Roberto Guglielmi, 55 anos, se tornou conhecido em março de 2014 quando recebeu uma ligação do Vaticano: “Olá, Roberto, é o Papa Francisco…” A história comovente do cadeirante paraplégico da cidade de Florença então girou o mundo. Ele contou que aquele telefonema o colocou de volta no caminho da fé, após anos de desesperança. Em 2015, ele foi recebido pessoalmente pelo Papa no Vaticano.
Agora, ele vai ter de rezar na prisão, pois a polícia descobriu que Roberto Guglielmi não passa de um farsante que enganou o Papa e o governo italiano recebendo desde 2007 mais de 137 mil euros de pensão (R$ 595 mil).
A farsa aconteceu, com ajuda de um amigo, com simulação de um falso acidente. Para manter a aparência de paraplégico, injetava lidocaína no corpo para enfraquecer os músculos e conseguiu falsos exames médicos. A prisão aconteceu há dois dias, quando ele foi filmado por policiais desembarcando de um avião após uma viagem ao Togo, na África. Desceu as escadas sem ajuda de ninguém.
Nem mesmo parentes escaparam da farsa. Quando em sua cidade, estava sempre numa cadeira de rodas, mesmo em casa. Em lugares onde não era conhecido, porém, se movia com normalmente. Quando foi preso, andava naturalmente enquanto carro um para deficientes com uma cadeira de rodas estava no estacionamento à sua espera.
Sua atuação era tão convicente que em 2013 participou de um protesto contra o Partido Democrata local, alegando que fora impedido de votar por não terem levado uma urna itinerante até sua casa. No ano seguinte, ele escreveu ao papa Francisco, contando seu drama. A partir daí, o telefonema, a visita ao Vaticano e, agora, a prisão.
Ao que tudo indica, alguém próximo a ele fez denúncia anônima, o que levou a polícia a iniciar a investigação. O depoimento de uma cuidadora, aumentou as suspeitas. Por fim, o flagrante e a prisão.
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As informações são do jornal Repubblica*
