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Governo de Temer é frágil, mas ‘é o que tem’, afirma FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta sexta (25) que o governo Michel Temer é uma “pinguela”, mas ponderou que “é o que tem” ...

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta sexta (25) que o governo Michel Temer é uma “pinguela”, mas ponderou que “é o que tem” para se fazer a transição até as eleições de 2018.

Em relação à saída de Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo, FHC disse que é muito difícil para um presidente “dispensar um amigo”. “Diante da circunstância brasileira, depois do impeachment, o que temos que fazer é atravessar o rio. Isso é uma ponte. Pode ser uma ponte frágil, uma pinguela? Tudo bem. Mas é o que tem. Se você não tiver uma ponte, você cai no rio. Não adianta fazer muita especulação”, afirmou FHC em um seminário do partido em Brasília.

Congressistas, governadores e prefeitos tucanos que participaram do evento reafirmaram apoio ao governo, mas também enfatizaram que essa é uma gestão transitória e que o melhor para o país nas eleições de 2018 é o PSDB.

Embora negue ser candidato à reeleição, segundo seus próprios aliados, Temer pode tentar novo mandato caso consiga elevar seus baixos índices de popularidade. No PSDB, que tem três ministros no governo, disputam internamente a candidatura de 2018 o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o presidente nacional do partido, Aécio Neves (MG), e o ministro de Relações Exteriores, José Serra (SP).

Alguns tucanos citam ainda FHC, que nega a intenção de disputar. Em seu discurso, o ex-presidente abordou diretamente as eleições presidenciais. “Como agora estou fora da mesa que conduzia os trabalhos, agora também acho que o futuro presidente da República está nessa mesa”, disse, repetindo declaração de tucanos que o antecederam no microfone. À mesa estavam, entre outros, Alckmin, Aécio e Serra, os três derrotados pelo PT nas últimas eleições.

Aécio também ressaltou em sua fala que o trabalho do PSDB agora é começar a trabalhar, a partir de janeiro de 2017, com a posse dos novos prefeitos, para “apoiar o governo nessa passagem” e conquistar o Palácio do Planalto nas próximas eleições.

Todos os tucanos adotaram uma linha de defesa de Temer no caso em que ele é acusado pelo ex-ministro Marcelo Calero de instá-lo a mudar uma decisão técnica em benefício de Geddel. “Os ministros caem e outros vêm. O importante é não perder o rumo”, disse FHC. “Na minha avaliação, do PSDB, nem de longe esse episódio atinge o senhor presidente Michel Temer”, afirmou o senador Aécio. Para ele, um fato “extremamente grave” que deveria ser investigado é se Calero gravou conversas com o presidente da República. Segundo a Folha apurou, Calero não tem áudio comprometedor de Temer. Mas há gravações dele de conversas com autoridades do governo.

Serra também foi enfático na defesa do atual chefe. “Embarcamos no impeachment, assumimos responsabilidade de governo e temos que fazer que até 2018 esse governo dê certo, para preparar transição para um Brasil melhor”. Alckmin disse considerar normal a troca do ministro e que Temer continua contando com apoio integral da legenda para aprovar as reformas. Não foram apenas os tucanos que saíram em defesa de Temer.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), falou em “falsas polêmicas” e afirmou que, apesar da crise política, as votações previstas na Casa estão mantidas. “As alegações do ex-ministro da Cultura não afetam o presidente Michel Temer, que reúne todas as condições para levar adiante o processo de transição”, disse Renan. O líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), disse que a base se manterá fiel.

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