
No embalo dos resultados positivos da indústria e da retomada da economia, a ArcelorMittal Tubarão anunciou ontem que vai investir R$ 60 milhões em 2018. O projeto contempla um novo forno panela — equipamento usado para aquecer o aço líquido — para melhorar a linha de produção de aço em placas e bobinas a quente.
O aço é usado desde a fabricação de carros, navios, prédios, computadores a usinas elétricas. A empresa vende diretamente no mercado cerca de 65% de sua produção. Os 35% restantes são destinados para processamento em outras unidades do Grupo ArcelorMittal Brasil.
Segundo o presidente da ArcelorMittal Tubarão e CEO da Aços Planos América do Sul, Benjamin Baptista Filho, apesar da crise, a empresa está operando sua planta, na Serra, em capacidade máxima.
A unidade de Tubarão é a maior usina integrada da América Latina, com capacidade de produção de 7,5 milhões de toneladas de aço por ano. Os investimentos visam melhorar o tratamento secundário do aço líquido, que é feito em panelas de manutenção e transporte.
“Hoje nós temos três equipamentos de refino secundário, mas eles não aquecem o aço e o produto resfria se ficar muito tempo lá. Por isso, o processo todo precisa ser ágil. Então, nós vamos adotar um quarto equipamento, que é chamado de forno panela, e tem a capacidade de aquecer o aço líquido em alguns graus”, esclareceu.
Benjamim salientou que, desde o ano passado, já está em andamento o processo de primarizar parte do setor de manutenção da indústria, que antes era feito por empresas terceirizadas. A medida visa à contratação de mão de obra
direta pela empresa.
“Desta forma, temos mais controle dos procedimentos adotados na manutenção dos equipamentos. Precisamos de profissionais qualificados para atender o padrão internacional. Então, a contratação de pessoal é contínua”, destacou.
Benjamim também anunciou que a ArcelorMittal Tubarão vai inaugurar, no próximo mês, o chamado Gas Cleaning Bag Filter no processo de sinterização.
“O equipamento já está em funcionamento na indústria, em fase de testes e ajustes finais. Ele vai reduzir em 18% as emissões de material particulado da indústria”, esclareceu Benjamim.
Mercado
Segundo o presidente, as siderúrgicas da China e Rússia são responsáveis por ações negativas no setor, como o dumping, e representam uma concorrência desleal no mercado nacional.
“Já entramos com ação judicial e pedidos antidumping contra a importação chinesa e russa. Agora, aguardamos decisão da Justiça, que deve sair em 2018”, disse. O dumping é a prática de exportar produtos a preço inferior ao do mercado
interno do país exportador.
Veja a entrevista na íntegra:
https://youtu.be/TKfqofAaAB0