
Duas irmãs de Guarapari encontraram na borracharia do pai uma oportunidade de trabalho.
A primeira a assumir a profissão do pai, que exerce o ofício há 30 anos, foi a mais velha, Ulliana Sabrina Nascimento Aragão, 20 anos. No começo do ano, quando estava desempregada e precisando ajudar nas finanças de casa, resolveu ajudar o pai na borracharia. A ideia era apenas ajudar na parte administrativa, mas ela viu a necessidade de colocar a mão na massa.

“Meu marido ficou desempregado e como eu não estava fazendo nada e trabalho em Guarapari está bem difícil, resolvi vir ajudar o meu pai para ver se conseguia um dinheirinho por fora e tomei gosto. É muito interessante. No começo foi difícil, mas hoje, com a prática, é bem mais fácil”, conta Ulliana.
O marido dela, Douglas Alves, 26, que é alinhador automotivo, disse que aprova o trabalho de Ulliana e parabeniza o esforço da esposa. “Muitas pessoas encaram com preconceito, mas ela faz o serviço melhor do que muitos homens”, declara Douglas.
Há duas semanas, quem resolveu encarar o desafio foi a irmã mais nova, Myllena Ramalhete, 17. Assim como Ulliana, ela troca pneus, faz remendos e realiza reparos nas câmaras de ar. “A gente resolve tudo”, enfatiza Myllena.

As duas juntas estão fazendo sucesso nos serviços. O pai, José Antônio Ramalhete, 48, conhecido como Dico, confessa que o movimento até aumentou.
“Alguns clientes ficam assustados quando chegam e se deparam com elas trabalhando. Muitos questionam, mas eu sempre estou por perto para dar apoio, não deixo que elas fiquem constrangidas. É um trabalho digno”, ressalta.
Para elas, o preconceito com mulheres exercendo profissões consideradas exclusivas para homens ainda existe.
“Quando envolve a questão de força bruta, querendo ou não somos mais fracas que os homens, então há certo preconceito. É desagradável porque tem gente que fica de gracinha jogando piada e tem gente que não confia muito no nosso serviço e pede para um homem fazer. Quando isso acontece parece que não somos capazes”, desabafa Ulliana.
“As pessoas precisam entender que temos as mesmas capacidades de um homem. O lugar da mulher é onde ela quiser”, completa Myllena.
Reportagem: Roberta Bourguignon