
Enquanto o presidente Michel Temer se articula para propor mudanças para a Previdência Social sob a alegação de que o sistema vai ficar insustentável em alguns anos, no Estado a realidade não está tão distante.
Afirmando ser um problema estrutural, o secretário de Estado de Economia e Planejamento, Regis Mattos, enfatizou que, se nada mudar nas regras, pode ser que em sete anos o governo não tenha mais dinheiro para pagar a conta da Previdência Estadual.
A TRIBUNA – Qual é a situação hoje da Previdência Estadual?
REGIS MATTOS – A previsão é de que o déficit neste ano chegue a R$ 1,8 bilhão. No ano de 2015, foi de 1,6 bilhão. Esse déficit tem crescido em uma velocidade rápida e é reflexo de um problema estrutural, que ainda vai se repercutir por muitos anos. Ou seja, o déficit não surgiu agora em função da crise econômica, mas vem de anos, com o agravante de ter uma trajetória insustentável.
A TRIBUNA – O governo do Estado deixaria de conseguir pagar as aposentadorias se nada mudar?
REGIS MATTOS – No Estado não temos apenas um fundo para a aposentadoria. O fundo financeiro, dos servidores que entraram no serviço até 2004, é deficitário. Isso porque ninguém mais entra nele e, à medida que as pessoas vão se aposentando, só vão retirando. Já o fundo previdenciário é de servidores que entraram depois de 2004, esse as pessoas ainda não estão se aposentando em sua maioria, por isso não tem déficit. Mas a questão é que a Previdência não é sustentável. A previsão é de que em 12 anos o déficit chegue a R$ 3 bilhões. Não haverá dinheiro para pagar isso.
Reportagem de Francine Spinassé e Samantha Dias
Leia a matéria na íntegra da edição desta quarta-feira do Jornal A Tribuna