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Moradores reclamam de abandono do Colégio Americano

Prédio do antigo Colégio Americano, no Centro, construído em 1932, tem parte da frente fechada com tapumes. Foto: Rodrigo Gavini Além do uso de ...

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Prédio do antigo Colégio Americano, no Centro Prédio do antigo Colégio Americano, no Centro, construído em 1932, tem parte da frente fechada com tapumes. Foto: Rodrigo Gavini

Além do uso de drogas no local, comunidade reclama que imóvel histórico de antigo colégio virou abrigo de morador de rua

O prédio histórico do Colégio Americano, no centro de Vitória, se tornou abrigo de um morador de rua e também ponto de encontro para usuários de drogas.

A situação incomoda moradores do bairro, que relatam ter de conviver com o cheiro de maconha, e com o fato de essas pessoas fazerem suas necessidades fisiológicas próximo ao local.

Um aposentado que mora no bairro explicou que os usuários de drogas utilizam o imóvel principalmente à noite.

“São muitos. É um entra e sai, toda hora. A gente que não fuma e não usa droga tem de conviver com esse cheiro de maconha!”, reclamou.

Parte do prédio abriga o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Ernestina Pessoa. Após briga de faca entres os usuários de drogas, e de o morador de rua utilizar o jardim da escola como banheiro, a mãe de um estudante fez um abaixo-assinado para o fechamento frontal do imóvel.

A reportagem esteve ontem à tarde no local e percorreu o entorno do prédio, construído em 1932, que está com a parte da frente fechada provisoriamente com tapumes. Além disso, funcionários da prefeitura fechavam com cimento as portas laterais que dão acesso à edificação.

Uma mulher que trabalha próximo ao colégio e não quis se identificar afirmou que isso minimiza o problema, mas não resolve.“Tampou na frente, eles foram para a lateral. Tampando a lateral não vai ser diferente. Mudam de lugar, mas estão sempre aqui, porque é um problema social.”

Ex-aluna do Americano, a psicanalista Suzana Diniz Detoni, 40, afirmou que é triste ver essa situação.

“É um prédio grande que me recorda pessoas, eventos, valores, e que não está sendo utilizado. É triste vê-lo abandonado”, desabafou.

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Prefeitura diz que imóvel será sede de escola municipal

A Prefeitura de Vitória reiterou que o antigo prédio do Colégio Americano será a sede definitiva da Escola Municipal São Vicente de Paula, conforme publicado em reportagem de A Tribuna no dia 10 de julho do ano passado.

A Secretaria Municipal de Educação acrescentou que o layout do prédio foi apreciado e aprovado pela comunidade escolar, e neste momento está na fase de captação de recursos financeiros.

Questionada sobre a situação da edificação relatada por moradores do Centro, a prefeitura explicou que é feito um trabalho específico com os usuários de drogas, e que no local fica um morador de rua, que é atendido por um centro da prefeitura onde há alimentação, higienização e atendimento psicossocial durante o dia.

A coordenadora do serviço de abordagem social da prefeitura, Luciana Gatti, explicou que ele já ficou no abrigo da prefeitura, mas agora volta para dormir no prédio. “É um processo muito longo até que haja uma mudança.”

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Mais um edifício ocupado no Centro

Imóvel na avenida República. Foto: Rodrigo Gavini/AT

O prédio onde funcionava o Cine Santa Cecília, na avenida República, no Parque Moscoso, em Vitória, foi ocupado ontem pelo Movimento Nacional de Luta por Moradia. Com marreta, eles fizeram um buraco para entrar no local.

Este é o terceiro prédio no Centro a ser alvo de uma ocupação – o edifício do antigo IAPI e outro na rua Gonçalves Lêdo também foram ocupados. De acordo com o coordenador do movimento, Tiago de Almeida, 31, a edificação foi destinada a moradia popular e está abandonada há 12 anos.

“Cerca de 40 famílias ocupam o prédio e outras 50 devem chegar nos próximos dias. Nós reivindicamos que a política por moradia seja cumprida. Vamos ocupar outros prédios também.”

O assessor especial de relações comunitárias e sociais Marcos Delmaestro confirmou que o prédio pertence à prefeitura e está destinado à Secretaria de Habitação para fazer moradias populares para as pessoas de baixa renda.

“Algumas coisas que atrapalham no processo. A gente tem de trazer um equipamento com qualidade. Por ser um imóvel antigo tem de ser tudo repensado. Essa gama de olhares que é preciso ter que faz a gente demorar”.

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Análise de Gregório Repsold, arquiteto urbanista

Gregório Repsold, arquiteto urbanista.

“O abandono de prédios históricos é um grande equívoco”

“Os prédios históricos resguardam a história da cidade e do Estado, através de sua própria arquitetura. O ideal seria dar a eles uma utilidade necessária, que gerasse benefícios sociais para a cidade e seus habitantes.

Eles poderiam receber uma galeria de arte ou uma biblioteca, ou serem aproveitados para atividades culturais, por exemplo, mas não é isso o que acontece.

O que percebo é que o abandono de prédios históricos é um grande equívoco dos governantes. Eles se voltam para novas construções e esquecem as mais antigas.

Em Vitória, por exemplo, tudo foi migrando para a Enseada do Suá, saindo do Centro, o que é um equívoco.

A revitalização de prédios exige investimento. Dificuldade que poderia ser driblada por meio de parceria com o setor privado. No Recife, por exemplo, essa parceria existe e deu muito certo. É uma questão de visão política, do que é melhor para a cidade, valorizando sua história.”

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Reportagem de Verônica Aguiar para o jornal A Tribuna deste sábado (29)

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