
Sem imaginar que estaria deixando bandidos entrarem em seu carro, na madrugada desta quarta-feira (28), em Vila Velha, um taxista, de 40 anos, pegou uma corrida e levou dois falsos passageiros para Vitória. Porém, quando chegaram no bairro Parque Moscoso, os criminosos anunciaram o assalto e deram três facadas na vítima. Os bandidos roubaram o celular e dinheiro do taxista.
De acordo com investigadores da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime aconteceu por volta de meia-noite. A vítima relatou para policiais militares que estava passando próximo ao Terminal de Vila Velha em seu táxi, um Siena branco, quando parou para pegar uma corrida. Dois rapazes embarcaram no carro.
Um dos criminosos se sentou no banco carona e o outro ficou no banco traseiro. Os falsos passageiros teriam pedido uma corrida até o Parque Mosocoso. O taxista seguiu com os criminosos e, quando chegou na rua Afonso Braz, no bairro indicado, os ladrões anunciaram o assalto.
O bandido que estava no banco traseiro desferiu três golpes contra a vítima, que foi atingida na clavícula, nas costas e também na boca. Os assaltantes fugiram na direção do Morro do Moscoso levando um aparelho celular e também R$ 30 em dinheiro. Ninguém foi preso. A vítima relatou para a polícia que não reagiu ao assalto.
O taxista foi socorrido em seu próprio carro por um outro taxista que passou na região e viu o colega ferido. Ele foi levado para o Hospital São Lucas, no mesmo município. O estado de saúde dele é considerado estável.
Segundo a vítima, um dos criminosos possuía estatura média, era moreno, vestia camisa preta e amarela de manga curta e bermuda branca, azul e preta. O outro ladrão era mais alto, vestia jaqueta preta com azul e bermuda clara. O ponto do taxista esfaqueado fica no bairro Glória, em Vila Velha, e colegas dele ficaram chocados com o crime.
“Antes ele só trabalhava nos finais de semana. Ele começou essa semana a trabalhar todas as noites e era o segundo plantão dele. Ficamos chocados com o que aconteceu, é muito triste ver tanta violência assim. É uma profissão muito perigosa e precisamos de mais segurança”, destacou um taxista, de 54 anos, que não quis se identificar.
O caso será encaminhado e investigado pela Delegacia de Segurança Patrimonial (DSP).
“Fiquei chocado”
“Estamos vivendo em cima de um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento. A gente não sabe quem é o cliente, o que ele pode fazer. Trabalho desde 1999 nessa profissão e tenho receio, já fui assaltado duas vezes. E essas coisas acabam caindo na rotina.
Só Deus para ajudar a gente. Eu peço a proteção de Deus todos os dias antes de sair de casa e saio para trabalhar porque preciso. A gente precisa que a PM faça mais abordagens aos veículos. Eu fiquei chocado quando soube o que tinha acontecido. É um colega que agora está lutando para sobreviver. Precisamos de mais segurança.”
Taxista, 69 anos, colega da vítima
“Foi covardia o que fizeram”
“É muito triste ver situações assim, foi covardia o que fizeram com ele. Já tivemos colegas assassinados dessa maneira, em assaltos. Sem contar as outras dificuldades que estamos passando. Ele é um homem trabalhador, que só busca conseguir o pão de cada dia e passou por uma atrocidade dessas. É muito complicado.
Infelizmente, hoje em dia, a gente sai de casa já pensando que pode não voltar mais. Trabalho há 18 anos como taxista e já fui assaltado uma vez. Não foi nada muito grave como aconteceu com meu colega. Precisamos de mais abordagens da PM aos táxis. Nossa profissão é muito vulnerável e a gente nunca sabe quem está carregando.”
Taxista, 54 anos, colega da vítima
Veja a nota da PM sobre o caso
“A Polícia Militar desenvolve ações e operações com foco a taxistas em toda a Grande Vitória. As abordagens são realizadas tanto em táxis que tenham passageiros quanto em veículo em que há somente o condutor, até mesmo porque a visualização completa do interior do táxi acontece somente após o veículo ser parado.
Do dia 1º a 27 de agosto, 1.216 táxis foram abordados. A PM esclarece que se reúne com os representantes da classe para ouvir suas reivindicações e ajustar medidas que visem a minimizar as ocorrências de crimes contra taxistas no exercício de sua profissão.
É importante lembrar que em todos os casos de crime o Ciodes 190 deve ser imediatamente acionado. É importante lembrar que as ações de policiamento e abordagens não são realizadas em áreas particulares.”
Reportagem de Simony Giuberti