O depoimento de Esperidião Carlos Frasson, 71 anos, acusado pela polícia de ser um dos mandantes da execução da médica Milena Gottardi Tonini Frasson, 38 anos, morta após ser atingida por tiros, quando saía do Hospital das Clínicas, no último dia 14, afirma que o filho dele, o policial civil Hilário Frasson, marido da médica, acumulava várias dívidas e que elas eram constantemente pagas pelo próprio pai.
Esperidião alega, ainda, que o policial atribuía a responsabilidade pelo endividamento dele à Milena.
Entretanto a família da médica disse que a própria Milena chegou a pagar dívidas do marido, feitas no
cartão de crédito, no valor de R$ 15 mil. Fontes da Segurança Pública atestam a idoneidade da vítima.

A reportagem de A Tribuna teve acesso às declarações do acusado e ouviu a família de Milena a respeito das afirmações. A médica, segundo os familiares, chegava a fazer plantões extras para bancar os estudos e chegou a vender bens para arcar com as despesas.
Em um dos trechos do Termo de Declaração de Esperidião, o acusado diz que chegou a vender uma parte do terreno de sua propriedade para dar ao filho o valor de R$ 100 mil para quitar as dívidas.
“Hilário falava que tinha dívidas em outros lugares e falava com o declarante (o pai dele) e o declarante (pai) ia pagando”, diz um dos trechos do depoimento.
Esperidião Frasson diz que conhecia Milena desde criança, porque a mulher dele trabalhava no colégio em que ela estudou e que a “tratava como filha”.
Em declaração à polícia, Esperidião disse que “de vez em quando é intimado para ser ouvido em seus processos” e que “se recorda” de responder “a processo em Cariacica e não se recorda de ter sido ouvido em processo criminal na Serra”. Esperidião responde a processo por assassinato.
Participação
Esperidião Frasson foi questionado sobre a morte de Milena e disse que não conhecia Valcir da Silva Dias (acusado de contratar o executor de Milena), mas que “já o viu lá em Timbuí”, Fundão, mas “não tinha contato com Valcir”.
Afirmou também que não conhecia Hermenegildo Palauro Filho, o “Ju d i n h o ” (outro suspeito de
intermediar o crime).
Sobre o suspeito de ser o executor, disse que não sabe quem é o carpinteiro Dionathas Alves Vieira. Também afirmou desconhecer Bruno Broetto, que teria conseguido a moto para o crime.
Leia a reportagem na íntegra no jornal A Tribuna deste domingo.
