Além da eleição presidencial, os americanos também foram às urnas na última terça-feira (3) para votar em 120 plebiscitos estaduais.

Com exceção do Mississippi, todas as outras regiões aprovaram o uso recreativo, o comércio e a distribuição da cânabis para maiores de 21 anos.
Os moradores de Oregon, por exemplo, aprovaram uma proposta mais abrangente: a descriminalização da posse de pequenas quantidades de uma série de drogas, incluindo heroína e cocaína. Sob a nova política, os usuários serão punidos com a multa máxima de US$ 100 (R$ 574) e encaminhados para tratamento.
Quando os plebiscitos se transformarem em medidas legislativas –o que leva tempo–, essas regiões, mais o Distrito de Columbia, onde fica a capital, Washington, terão descriminalizado a maconha. Isso quer dizer que fumar um baseado ou comercializar maconha, por exemplo, deixam de ser crime passível de punição penal.
Dakota do Sul decidiu também pelo estabelecimento de programas de cânabis medicinal no estado. O Mississippi optou apenas pela adoção do uso terapêutico.
Assim, a cânabis medicinal será legal em 35 estados americanos. Quando o resultado dos plebiscitos virarem leis, 15 estados, além do Distrito de Columbia, terão descriminalizado o uso recreativo da cânabis. Hoje a maconha é ilegal em apenas 13 estados. O uso adulto é aprovado em 11, e o medicinal, em 20 deles.
A mudança do posicionamento dos americanos em relação à maconha mudou muito nesta década. Em 2000, todos os 50 estados americanos proibiam o uso recreacional da substância.
“Em uma época em que os EUA estão mais divididos do que nunca, há um claro consenso entre os eleitores: eles são a favor da cânabis, da legalização agora”, escreveu Steve DeAngelo, um dos maiores empresários da indústria da cânabis, em uma rede social.
O processo de mudança começou em 2012, quando os estados de Colorado e Washington legalizaram a maconha, provocando um efeito cascata de liberações pelo país ao longo dos últimos anos.
“Qualquer um dos candidatos que ganhe a Presidência terá de respeitar a vontade do eleitor”, acrescentou.
Para DeAngelo, a liberação da maconha leva a redução nos índices criminais. “As mudanças não ferem as comunidades, mas as fortalecem. Reduzem os crimes violentos, overdoses, tráfico, violência doméstica e o excesso de prisões, produz empregos e impostos”, completou.