
Não se iluda: apesar da crise – e ela é real e palpável – vivemos um momento de excesso de oferta, consumo e desejos. É como se de repente todo mundo tivesse virado um especialista em garimpar muitos tipos diferentes de tudo: de marcas de água mineral a blends de café, passando por tênis de corrida, endereços de outlets, destinos de viagens…
Ufa! Como viver e ter acesso a tudo isso em uma só vida?
É mais simples do que parece: aprendendo a priorizar e entendendo o conceito de simplificar. A seu favor, naturalmente…
A simplicidade é o oposto de supérfluo – em um mundo cada vez mais cheio de excessos, com uma sociedade basicamente consumista, ser ou encontrar o simples é um desafio cada vez maior.
A chave talvez seja entender que essa simplicidade precisa ter um vínculo com a sua essência. Se forçar a barra, tentando parecer simplesinho, o sujeito vai parecer inadequado.
O filtro do menos é mais – funciona bem na composição de qualquer produção visual. Ora, o estilo é a expressão visual do nosso temperamento e estamos buscando uma ligação entre nossa forma de nos apresentar ao mundo, e a essência desse mesmo temperamento – para refleti-lo sem ruídos em nosso visual.
Nada mais natural, portanto, que a simplicidade ajude a dar transparência e descortinar melhor o que desejamos que seja percebido.
Exercite a simplicidade – é mais fácil do que parece. Ao liberar coisas (e se liberar de cargas emocionais), você libera espaços: na casa, na mesa de trabalho e, claro, até dentro de você. Até mesmo em uma viagem, levando uma bagagem levinha, você descansa mais, vê mais coisas…
É preciso liberar espaço para viver com mais qualidade e, assim, ter mais tempo para as poucas experiências que a gente escolhe viver com mais intensidade.
No mundo corporativo, há algum tempo existe essa preocupação em resgatar sensações pela simplicidade. As empresas buscam uma maneira de estimular seus funcionários a entrar em contato com suas reais necessidades, prazeres e competências.
E é interessante notar que em todos esses programas há uma previsão de que a ação seja sempre com o grupo isolado em algum lugar – distante de estímulos externos e pressões do mercado ou da mídia.
Assim, fica mais fácil entrar em contato com a sua forma original de perceber as coisas. E é possível estar em contato constante e sincero com o “espírito”, aprendendo a priorizar e, claro, sem deixar de questionar dogmas e imposições.
“Vivemos em um sistema que nos persuade a gastar dinheiro que não temos, em coisas que não necessitamos, para criar impressões que não durarão em pessoas que não nos importam”.
Essa frase termina uma matéria sobre consumo, e se aplica lindamente para encerrar essa reflexão sobre a simplicidade.
Afinal, é importante que, ainda que não consigamos realizar sempre nossos desejos ou os mais caros sonhos, o horizonte daquilo que nos realiza e nos traz prazer esteja sempre visível.
É preciso manter o foco e lembrar que, de verdade, quem e o quê importam mesmo precisam apenas de muita atenção, carinho, cuidado e tempo – o supremo luxo.
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