
O advogado mineiro Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que lidera a defesa informou, logo após a audiência, que o seu cliente agiu “provocado por um discurso de ódio” de Jair Bolsonaro.
“O discurso de ódio do candidato que, na verdade, é vítima, causou a atitude extremada do nosso cliente”, afirmou Zanone.
O advogado disse que a declaração de Bolsonaro de que “negro não servia nem para procriar” teria deixado Adelio psicologicamente abalado.
“Aquela declaração do candidato de que negro não servia nem para procriar atingiu a psiquê de nosso cliente. Vamos requerer que um incidente de insanidade mental seja instaurado”.
Os advogados também disseram ter concordado com a transferência de Adelio para um presídio federal para assegurar a segurança do autor do ataque. A defesa também rechaçou a hipótese de que Adelio teria agido em conluio com outras pessoas.
“Ele não nega a autoria do fato e também não traz nenhum partícipe para o cenário. Não procede o envolvimento de um terceiro como algumas pessoas vêm alegando. A verdade é que ele agiu de maneira escoteira, de forma solitária. Ele sustenta que agiu sozinho por razão política”, disse o advogado.
A defesa também disse acreditar que o discurso de ódio que teria motivado Adelio, a motivação política e a confissão possam ser consideradas atenuantes.
Indiciamento
Adelio Bispo de Oliveira foi autuado em flagrante pela Polícia Federal com base na Lei de Segurança Nacional. Segundo a Federal, ele foi preso por “praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas”, previsto no artigo 20 da lei.
A pena é de três a dez anos de prisão, mas pode dobrar se resultar em lesão corporal grave, ou triplicar se resultar em morte.
A prisão em flagrante de Adelio foi convertida em preventiva. Ele será transferido para o presídio federal de Campo Grande (MS).
Agressor ficará em isolamento
O agressor confesso do candidato Jair Bolsonaro (PSL), Adélio Bispo de Oliveira, vai ficar em isolamento na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Ele saiu de Juiz de Fora (MG), no início da manhã de hoje(8), em direção ao presídio. Pouco antes das 7h30, ele chegou ao aeroporto de Juiz de Fora, escoltado por policiais federais. Adélio entrou em um avião da Polícia Federal (PF), após passar a noite em um centro de detenção provisória na cidade.
Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o agressor ficará em cela individual, sem contato físico com outros presos da unidade. Nos primeiros dias, ele será submetido à avaliação médica e psiquiátrica.
As celas do presídio têm aproximadamente 7 metros quadrados, com cama, banco, escrivaninha, prateleiras, vaso, pia e chuveiro. Adélio ficará em ala destinada a réus colaboradores e presos protegidos pela Justiça ou com risco a integridade física.
A transferência para um presídio federal foi tomada em comum acordo entre a juíza federal Patrícia Alencar, que ouviu Adélio ontem (7), em audiência de instrução, o Ministério Público Federal e a própria defesa do acusado. O objetivo é garantir sua integridade física, já que poderia ser morto dentro do sistema prisional comum.
“As razões que justificam a transferência para uma penitenciária federal estão baseadas na garantia da integridade física do acusado, conforme decisão da Justiça Federal. O tempo de custódia na unidade, também”, informou o Depen.
Bolsonaro foi esfaqueado na tarde da última quinta-feira (6) durante uma atividade de campanha, em Juiz de Fora. O candidato foi transferido ontem (7) da Santa Casa de Juiz de Fora, onde passou por cirurgia, para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Segundo o último boletim médico, Bolsonaro mantém-se consciente, em boas condições clínicas e hoje poderá sair da cama pela primeira vez desde o ataque.