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A primeira pessoa a receber um transplante de coração geneticamente modificado de um porco, morreu dois meses após o procedimento histórico nos Estados Unidos, informou nesta quarta-feira (9) o Centro Médico da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.
David Bennett, de 57 anos, que morreu em 8 de março, recebeu seu transplante em 7 de janeiro, informou a Universidade de Maryland.
Segundo informações do jornal The New York Times, não ficou claro se o corpo de Bennett rejeitou o órgão. “Não havia nenhuma causa óbvia identificada no momento de sua morte”, disse uma porta-voz do hospital.
O transplante inédito gerou expectativas de que o uso de órgãos de outras espécies seria a solução no futuro para resolver a escassez crônica de órgãos humanos para doação.
Por enquanto, não há informações oficiais sobre a causa da morte, já que os cientistas planejam publicar os resultados em um estudo revisado por pares.
Após a cirurgia, o coração transplantado funcionou muito bem por algumas semanas, sem sinais de rejeição, indicou a universidade.
Bennett passou algum tempo com sua família, fez sessões de fisioterapia, assistiu ao Super Bowl – a final da liga de futebol americano NFL – e sempre falava sobre o seu desejo de voltar para casa para ver seu cachorro Lucky.
Bennett tinha uma doença cardíaca grave e concordou em receber o coração de porco experimental após ser rejeitado em várias listas de espera para receber um coração humano — a decisão costuma ser tomada quando o paciente está com a saúde muito debilitada.
“Era morrer ou fazer esse transplante”, explicou ele um dia antes da cirurgia, realizada em janeiro. “Eu sei que é um tiro no escuro, mas é minha última escolha”.
Corajoso e nobre
O cirurgião responsável pelo transplante, Bartley Griffith, lamentou a morte de David. “Ele provou ser um paciente corajoso e nobre que lutou até o fim. Bennett tornou-se conhecido por milhões de pessoas em todo o mundo por sua coragem e firme vontade de viver”, afirmou ao jornal New York Times.
O transplante de coração foi um dos vários procedimentos pioneiros nos últimos meses em que órgãos de porcos geneticamente modificados foram usados para substituir órgãos em humanos. O processo, chamado xenotransplante, é encarado com grande esperança na comunidade médica porque as doações de órgãos são escassas.