
Um coração, um fígado e dois rins vão ser capazes de salvar quatro vidas no Estado. Os responsáveis pelo feito foram familiares de um jovem de 22 anos morto em um acidente automobilístico, que mesmo em meio à tristeza de uma perda inesperada foram capazes de pensar no bem de outras pessoas. A família também doou as duas córneas do rapaz.
O coração, o fígado e um rim do jovem de Cachoeiro foram transplantados, na tarde de ontem, no Hospital Meridional, em Cariacica, ajudando a salvar a vida de três pessoas que aguardavam na fila de transplante. O outro rim deverá ser usado em outro paciente.
Durante a cirurgia de transplante do coração, a repórter fotográfica de A Tribuna teve acesso com exclusividade ao centro cirúrgico.
As filas são administradas pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde, por meio de um sistema informatizado que permite ao paciente monitorar a sua posição, tornando o processo claro. Atualmente, no Estado, 1.100 pessoas aguardam um órgão.

No mês em que se comemora a doação de órgãos e tecido, o ato da família do jovem trouxe à tona o debate sobre a importância da doação de órgãos para salvar vidas.
Segundo a coordenadora da Central de Transplantes, Raquel Matiello, o índice de recusa familiar no Estado é o principal empecilho ao avanço dos transplantes. De janeiro a julho de 2017, 50 doações de órgãos foram barradas pelas famílias.
“Apenas a família pode autorizar, não é possível mais deixar autorizado em documentos. Por este motivo é importante que as pessoas se manifestem e falem para amigos e familiares do desejo de ser doador”, explicou.
A coordenadora contou ainda que, neste ano, novos hospitais serão credenciados para realizar transplantes: Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes, o Hospital das Clínicas, para transplante renal; Santa Casa, para transplante de córnea; e Hospital Santa Rita, para medula óssea halogênico aparentado (feito entre pessoas da mesma família).
Rayza Fontes