, por isso, diziam que ela seria punida se ouvissem algo negativo”, afirmou o pai.
Nem sempre sentar à mesa do refeitório significava que Stéfane poderia comer. Segundo o pai, os alimentos não eram suficientes para todos os menores detidos e, por isso, as últimas mesas muitas vezes não recebiam as refeições. “Não era digno. Diziam que eles estavam comendo às custas do governo americano, gastando dinheiro”, comentou Sérgio. A adolescente também relatou ter passado por “outras situações horríveis” que prefere não levar a público, por serem “ainda mais humilhantes”.
Stéfane foi barrada pela imigração no dia 11 de agosto ao parar para uma conexão em Detroit, Michigan. Ela estava sozinha a caminho de Orlando, para visitar uma tia que mora há dois anos nos Estados Unidos. Mesmo com todos os documentos necessários para a entrada no país, oficiais suspeitaram que a menina pretendia permanecer em território americano além do tempo permitido. Por ser menor de idade e estar desacompanhada, ela foi levada ao abrigo.