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Causos do futebol: Professor tem história para contar

Quem vê Danilo Aguiar Rocha, de 36 anos, sequer imagina que ele teve de enfrentar lendas do futebol europeu como o ucraniano Andriy Shevchenko, os ...

Causos do futebol: Professor tem história para contar
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Quem vê Danilo Aguiar Rocha, de 36 anos, sequer imagina que ele teve de enfrentar lendas do futebol europeu como o ucraniano Andriy Shevchenko, os italianos Maldini e Ambrosini e o inglês Peter Crouch.

Danilo Rocha em sua escolinha de futebol: 110 crianças são atendidas em cinco categorias. Foto: Acácio Rodrigues

Ex-zagueiro do Vitória/BA e de times da Suíça e de Portugal, Danilo atualmente coordena uma escolinha com 110 crianças em cinco categorias, do sub-8 ao sub-16 anos, no estádio Fernando Lúcio, o campo do Comercial Sport Club, em Muniz Freire.

“Enfrentei Costacurta, Maldini, Schevchenko, Ambrosini, Peter Crouch, David James, Sol Campbell, Diarra, entre tantos outros craques do futebol europeu”, lembra o ex-zagueiro, que nasceu em Alegre, no Sul do Estado.

Ainda no sub-20 do Vitória/BA, aos 19 anos e já com passagem pela Suíça, ele foi convocado para a seleção brasileira da categoria e disputou amistosos na Granja Comary, em 2000, ao lado de nomes como dos goleiros Diego Cavalieri e Rubinho, e dos meias-atacantes Léo Lima e Andrezinho.

“O treinador era o Carlos César, que foi técnico do Flamengo (sub-20 e profissional). O preparador de goleiros, inclusive, era o Acácio, ex-goleiro do Vasco. Ficamos 15 dias lá. Foi um momento marcante. O que mais marcou foi o telefonema que dei para o meu pai, Manoel Carlos Rocha, para contar da convocação”, recorda.

Formado em Teologia, Danilo Rocha hoje é casado com Vanusa, pai de dois filhos, Daniel e Beatriz, e está aposentado do futebol há cinco anos, em uma carreira que começou oficialmente aos 13.
Porém, quando tinha 20 anos, Danilo interrompeu a carreira por um tempo.

Danilo Rocha e crianças da escolinha. Foto: Acácio Rodrigues

“Em 2001 estava com uma proposta de um clube italiano na mão, nem fiz questão de saber qual time era, minha cabeça estava voltada para meu pai, que tinha acabado de descobrir um câncer. O Vitória/BA continuou pagando meus salários, fiquei cinco meses em Muniz Freire”, contou .

Antes da morte do pai, em maio de 1996, Danilo havia perdido a mãe, também vítima de câncer. “Foram os dois maiores baques da minha vida”.

“Cheguei à Europa sem ter empresário”

A TRIBUNA – Como você chegou ao Vitória/BA?

DANILO ROCHA –  Eu era muito “fominha”, jogava no Comercial e no Muniz Freire. A convite da Aert, disputei um torneio nacional de base, em 1995. Fiz cinco jogos inteiros. Orlando da Hora era observador técnico do clube e me pediu o contato. Tinha 13 anos.

Turma reunida com o ex-zagueiro. Foto: Acácio Rodrigues

Você foi para a Europa ainda na base?

Em 1998 fui negociado com o Bellinzona, da Suíça. Eu tinha 17 anos e era titular do time sub-20 do Vitória/BA. Um empresário italiano, chamado Gianmarco Calleri, ex-presidente do Lazio e do Torino, estava assistindo à final do Campeonato Baiano da categoria e me viu jogando. Eu não tinha empresário, era muito diferente do que é hoje. Nunca pedi nada a ninguém para ser jogador, nunca puxei saco de ninguém, enfim, cheguei à Europa sem ter empresário.

E depois disso?

Dali fui negociado com Servette, na época o atual campeão suíço e que fica em Genebra, na região francesa do país. A cultura de lá é muito diferente da que estamos acostumados. Pude aprender italiano e francês, nessa época.

Quais foram os jogadores mais difíceis de enfrentar no futebol europeu?

Enfrentei grandes jogadores, como Maldini e Ambrosini, do Milan e da seleção italiana. Era complicado marcar o (ucraniano) Schevchenko. Mas os mais difíceis de encarar eram (o inglês) Peter Crouch e o francês Diarra, que jogavam pelo Portsmouth, da Inglaterra.

Em 2000, você voltou ao Vitória/BA. Como foi?

Foi quando meu pai morreu, cuidei da situação da família e em junho de 2002 fui de novo para o Bellinzona, até 2003. Voltei desiludido, triste, desanimado por tudo que eu já tinha sofrido (morte dos pais). Não tinha motivação para ficar longe de casa. Fiquei em Muniz Freire durante nove meses.

Como retomou a carreira?

Em 2004, recomecei no Estrela, já com 23 anos. Fomos vice-campeões do Capixabão, jogamos a Série C do Brasileiro e vencemos a Copa Espírito Santo. Dali fui para o São Bento/SP. Depois fui negociado para o futebol português. No Vitória de Guimarães, disputei Liga dos Campeões e Liga Europa. Depois, encerrei minha carreira no Leixões, de Portugal, aos 31 anos.

Reportagem de Acácio Rodrigues

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