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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Agredida por ex-marido, mulher tem pé quebrado com golpes de capacete

A violência aconteceu dentro da casa da vítima, na Serra

Pé da jovem ficou inchado após o ataque

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Um relacionamento marcado por discussões e episódios de violência doméstica, todos cometidos por um jovem de 23 anos, que no último sábado usou um capacete para bater na ex-mulher, uma autônoma de 21 anos.  

As agressões foram tão fortes que a mulher quebrou um dos ossos do pé esquerdo e precisou ser internada às pressas em um hospital de Vitória, onde passoupor cirurgia. A violência aconteceu dentro da casa da vítima, na tarde de sábado, em Vista da Serra, na Serra. 

A autônoma, que já tinha registrado uma ocorrência contra o ex-marido há cerca de 20 dias, também por conta de agressão, relatou que ele a procurou para conversar. Mesmo sabendo que não poderia chegar perto da mulher, o agressor se dirigiu ao seu endereço.

“Ele mandou mensagem dizendo que já tinha decidido que ia voltar para casa. Já tinha dito que ele não podia fazer isso, que eu não queria, mas ele apareceu lá. Tenho uma amiga de quem ele não gosta e ele teve um surto, começou a me espancar”, conta a vítima, que preferiu não se identificar. 

Segundo ela, além de aplicar um mata-leão (golpe do pescoço), o agressor a chutou, deu socos e exigiu que ela apagasse os vídeos feitos por ela durante a agressão. O criminoso ainda usou um capacete para acertar um golpe no pé da autônoma. 

“Me arrastou pelo cabelo, montou em cima de mim. Me deu um mata-leão. Jogou um monte de coisas em cima de mim e depois me bateu no pé com o capacete. Na hora eu não percebi a gravidade, mas depois meu pé inchou e, quando cheguei no hospital, o médico disse que eu preciso operar e que devo ficar três meses afastada de tudo”, disse a mulher emocionada. 

Ela contou que esteve junto do homem por um ano e meio e que durante o todo o relacionamento ele sempre se mostrou agressivo. No sábado, em vídeo registrado pela vítima após sofrer as agressões, o ex-marido aparece fugindo em cima de uma moto. Ele ainda fez um pedido irônico para a ex-mulher:

“Ele a chamou para ir beber. Foi tão ousado que fez isso e depois fugiu”, conta uma amiga da vítima, uma empresária de 28 anos que preferiu não se identificar.

A autônoma foi levada para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE). Já o ex-marido, até o fechamento da reportagem, não havia sido encontrado.

“Qual a próxima ação: me matar?”

Ainda internada e aguardando para ser operada após ser agredida com um capacete pelo ex-marido, a autônoma de 21 anos afirmou que não pretende mais saber do seu agressor. Ela concordou em conversar com a reportagem de A Tribuna, na condição de não se identificar. 

A Tribuna –  Como era o relacionamento de vocês?

Autônoma –  A gente tem um histórico de idas e vindas. Ele é uma pessoa que vai do céu ao inferno.  Estávamos juntos há um ano e dois meses. Eu já tenho medida protetiva contra ele.

Quando e como foi a outra agressão que criou a medida?

Ele me bateu há um tempo atrás e foi por motivos bobos, chegou a esmagar meu pé com a botina dele. No dia que aconteceu essa agressão, chamei a polícia, mas eles não fizeram nada. Na hora, só me aconselharam a ir à Delegacia da Mulher. Não levaram ele para delegacia. No outro dia, eu fui na Delegacia da Mulher. 

E como foi na última agressão?

Ele não gosta de uma amiga minha e teve um surto. Não gosta que eu saia com ela. Surtou e veio para cima de mim. Eu estava  em casa sozinha. Ele me arrastou pelo cabelo, montou em cima de mim e me deu um mata-leão. Jogou um monte de coisas em cima. A todo momento eu pedia para  parar, mas ele não parava. Quando pedi para ele ir embora,  me deu um mata-leão. Na cabeça dele, isso não é agredir. Ele quase me matou. 

Ele foi preso?

Ele fugiu do local. A Polícia Militar procurou por ele e não achou. Inclusive, desta vez, a polícia ficou o tempo todo comigo e tentou me ajudar de todas as formas. 

E como vai ser sua vida daqui para frente?

Eu não quero mais saber dele e por isso denunciei. Muitas mulheres não denunciam e é por isso que muitas morrem. Hoje eu estou com o pé quebrado. Qual é a próxima ação dele: me matar? Não quero saber dele, se não daqui a pouco eu viro mais uma na estatística.

Sempre machucou os pés, diz amiga

Indignada com a agressão sofrida pela amiga, uma empresária de 28 anos, que pediu para não ser identificada, decidiu ajudar a autônoma, prestando todo apoio psicológico possível. 

Ela, que também já foi vítima de violência doméstica, conversou com a reportagem de A Tribuna e contou que o agressor sempre  agredia a amiga na região dos pés para, segundo a empresária, não deixar vestígios.

“Nas vezes que ele bateu nela e ela me contava, sempre era atingida no pé. Ele sempre machucava os pés dela. Depois ia lá e colocava um gelo”, disse a amiga da vítima.

A empresária contou que na hora que soube da agressão à autônoma logo se dispôs a ajudá-la. “Nós íamos sair ontem (sábado) e ela me mandou uma foto do pé dela inchado. A primeira atitude que tive foi encontrá-la, foi acolher para saber o que havia acontecido”.

Ela falou sobre a experiência que teve no passado.  “Foi bem ruim, era agredida. Mas eu aprendi e hoje ajudo minhas amigas da forma que eu posso”, disse.

Sobre o relacionamento da amiga, a empresária conta que as agressões eram frequentes. “Ele abusava dela fisicamente e  psicologicamente sempre”.

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