A cidade italiana de Veneza usou as barreiras para conter inundações, meses depois que o aumento das marés inundou canais, praças e palácios históricos da cidade.
Pela primeira vez na história, o centro histórico de Veneza ficou fisicamente separado do Mar Adriático durante uma “acqua alta”, fenômeno habitual na cidade, mas que vinha causando cada vez mais transtornos nos últimos anos.

Com a previsão de uma maré de 135 centímetros, superior ao gatilho de 130 centímetros estipulado pelas autoridades, a rede de barreiras foi acionada por volta de 8h35 (horário local) deste sábado (03) e levou uma hora e 17 minutos para ser completamente levantada.
As comportas ficam nos três acessos da Lagoa de Veneza ao Adriático e conseguiram impedir que a alta na maré invadisse o centro histórico da cidade. Enquanto o nível da água no mar atingiu o pico de 129 centímetros, o índice na lagoa não passou de 73 centímetros.
As piores inundações em mais de 50 anos deixaram a histórica Praça de São Marcos debaixo de mais de um metro de água em novembro de 2019.
Uma vez operacional, o sistema Mose foi projetado para proteger Veneza de marés de até 3 metros, muito além do recorde atual, mas alguns especialistas temem que ele fique sobrecarregado pela elevação do nível do mar prevista pelos recentes modelos de mudança climática.
Antes, sem sistema eficiente para deter as seculares inundações periódicas, Veneza criou um eficiente protocolo de prevenção. Uma sirene avisa quando as águas se aproximam e a informação é replicada na internet e nos celulares.
Passarelas removíveis são colocadas nos locais de grande movimento de pedestres. Moradores e comerciantes na área de risco erguem móveis e produtos. Então, todos esperam a água baixar, o que costuma levar por volta de duas horas, e tocar a vida até a próxima inundação, uma rotina trabalhosa que, espera-se, o novo sistema vá dispensar de vez.
O sistema
O Módulo Eletromecânico Experimental, o Mose, foi elaborado em 1984, mas ainda incompleto uma década após a data prevista para entrar em operação, foi palco de escândalos de corrupção e custos excedentes.