
Um projeto de lei em discussão na Itália pode dificultar a vida de quem tenta a cidadania italiana, afetando diretamente cerca de 1,7 milhão de descendentes que moram no Estado.
A proposta é permitir a dupla cidadania apenas para filhos e netos de italianos. Já os bisnetos só poderiam solicitar o reconhecimento entre 18 e 22 anos. Atualmente, estrangeiros podem tentar a dupla cidadania por meio do “jus sanguinis”, o direito por sangue.
A emenda foi apresentada no Parlamento da Itália pelo senador Claudio Micheloni (PD) e deve ser votada nesta quarta-feira (29).
Para o presidente da Casa d’Italia no Espírito Santo, Cilmar Franceschetto, a proposta é prejudicial para os descendentes de italianos do Estado. “Somos descendentes de uma geração mais antiga, somos bisnetos e tataranetos.”
Segundo ele, o Espírito Santo tem cerca de 1,7 milhão de descendentes de italianos, sendo o estado com a maior porcentagem (65%) em relação à população total. Desses, 30 mil já têm a dupla cidadania.
Descendente por parte de pai e mãe, o bancário Vinícius Andrich seria um dos prejudicados, já que é bisneto de italianos e tem 32 anos. Ele vai iniciar o processo para requerer a dupla cidadania no próximo ano e está preocupado com as novas regras. “Ficaria impossível para mim. O processo já é burocrático. Agora, vai ficar ainda pior.”
O senador ítalo-brasileiro Fausto Longo já adiantou que vai votar contra a proposta.
Rafael Gomes