
De acordo com o delegado Fabrício Lucindo Lima, a Polícia Militar foi à localidade em busca do lavrador para cumprir um mandato de prisão. O suspeito teria descumprido medida protetiva contra a ex-mulher, com quem tem dois filhos. Gilberto havia sido solto em fevereiro, depois de cumprir seis meses por violência doméstica.
Após a prisão, na tarde de ontem, o delegado foi informado de que, mais cedo, o acusado teria envenenado a nascente local em represália a um dos vizinhos, que ajudava a ex-mulher, mas exigia que ele ficasse longe da região.
Gilberto confessou que derramou um frasco de Lebaycid na nascente, veneno altamente tóxico, cuja venda é controlada para combater pragas do café e em plantações de tomate. Ele, contudo, afirma que não imaginava que outras pessoas usavam a nascente.
A pedido do delegado, um técnico da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Santa Maria de Jetibá foi à comunidade para orientar os moradores sobre como proceder. O técnico sugeriu limpeza com vassoura e cloro, das quatro caixas que existem no local e a troca completa do encanamento usado, que mesmo depois de limpo pode reter o veneno.
Os moradores desconfiaram da qualidade da água diante do forte odor e da coloração do líquido. Apenas uma pessoa foi contaminada e levada ao Hospital Concórdia, em Santa Maria de Jetibá, com dores estomacais e queimação na garganta, mas passa bem.
O caso chamou a atenção em virtude da data, sendo que a cidade, cuja barragem do Rio Bonito abastece parte da Grande Vitória, realizou o evento Circuito Águas Pomeranas, com presença de diversas entidades para ressaltar a importância de cuidar da água.
O material e as amostras coletadas pela polícia serão encaminhados para Laboratório da Perícia Criminal da Polícia Civil em Vitória. Gilberto deve responder por tentativa de homicídio.
“Ele descumpriu medida protetiva”
O delegado Fabrício Lucindo Lima conta como a polícia foi informada e como reagiu diante do caso de envenenamento da nascente, ocorrido em pleno Dia Mundial da Água, em Santa Maria de Jetibá.
A Tribuna – Como a polícia chegou à informação do envenenamento da nascente?
Fabrício Lucindo – A Polícia Militar cumpriu mandato de prisão porque o lavrador descumpriu medida protetiva contra a ex-mulher. Ele foi preso na localidade de Alto São Sebastião e recebemos a informação de que ele teria também envenenado a nascente da localidade. Os moradores nos trouxeram uma amostra e imediatamente fomos ao local, acompanhados de um técnico para avaliar a situação.
O veneno era mesmo perigoso à vida humana?
Trata-se de um agrotóxico usado nas lavouras de café e tomate, chamado Lebaycid. O produto é considerado muito tóxico.
Quantas pessoas foram efetivamente afetadas?
Sete famílias utilizam a nascente que foi contaminada pelo veneno jogado pelo lavrador. O técnico da prefeitura analisou toda a situação e orientou a troca de todo o encanamento e ainda a limpeza das caixas com cloro.
Mesmo depois de ter sido solto recentemente, ele ainda incomodava a ex-mulher?
Sim. A ex-mulher reclamou que ele estaria descumprindo a medida protetiva e se aproximando dela com frequência. Os vizinhos que a ajudavam materialmente não o queriam por perto e por isso avisaram à polícia que ele estava rondando a região atrás da ex-mulher. Então, a polícia recebeu orientação do juiz para efetuar a prisão.
Manifestações em redes sociais
A notícia do envenenamento de uma nascente no Dia Mundial da Água, em Santa Maria de Jetibá, causou grande repercussão na cidade pelas redes sociais.
A questão ambiental recebe bastante atenção dos órgãos públicos municipais porque a cidade fornece água para boa parte da Grande Vitória, por meio da Barragem do Rio Bonito, e atende a mais de cinco mil proprietários rurais.
“Triste pensar que um monstro desses não se importa com a vida. Graças a Deus não houve fatalidade. Pessoas assim precisam de tratamento psicológico”, defendeu a moradora Faby Gonoring.
Mais cedo, no mesmo dia, a Secretaria de Meio Ambiente de Santa Maria de Jetibá realizou o evento Circuito Águas Pomeranas, no qual diversas entidades debateram a preservação da água, com distribuição de mudas e orientações para estudantes.
José Maria Lopes, pelas mídias sociais afirmou, indignado: “Parabéns pelo Dia da Água suportar a ignorância do homem”.